Coluna do Fla
·14. Juli 2026
A opinião de José Boto sobre a possível contratação de Neymar pelo Flamengo

In partnership with
Yahoo sportsColuna do Fla
·14. Juli 2026

Diretor de futebol do Flamengo, José Boto ‘sacudiu’ a internet ao criticar a convocação de Neymar para a Copa do Mundo antes do início da competição. Nesta segunda-feira (13), o português voltou a falar sobre o camisa 10 da Seleção Brasileira. Questionado sobre a possibilidade de ter o atacante um dia no Mengão, o cartola preferiu despistar.
— Eu prefiro não falar do Neymar, porque falar do Neymar, no Brasil, já me causou alguns problemas. Digo que eu o adoro, que acho que foi um dos jogadores mais injustiçados em sua carreira… Em termos de qualidades físicas e técnicas, ele está no nível de um Cristiano (Ronaldo) e de um (Lionel) Messi. Não vou no quesito de quem é que teve culpa por ele ter tido tantas lesões. E houve uma coisa que eu disse, não é a primeira vez; se forem ver, eu já disse isso várias vezes —, iniciou, então, José Boto.
— Eu acho que dos três jogadores grandes – Messi, Cristiano e ele –, o Neymar foi aquele menos protegido pelos árbitros. Era aquele em que os árbitros mais deixavam bater. E eu acho que isso também contribuiu para muitas das lesões que ele teve. Portanto, é um excelente jogador, mas não vou falar se já teve (o nome dele na mesa), se não teve, ou se foi bom ele ir para a Copa, ou não —, acrescentou o português, enfim, em entrevista à ESPN Brasil.
Em resumo, Neymar nunca escondeu que tem o sonho de jogar no Flamengo. O atacante já fez aparições públicas com o Manto Sagrado, foi ao Maracanã torcer pelo Mais Querido e contou que imaginava como seria ganhar a Libertadores pelo clube.
Porém, no cenário atual, é improvável que Neymar realize o sonho. Afinal, o jogador tem dúvidas até se seguirá a carreira. Nos bastidores do Santos, cogita-se o encerramento de vínculo com o clube imediatamente. O contrato do jogador é válido até dezembro de 2026.
Antes da entrevista para a ESPN, José Boto falou em primeira mão com a reportagem do Coluna do Fla, com os comunicadores Rock Hudson e Simon Ledo. Está disponível no YouTube e você pode acessar com um clique aqui. Sobre o bate-papo com o canal paulista, confira, abaixo, os principais trechos.
Qual é, hoje, a real situação financeira do Flamengo? “Essa pergunta não vou responder. Porque não é minha área de intervenção. Não sou o responsável pelas finanças do clube. Ainda bem. Tenho um respeito muito grande pelas pessoas, não só no Flamengo, mas em todos os clubes, que todos os meses têm de arranjar dinheiro para pagar os salários, para não termos nada atrasado. Tenho muito respeito por isso. Não vou falar nem com conhecimento de causa, nem daquilo que me é transmitido. O que eu posso te dizer – se calhar, respondendo às perguntas seguintes que você tem –, é que as duas últimas janelas, que foram muito fortes em nível de gastos, e isso é factual… Uma coisa pode ser a opinião, se (as janelas) foram boas, se foram ruins, mas, factualmente, em nível de gastos, foram duas janelas muito, muito, muito fortes. E isso não vai se repetir nesta janela. Me pediram isso. Não é porque eu não goste, quer dizer, todos nós gostamos de gastar dinheiro, não é? Mas eu tenho muito respeito por isso. Portanto, de certeza (que a gente tem) é que esta janela não vai ser igual àquela que foi a de janeiro, ou à (janela) de um ano atrás. Vai ser mais modesta. Mas, também, você não pode andar… E não sou eu que digo isso, são seus colegas da imprensa: que o Flamengo é o melhor elenco das Américas, e não sei o quê. Não sou eu que digo. E o melhor elenco das Américas precisa de sete ou oito reforços? Não faz sentido. É óbvio que nós, tanto eu, como o Leonardo (Jardim), já identificamos uma ou duas posições que gostaríamos de reforçar. Já identificamos também os nomes que queremos para essas posições. Agora, estamos à espera do melhor momento, para que não se gaste o que não é necessário gastar”. O Flamengo precisa de vendas hoje? “Precisa. Precisa fazer algo com as vendas. E é isso que estamos tentando. Tentando fazer vendas que não afetem o rendimento esportivo da equipe. Como foi o caso do Ryan Roberto, que foi uma venda feita muito porque o jogador também não quis renovar. Mas foi uma venda que, em minha visão de mercado, de alguém que está no mercado há muito tempo… Vender um jogador por 9,5 milhões de euros quando ele está nos seis meses finais de contrato, acho que é um bom golpe de mercado. Mas é esse tipo de vendas que vamos tentar fazer, para tentar não mexer naquilo que é o elenco principal. Arranjar também algum dinheiro para irmos realmente naquelas duas, três coisas cirúrgicas que queremos fazer. É óbvio que tudo isso… Tudo isso pode mudar com uma ou duas saídas inesperadas. Pode acontecer. Porque pode vir uma oferta que seja tão boa, e nós não estávamos à espera de perder aquele jogador, e isso vai nos obrigar a ter que substituir tal jogador. Agora, temos perfeitamente mapeado, perfeitamente em nossa cabeça aquilo que queremos, aquilo que queremos que não saia e aquilo que queremos que entre”. Pode revelar quais são as posições carentes hoje? “Não, e não somente por uma questão de segredo. O segredo também faz parte do negócio. Até porque as coisas que são faladas na imprensa acabam por ter influência no preço do atleta. E disso não tenho dúvida nenhuma, isso tem influência no preço que você paga. Mas também por respeito aos jogadores que temos nessas posições. E eu acho que, às vezes, aqui… Me lembro que, no ano passado, a essa altura, nós estávamos em primeiro lugar (do Brasileirão). E parecia, por meio da imprensa, que o Flamengo estava lutando para não ser rebaixado, porque precisava de dez, 15 reforços. E era uma falta de… Eu via a cara desses jogadores que estavam aqui. Que estavam ali, no primeiro lugar (do Brasileirão) e tinham se classificado para as oitavas de final da Libertadores. “Nós estamos bem. Por que essa fobia, que a equipe precisa de tantos, tantos reforços?”. É óbvio que precisava. Precisava mais naquele momento do que precisa hoje, sem dúvida alguma. Mas… É muito também por respeito aos jogadores que estão aqui, que tanto entregam – e que tanto te entregam – nesses últimos anos”. Por que não venderam o Emerson Royal para o Aston Villa? Mais: recusaram ofertas por outros jogadores? “Não vou falar de nenhuma proposta… Ou possível proposta, porque o Emerson Royal está aqui treinando, não é? Não vou falar de nenhuma negociação. Recebemos algumas propostas, para alguns jogadores, não vou dizer quais. Mas, neste momento, o peso do que entra, do que sai, e do que temos que substituir, porque isso.. É muito fácil falar de mercado quando não é você que está fazendo. Você tem uma série de variáveis que devem ser postas em perspectiva. Se eu vendo determinado jogador, o reponho com o quê? O dinheiro é suficiente para repor e para fazer face a algumas dificuldades financeiras que possam existir? Isso, na balança, faz parte também da decisão de vender ou não vender. Por outro lado, há outras coisas em que as pessoas nem pensam. Vender um jogador para o qual não temos substituto, a esta altura, não é uma boa coisa, percebe? Sem entrar em nomes, sem entrar em… Há muitas variáveis que te fazem vender ou não um jogador. Não é: “Oh, essa é uma boa oferta! Vende!”. E agora? Vou buscar quem? E consigo buscar a tempo dos primeiros jogos-treino, e (jogadores) que sejam decisivos? O dinheiro que entra por esse jogador é suficiente para repor com outro jogador? Essas coisas que, muitas vezes, as pessoas que falam, falam de cor. Porque não é na casa delas que essas coisas estão sendo geridas. Somos nós, aqui, que temos que gerir isso. E obviamente é uma gestão que não é só minha; é feita por mim, pelo presidente e pelo treinador, que tem uma opinião grande nisso tudo”. Efeito Lucas Paquetá: há a parte boa, mas também há a parte ruim. A parte boa foi a mensagem que o Flamengo passou para o mercado. A parte ruim foi a supervalorização na hora de fazer novos negócios, certo? Os preços estão mesmo inflacionados na hora de fechar novos reforços? “Isso é um fenômeno que você sabe que se passa na Europa e em todo o lado, não é? Quando o Atlético de Madrid pagou 120 milhões (de euros) ao Benfica pelo (João) Félix, todos os outros clubes começaram a pedir, ao Atlético de Madrid, valores que não eram, se calhar, os valores reais que pediriam se não tivessem pago os 120 milhões por ele. Isso é um efeito que existe, e é um efeito que existe em todos os grandes clubes. E o Flamengo é um grande clube”. Já desistiu de muito jogador recentemente por conta de uma suposta supervalorização? “Não desistimos assim de tantos. Mas é verdade que, às vezes, até perguntamos por alguns jogadores que poderiam vir, só para termos uma noção do que se pode cumprir. E o preço que nos pedem é muito maior do que aquilo que é o real valor do jogador”. Everton Cebolinha termina o ano no Flamengo ou vai sair agora no meio do ano? “Não é que não vou te responder por não saber o que vamos fazer. Não vou responder por respeito ao jogador, por respeito a nós próprios”. Evertton Araújo é a próxima grande venda do Flamengo? “É aquilo que eu te digo. As grandes vendas de jogadores sul-americanos para a Europa nunca passam dos 24, 25 anos. Aquelas (vendas) de 30, 35, 40 milhões (de euros). Tirando algumas exceções para mercados alternativos, como a Rússia, não passa (dessa idade). E ele está nessa faixa de idade, tem qualidade e, muito provavelmente, vai ser a próxima grande venda do Flamengo”. É possível dizer que ele termina o ano no Flamengo? Dá para garantir? “Não dá. Porque, embora os jogadores tenham cláusulas, e as cláusulas sejam altíssimas – a dele é altíssima (200 milhões de euros), não acredito que alguém pague a cláusula. Muito provavelmente, vai terminar o ano aqui”. A saída do Pulgar agora no meio do ano é uma preocupação? Por causa da multa rescisória baixa de 4 milhões de dólares… “O valor que você falou não é o correto. Mas também não vou te dizer qual é. É mais do que isso (4 milhões de dólares). Mas…” …Mas ainda assim é baixa? “Depende do que é baixa para você. Depende se 5 ou 6 milhões de euros é pouco dinheiro para um jogador de 32 ou 33 anos. Depende muito da visão que você tem. Agora, estamos atentos a isso, já conversamos com o jogador, o jogador está contente aqui. Não tememos perdê-lo”. Muito se falou, lá atrás, de questões de indisciplina do Gonzalo Plata. Ele permaneceu e o Jardim apostou nele. A ideia agora é segurá-lo ou vendê-lo? “Mesmo que a gente cogitasse alguma saída naquela altura, o mercado estava fechado. Aliás, o mercado está fechado, não está aberto ainda. Portanto, mesmo que a gente cogitasse qualquer saída… Uma das coisas que o Jardim sempre pediu foi que queria ver os jogadores todos em detalhe. Num calendário em que se joga de três em três dias, você conhecer bem os jogadores demora muito tempo. Não tem esse período, como você tem aqui (na Europa), de convívio diário com os jogadores, de treinos diários. E ele sempre pediu: “Eu quero conhecer bem os jogadores, quero ver bem os jogadores, quero ver onde é que eu posso intervir não só na melhora técnica ou tática deles, mas também na psicológica”. E ele nunca pediu: “Não, esse jogador eu não quero aqui”. Nunca, nunca, nunca pediu isso. Nunca. E uma coisa que nós sempre fizemos foi dar esse tempo para que ele perceba exatamente o que tem nas mãos. E depois, sim, sentamos e vemos: “Essa posição eu gostaria de ter, e aquela posição eu gostaria de não ter””. Danilo, do Botafogo, e Marcos Antônio, do São Paulo, são dois nomes que interessam? Há possibilidade de serem contratados? “Vou te dizer que são dois excelentes jogadores. Completamente diferentes. Embora joguem em posições semelhantes, são completamente diferentes em estilo e modelo de jogador. São tecnicamente dois excelentes jogadores. É o que posso dizer”. O Cristiano Ronaldo confirmou, recentemente, que teve a possibilidade de reforçar clubes argentinos no último Mundial de Clubes, do qual vocês, inclusive, participaram. Na altura, falou-se também bastante de um eventual interesse do Botafogo nele. E no Flamengo? Ele já foi tema? “Não. Nunca. Nem sequer foi levantado por alguém do estafe dele, e você sabe que ele tem um estafe muito grande”.







































