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·15. Juni 2026

A Bola publica a opinião que ninguém esperava ver ali

Artikelbild:A Bola publica a opinião que ninguém esperava ver ali

Há dias em que a surpresa vem de onde menos se espera. A Bola, jornal que nas últimas semanas tem servido de palanque a tudo o que é crítica fácil ao Benfica, publicou uma opinião que vai exactamente ao contrário da corrente que ali se instalou. O autor chama-se Rogério Azevedo, o texto chama-se “Rui Costa, o saco de pancada”, e há uma ironia que não passa despercebida: ou o Rogério se apressa a bater também, ou será ele próprio o saco em que o Luís Mateus vai dar a próxima pancada.

Mas vamos ao que importa. O que o colunista escreveu bate certo com o que a maioria dos benfiquistas pensa há demasiado tempo. A imprensa com agenda, os grupos que não esqueceram as eleições internas, os que teimam em dividir em vez de unir, os que deixam o sistema crescer enquanto discutem entre si quem tem mais razão. Tudo isso está lá, escrito sem rodeios, e é refrescante ver isso nas páginas de um jornal que raramente dá esse espaço.


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Quem hoje fala nos quarenta anos disto esquece, conveniente ou ingenuamente, como tudo começou. Começou exatamente assim: com divisão interna, com quem devia estar junto a olhar para o lado, com o sistema a crescer precisamente porque o clube maior do país estava demasiado ocupado a tratar das suas guerras de corredor. Desta vez há uma diferença importante: as raízes já estão criadas. A estrutura que se foi construindo nos últimos anos tem bases. E quem quiser replicar o que aconteceu há quatro décadas vai encontrar terreno mais fértil do que imagina, se os benfiquistas continuarem a desperdiçar energia uns contra os outros.

Não se trata de apagar diferenças de opinião. Trata-se de perceber que há uma luta maior do que qualquer agenda pessoal ou ressentimento de campanha eleitoral. O futebol português tem um problema estrutural conhecido, documentado e discutido à exaustão. O Benfica não resolve esse problema sozinho, mas também não o resolve dividido.

A ideia de cerrar fileiras sem olhar a votos ou ideologias não é sentimentalismo clubístico. É a única resposta racional a um ambiente que, como Rogério Azevedo bem identificou, se está a tornar sistematicamente hostil. Somos todos do mesmo, queremos todos o mesmo, e temos todos de lutar pelo mesmo. Quem ainda não percebeu isto, ou finge que não percebe, está a fazer o trabalho de quem nos quer fracos. E esse serviço, esse sim, é o verdadeiro saco de pancada.

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