Jogada10
·21. Januar 2026
Alemanha pode se tornar o 10º país a boicotar uma Copa do Mundo; entenda

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A Copa do Mundo de 2026, marcada para acontecer nos Estados Unidos, México e Canadá, enfrenta questionamentos políticos a poucos meses do início. O comportamento agressivo do presidente americano Donald Trump com relação aos países da Europa reacende debates diplomáticos e abriram espaço para a possibilidade de boicote por parte de seleções europeias, incluindo a Alemanha.
O impasse ganhou força após Trump defender publicamente que os Estados Unidos assumam o controle da Groenlândia, passando por cima da Otan, a aliança militar do Atlântico Norte. A proposta provocou reação imediata de líderes europeus, já que a ilha é um território autônomo vinculado à Dinamarca, responsável por sua política externa e defesa.
O conflito, desta maneira, ultrapassa o campo diplomático e passou a ameaçar diretamente o maior evento do futebol mundial.
Nesta terça (20), o deputado alemão Jürgen Hardt, do partido União Democrata-Cristã (CDU), afirmou ao jornal Bild que a Alemanha pode boicotar a Copa do Mundo como forma de reação política. Segundo ele, a medida representaria uma alternativa extrema para forçar uma mudança de postura do governo dos Estados Unidos.
No Reino Unido, deputados de partidos políticos diferentes também se posicionaram favoravelmente a um boicote das seleções de Inglaterra e Escócia.
Assim, caso a Alemanha confirme a desistência, será o décimo boicote registrado em 96 anos de Copas. Ao longo das edições, diferentes seleções tomaram decisões semelhantes, seja por razões políticas, econômicas ou até mesmo institucionais.
O Uruguai foi a primeira seleção a boicotar uma edição, em 1934, quando optou por não defender o título conquistado quatro anos antes. Foi um protesto contra a ausência de boa parte de seleções europeias na edição inaugural do torneio, realizada em Montevidéu. Esta, inclusive, é a única vez em que o campeão não participou da Copa seguinte.
Também em 1934, Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda recusaram o convite das eliminatórias. As federações priorizaram o Campeonato Britânico, considerado mais relevante dentro de suas fronteiras, alegando que já era profissionais, em contraste com o amadorismo predominante na época.
Em 1938, a Argentina, em um boicote tardio, se recusou a jogar o torneio novamente disputado na Europa. Em 1950, a Índia se classificou nas Eliminatórias, mas desistiu da competição alegando falta de interesse esportivo e falta de recursos econômicos para a viagem. Na mesma edição, a Turquia abriu mão da vaga por dificuldades financeiras.

Jogadores do Chile foram a campo sem adversário após o boicote da URSS em 1973 – Reprodução de vídeo
O último boicote ocorreu em 1974, quando a União Soviética recusou-se a repescagem com o Chile. Em 1973, quando o governo chileno de Salvador Allende foi derrubado com a ajuda da CIA, a Fifa marcou um jogo no Estádio Nacional de Santiago. Os soviéticos se recusaram a viajar em solidariedade ao governo deposto e alegando que o estádio já servia de prisão para perseguidos políticos. Em uma cena inacreditável, a seleção do Chile foi a campo sem adversário, mas com trio de arbitragem. Os jogadores avançaram na direção do gol vazio e fizeram um gol infame para a história das Copas.







































