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·25. Juli 2026

André Silva e o regresso ao FC Porto: “Tenho a certeza de que foi a decisão correta”

Artikelbild:André Silva e o regresso ao FC Porto: “Tenho a certeza de que foi a decisão correta”

André Silva olha para o regresso ao FC Porto como um ponto de chegada, mas também como o início de uma etapa carregada de ambição. Depois de nove anos fora e de experiências em três das chamadas ligas ‘big-5’, o avançado regressa com outra bagagem e uma convicção sem hesitações: “Tenho a certeza de que foi a decisão correta”.

Na conversa sobre o reencontro com a casa que deixou, André Silva traçou um balanço de um percurso feito de adaptação, estabilidade procurada e descoberta pessoal. A mensagem atravessa cada resposta: o jogador que saiu mais novo é hoje alguém moldado por diferentes países, clubes e exigências, sem perder a vontade de concretizar o que ainda falta.


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O regresso ao FC Porto foi descrito pelo avançado como um processo emocional, entre a nostalgia do reencontro e a necessidade de voltar a sentir o clube como presente definitivo.

“Tem sido intenso, tem sido nostálgico, tem sido bastante bom. Tenho a certeza de que foi a decisão correta. Foi um momento inexplicável para mim.”, afirmou. “No início parecia que as coisas ainda estava a sonhar, dava a sensação que estava aqui no Porto ainda por uns meses, mas que ia voltar para fora, para o estrangeiro. Mas acho que agora já estou mais assente e estou feliz.”

Há, nas suas palavras, a imagem de uma transição que não se esgota no anúncio do regresso. O vínculo ao Porto reaparece agora acompanhado por uma sensação de pertença mais consolidada.

Questionado sobre aquilo que mudou ao longo dos anos passados fora, André Silva separou a identidade do clube da transformação que viveu enquanto jogador e homem.

“Em relação ao clube nada, nada muda. Em relação a mim, muda muita coisa. Foram nove anos fora, foram nove anos de experiências, desafios, conhecimentos sobre mim, sobre o mundo do futebol e o mundo lá de fora, que me permitem chegar hoje a casa com mais experiência, com a mesma vontade e com sonhos por concretizar.”

O regresso não é, por isso, apresentado como uma repetição do passado. É o reencontro de um jogador com a mesma referência, mas carregando a experiência de quem teve de se medir com realidades diferentes.

Essa evolução, explicou, foi construída tanto dentro das quatro linhas como na sucessão de mudanças que a vida fora de Portugal lhe impôs.

“Acho que toda a experiência que tive no estrangeiro, seja em qualquer país, em qualquer clube que tive, proporcionaram-me desafios completamente diferentes aos quais eu tive que me adaptar. A nível futebolístico, tive treinadores, diversos treinadores, diversos jogadores, diversas formas de pensar e de jogar.”, explicou. “A nível pessoal, o facto de estar constantemente a mudar de casa, constantemente a conhecer pessoas novas, a ver o mundo com outros olhos, acabou por fazer com que hoje fosse o André de 30 anos e não o de 21 ou 22 que tinha saído daqui.”

A maturidade que reivindica não se limita, assim, ao conhecimento do jogo. Também nasce da capacidade de viver longe, de recomeçar e de encontrar novas formas de olhar para o futebol e para si próprio.

Ao fazer o balanço das passagens por três das cinco principais ligas, André Silva colocou a tónica na aprendizagem que se constrói entre conforto e desconforto.

“Fui-me conhecendo, fui vendo, fui estando em situações confortáveis e desconfortáveis, vendo que tipo de jogador é que eu era, aquilo que gostava, aquilo que não gostava. Fui adaptando e adquirindo certas coisas que nunca imaginei que pudesse ter.”, analisou. “Basicamente foi isso, foi tentar descobrir-me a mim mesmo, os pontos mais fortes a nível futebolístico.”

Mais do que uma soma de experiências, o percurso surge como um exercício de definição. Cada contexto ajudou-o a perceber os seus limites, preferências e qualidades mais vincadas.

Itália representou uma das primeiras grandes ruturas com a zona de conforto, num momento em que a adaptação mental pesou tanto como a exigência táctica do campeonato.

“Sim, em cada situação eu estava num contexto diferente. O clube onde eu estava também estava num contexto diferente do que é hoje. Lembro-me da fase, acho que a fase inicial, por exemplo quando fui para Itália, foi mais uma parte mental, de estar fora de casa, desse conforto.”, reconheceu. “Fui ver uma realidade também diferente do que é jogar aqui em Portugal, jogar fora noutra liga, algo muito mais tático, com menos técnica, e que tive de ir adaptando e fui crescendo no resto das ligas mediante também o processo em que eu estava, mediante aquilo que a liga e os clubes ofereciam, também a forma como eu me enfrentava e me adaptava também a isso.”

A experiência italiana ficou, dessa forma, associada a uma aprendizagem de resistência e ajustamento. Foi um dos lugares onde o futebol e a vida lhe exigiram uma resposta simultânea.

Na Alemanha, o avançado encontrou uma estabilidade que considera determinante, sobretudo pela continuidade que teve no Frankfurt.

“Também foi o momento em que estava. Foi o primeiro clube, o Frankfurt, em que estava… em que tive pela primeira vez dois anos seguidos. Nem no FC Porto estive completamente dois anos seguidos.”, sublinhou. “Estive na equipa A desde um ano, assim é verdade, quando no ano anterior estava a entrar. Mas foi a primeira vez que tive num clube dois anos e acho que isso me permitiu uma maior estabilidade e fez com que se calhar o melhor de mim voltasse a sair nessa altura.”

A continuidade aparece como uma peça importante no seu relato. Depois de várias mudanças, ter tempo para se afirmar num mesmo lugar permitiu-lhe recuperar uma versão mais forte do seu jogo.

Em Espanha, André Silva encontrou uma liga que sentiu próxima das suas capacidades, ainda que o percurso tenha sido marcado por oportunidades sem carácter definitivo até ao período no Elche.

“A liga espanhola acho que aos poucos eu fui tendo também uns passinhos e umas oportunidades, não como definitivo. O único momento assim mais estável foi agora no Elche, mas ao longo do meu percurso fui tendo em situações assim um pouco instáveis, mas pronto, e foram também uma liga que acho que as minhas capacidades se assemelham e que eu também desfrutei muito.”

É nesse cruzamento entre afinidade e instabilidade que se fecha o retrato da passagem por Espanha. Um caminho de passos graduais que ajudou a completar o jogador que agora volta ao FC Porto.

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