As melhores coisas que aconteceram com o Grêmio nesta noite
O Grêmio está nas quartas de final da Copa do Brasil. Mais do que isso: volta a uma fase que não alcançava há três temporadas, coloca cerca de R$ 4 milhões no caixa e, principalmente, ganha um respiro num momento em que tudo parecia desmoronar depois da eliminação para o Bolívar.
E é justamente por isso que a classificação precisa ser valorizada.
O jogo começou com vaias para Luís Castro na divulgação da escalação. Terminou com festa na Arena, show de luzes e um torcedor que, pela primeira vez em bastante tempo, saiu do estádio acreditando que talvez exista um caminho para este time.
Não foi uma grande atuação. Longe disso.
Mas, pela primeira vez, começa a parecer que Luís Castro encontrou um modelo de jogo.
A estrutura com linha de quatro, Noriega protegendo a defesa, Vidiaçante e Nardoni no meio, dois pontas e um centroavante dá ao Grêmio algo que faltou durante praticamente toda a temporada: organização. O time continua criando pouco, continua sofrendo ofensivamente, mas deixou de parecer completamente perdido dentro de campo.
Aliás, é curioso como muita gente resume uma melhora à “raça” ou “vontade”. Não é isso. Jogador sempre correu. Sempre percorreu 10, 11 ou até 12 quilômetros por partida. A diferença é que agora existe um time minimamente organizado. Quando cada atleta sabe onde precisa estar, as bolas são recuperadas com mais facilidade e parece que todo mundo está mais ligado. É ajuste tático muito mais do que simplesmente dedicação.
Isso não significa que os problemas acabaram.
O Grêmio sofreu bastante no segundo tempo. O Mirassol terminou com quase 70% de posse de bola na etapa final, empurrou o Tricolor para trás e esteve muito perto de levar a decisão para os pênaltis. O gol anulado gera discussão, mas, na minha visão, foi corretamente invalidado. O toque de mão muda a trajetória da bola e interfere diretamente na jogada.
Ao mesmo tempo, também houve situações favoráveis ao Grêmio durante a partida. Ou seja, arbitragem não explica absolutamente nada do que aconteceu.
Individualmente, algumas respostas começam a aparecer.
Pavón talvez tenha vivido sua melhor noite desde que chegou. Fez um golaço de falta, tirou um peso enorme das costas e mostrou o quanto estava emocionalmente pressionado. É um jogador que sempre entrega dedicação. Agora finalmente conseguiu entregar também o resultado.
Diego Caito merece muitos elogios. Vai deixando de ser apenas uma aposta para se transformar numa solução na lateral direita. Walace também impressiona. Seguro, firme e muito tranquilo para um garoto. Enquanto vários zagueiros experientes oscilaram durante o ano, ele simplesmente entrou e correspondeu.
No meio-campo, Noriega segue dando estabilidade ao setor, enquanto Villasanti talvez seja hoje o principal reforço do Grêmio nesta janela. Faz exatamente aquilo que o time precisava: mobilidade. Algo que Arthur, por características, não entregava.
Do outro lado, alguns sinais preocupam.
Amuzu continua muito abaixo do futebol que já mostrou. Fica difícil não imaginar que toda a situação envolvendo a janela e a permanência no clube tenha mexido com ele. Jovane Cabral entrou e conseguiu produzir mais em poucos minutos do que o titular durante praticamente toda a partida.
Carlos Vinícius também atravessa um momento de queda de rendimento. Continua sendo um jogador importante, mas já são algumas partidas desperdiçando oportunidades e ficando abaixo do nível que havia apresentado anteriormente.
E talvez o caso mais preocupante seja Braithwaite. Desde que voltou da lesão, o atacante ainda não conseguiu sequer se aproximar do futebol que fez dele uma das principais referências ofensivas do Grêmio.
No fim das contas, a classificação não transforma o Grêmio em candidato ao título da Copa do Brasil. Também não apaga a eliminação na Sul-Americana nem resolve automaticamente os problemas do Campeonato Brasileiro.
Mas muda uma coisa importante: devolve confiança.
O Grêmio agora chega às quartas de final, ganha moral para tentar sair da zona de rebaixamento e, principalmente, passa a dar sinais de que finalmente encontrou um jeito de competir. Talvez ainda esteja longe de jogar bonito. Talvez continue tendo muitas limitações. Mas hoje, pela primeira vez em bastante tempo, o torcedor consegue enxergar uma ideia de time.
E, para quem há poucos dias vivia o caos absoluto, isso já representa um enorme avanço.