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·9. Mai 2026

A BOLA está a pedir para seguir o caminho da Média Livre

Artikelbild:A BOLA está a pedir para seguir o caminho da Média Livre

O Benfica já cortou relações institucionais com a Média Livre, grupo que detém CMTV, Correio da Manhã e Record, depois de considerar que foram divulgadas informações falsas sobre o clube. Agora, olhando para certas crónicas publicadas em A BOLA, começa a parecer que o jornal que durante anos foi tratado como a bíblia do desporto português quer seguir exactamente o mesmo destino.

A crónica assinada por Luís Mateus sobre Marco Silva é apenas mais um exemplo do estado a que chegou um título histórico. Um jornal que devia viver de notícias, informação relevante, investigação e critério editorial aparece cada vez mais entregue ao ruído, ao bordel de agendas e às opiniões que pouco acrescentam ao desporto nacional.


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A BOLA, que já foi referência, vai-se transformando num espaço onde a opinião substitui a notícia e onde alguns textos parecem mais interessados em influenciar quem ainda lê do que em informar. Na ausência de novidades relevantes, regressam as leituras de bastidor, as agendas antigas, os recados embrulhados em análise e a velha tentativa de condicionar o Benfica a partir das páginas de um jornal.

A capa de A BOLA não trouxe nada de verdadeiramente relevante sobre o treinador do Benfica e os dias seguintes acabaram por responder a essa tentativa de alimentar ruído. O que não se pode deixar passar em claro é a opinião de Luís Mateus, publicada este sábado, sobre Marco Silva, em que o editor executivo escreve que “Mourinho já está de malas feitas” e que o Benfica terá de escolher um novo treinador.

Nada tenho contra levantar questões sobre Marco Silva. Pode discutir-se o seu percurso, o seu modelo, a sua capacidade para assumir um clube como o Benfica e até o peso de uma eventual chegada à Luz. Marco Silva fez o seu caminho, subiu pelo próprio trabalho, afirmou-se em Inglaterra, consolidou-se no Fulham e merece ser analisado com seriedade. O que não pode acontecer é usar Marco Silva como desculpa para atacar Rui Costa e, pelo caminho, fazer comparações completamente desproporcionadas.

Quando Luís Mateus fala do percurso de Marco Silva no Sporting e escreve sobre uma “liderança esquizofrénica” de Bruno de Carvalho, para depois comparar com Rui Costa e dizer que o actual presidente do Benfica “não se quer meter em nada” e “prima pela não decisão”, passa das marcas. A expressão é dele, a comparação é dele e a agenda também parece ser dele.

É preciso muita lata para colocar no mesmo plano Bruno de Carvalho e Rui Costa. Um foi protagonista de um dos períodos mais tóxicos, barulhentos e destrutivos da história recente do Sporting. O outro é uma figura histórica do futebol português, do Benfica e do futebol internacional. Pode ser criticado, claro que pode. Pode ser cobrado, obviamente. Mas reduzi-lo a essa caricatura editorial é mais do que crítica. É falta de respeito.

E já agora, será preciso uma agenda extra para explicar a Luís Mateus o que tem acontecido ao Benfica nos últimos dois anos? Será preciso recordar jogos, arbitragens, decisões, castigos, calendários, nomeações e todo um ambiente montado para retirar ao Benfica a possibilidade de lutar pelos seus objectivos em condições normais? Ou isso só interessa quando a narrativa serve outros clubes?

O problema é que isto já acontece no Record com o Sporting. A diferença é que, agora, parece que A BOLA também quer entrar nesse campeonato. Um jornal que durante anos foi conotado com o Benfica aparece hoje a colecionar ruído, agendas e certas vozes que parecem mais interessadas em atacar o clube do que em perceber o clube.

Marco Silva pode nem estar na rota da Luz. Pode nem querer vir. Pode nem fazer sentido neste momento. Mas uma coisa é certa: o percurso de Marco Silva foi feito com trabalho. Já o percurso editorial de Luís Mateus, à frente de um jornal histórico que perdeu peso, influência e respeito, está à vista de todos.

A BOLA não está melhor. Está pior. E quem tem responsabilidades editoriais nesse processo não pode esconder-se atrás de crónicas supostamente sofisticadas para continuar a atirar pedras ao Benfica.

Os medíocres são assim. Quando não conseguem construir, tentam diminuir quem construiu. Quando não conseguem levantar um projecto, entretêm-se a atacar os símbolos dos outros. Quando não conseguem devolver grandeza a um jornal, tentam ganhar relevância a dizer mal de quem ainda representa alguma coisa.

Rui Costa ficará para sempre na história do Benfica, da Fiorentina, do Milan, da selecção nacional e do futebol internacional. Luís Mateus arrisca ficar apenas como mais um nome associado à degradação editorial de um título que já foi grande.

A BOLA foi a bíblia do desporto. Hoje, em demasiadas ocasiões, parece apenas mais um bordel de agendas.

E o Benfica, os benfiquistas e todos os que ainda têm memória sabem distinguir jornalismo de ruído. Sabem distinguir crítica de frete. Sabem distinguir opinião séria de ataque encomendado pela conveniência do momento.

Se A BOLA quer seguir o caminho da Média Livre, está no bom caminho.

Depois não se queixem quando os benfiquistas fizerem aquilo que têm de fazer: riscar o jornal do mapa.

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