Central do Timão
·18. März 2026
Administradora do RCE questiona cálculo da parcela mensal apresentado pelo Corinthians

In partnership with
Yahoo sportsCentral do Timão
·18. März 2026

O processo do Regime Centralizado de Execuções (RCE) do Corinthians ganhou novos desdobramentos após a Laspro, empresa nomeada pela Justiça como administradora judicial do plano, voltar a se manifestar nos autos detalhando os primeiros cálculos para a execução do programa de pagamento de dívidas do clube, que prevê a quitação de cerca de R$ 190 milhões junto a diversos credores.
A informação foi divulgada inicialmente pela ESPN e confirmada pela Central do Timão, que obteve acesso ao documento elaborado na última quarta-feira (11). A manifestação da administradora trata da etapa inicial do plano, cuja execução está prevista para começar ainda neste mês de março.

Foto: José Manoel Idalgo/Ag. Corinthians
Valores da RCE
No documento de 35 páginas, a administradora detalhou o montante atualmente disponível nas contas judiciais vinculadas ao RCE. Segundo a Laspro, o Corinthians possui R$ 20,264 milhões depositados, valor que deverá ser distribuído de forma proporcional entre os credores habilitados.
O rateio seguirá o critério da modalidade igualitária, no qual cada credor recebe de acordo com o peso do seu crédito em relação ao total da dívida. O modelo busca garantir que, ao longo do plano, todos os credores tenham suas pendências quitadas de forma simultânea.
A administradora também atualizou o valor total das dívidas incluídas no regime. Considerando a aplicação da taxa Selic, fixada em 18,4201% no período, o passivo saiu de R$ 190,8 milhões para aproximadamente R$ 226 milhões.
Administradora questiona base de cálculo das receitas
Na sequência da manifestação, a Laspro analisou o fluxo de caixa apresentado pelo Corinthians, tomando como base os números referentes ao mês de fevereiro, utilizados pelo clube para calcular a primeira parcela do plano, prevista para ser paga em março.
Durante a análise, a administradora apontou uma divergência contábil nos valores informados. O clube declarou à Justiça que as receitas válidas para o cálculo da parcela mensal somavam R$ 64,2 milhões, mas os demonstrativos financeiros apresentados indicam que a receita total do período foi de R$ 213,4 milhões, uma diferença de R$ 149,2 milhões.
Segundo o detalhamento feito pela administradora, o valor considerado pelo Corinthians inclui:
Patrocínio – R$ 23,8 milhõesDireitos de transmissão – R$ 14,1 milhõesMatchday – R$ 7 milhõesClube social – R$ 4,6 milhõesPublicidade – R$ 4,3 milhõesSócio-torcedor – R$ 4,3 milhõesArena – R$ 2,4 milhõesOutros recebimentos – R$ 2 milhõesRoyalties e licenciamento – R$ 1,4 milhão
Por outro lado, ficaram fora da base de cálculo:
Operações financeiras – R$ 76,9 milhõesTransferências – R$ 65,5 milhõesNegociação de atletas – R$ 6,8 milhões
A Laspro não fez acusação de irregularidade, mas solicitou que a Justiça intime o clube para esclarecer como essas receitas foram classificadas e por qual motivo não foram incluídas no cálculo da receita corrente mensal utilizada no RCE.
A administradora ainda apontou que, caso esses valores sejam considerados receitas não recorrentes, como no caso de transferências de atletas, eles poderão ser destinados aos chamados leilões reversos, mecanismo previsto no plano para antecipação da quitação de dívidas com recursos extraordinários.
Em nota, o Corinthians informou que ainda não foi formalmente intimado sobre a manifestação da administradora, mas afirmou que os valores apontados se referem a controles gerenciais e serão conciliados com a contabilidade oficial.
“O Sport Club Corinthians Paulista informa que por ora não foi formalmente intimado sobre tal manifestação. O clube, porém, entende que trata-se de valor gerencial de caixa e será conciliado à contabilidade, conjuntamente ao administrador judicial.”
Veja mais:
Atacante do Corinthians registra maior tempo de atuação desde o fim de novembro
Corinthians tem três representantes em convocação da Seleção Brasileira Sub-16
Em três rodadas, Corinthians tem pior início de Brasileirão Feminino desde a reativação da modalidade em 2016









































