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·9. Juni 2026

Bap rebate críticas sobre ingressos do Flamengo e defende política de preços

Artikelbild:Bap rebate críticas sobre ingressos do Flamengo e defende política de preços

O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, abriu as portas da sua visão estratégica para o futuro do clube. Entre projeções de transformar o Fla no “Real Madrid das Américas” e a defesa de uma gestão profissional, um ponto sensível volta ao centro do debate: a precificação dos ingressos no Maracanã.

Em entrevista concedida ao jornalista Mauro Cezar Pereira, do UOL, Bap rejeitou as críticas de que os valores praticados afastam parte da torcida e classificou os questionamentos como um debate político.


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“Os setores populares (norte e sul) estão sempre lotados. Então não tem nada a ver com preços populares. Este é um discurso raso e político, nada a ver com o negócio”, afirmou.

O posicionamento surge dias depois de um levantamento divulgado pelo Jornal do Fla mostrar que o Flamengo lidera o ranking de ticket médio do Brasileirão. Segundo os dados, o torcedor rubro-negro paga, em média, R$ 76,85 por ingresso, valor bem superior à média de R$ 52,30 do campeonato.

Na ocasião, o estudo também apontou que o Rubro-Negro acumulou mais de R$ 22 milhões de receita líquida com bilheteria na competição antes da pausa para a Copa do Mundo.

Bap argumentou que o debate sobre preços ignora características específicas do futebol brasileiro. Segundo o presidente, comparações com clubes como River Plate e Real Madrid não levam em consideração fatores como campeonatos estaduais, gratuidades e meias-entradas.

“Ninguém joga 70 partidas ou mais na mesma temporada em nenhum desses exemplos. Nenhum deles disputa campeonatos estaduais com baixo interesse. As amostras não são comparáveis. Temos gratuidades e meias-entradas que prejudicam essas comparações”, disse, antes de completar:

“Ainda assim, somos os maiores em público e renda comparados a qualquer outro clube da América do Sul. Somos o melhor visitante do ponto de vista de vendas de ingressos”, destacou.

Bap admite possibilidade de novos modelos

Apesar da defesa da política atual, Bap revelou que o Flamengo estuda alternativas para setores que apresentam ocupação inferior à capacidade máxima. Ainda que lidere a média de público com folga, o Rubro-Negro disputou partidas com presença abaixo do habitual e buracos na arquibancada do Maracanã.

Números mostram oscilações relevantes conforme o apelo da partida. Contra o Palmeiras, por exemplo, o Maracanã recebeu 71.205 presentes. Já diante do Coritiba, último compromisso antes da paralisação, o público caiu para 51.270 torcedores, encerrando uma série de cinco jogos acima dos 60 mil presentes.

Segundo o mandatário rubro-negro, uma das possibilidades analisadas envolve a inclusão de ingressos em determinados planos de sócio-torcedor. O sistema de ‘check-in‘ presente em programas de outros clubes.

“Incluir ingressos em programas de sócios torcedores é uma possibilidade, mas também uma armadilha. Se todo mundo adquirir, você acaba não tendo mais vendas, criando uma reserva de mercado para alguns sócios. Isto posto, temos analisado esta possibilidade para áreas específicas do estádio que tradicionalmente não lotam.”

O presidente também afirmou que o Flamengo poderia registrar públicos ainda maiores com uma política de preços mais flexível. Segundo Bap, o problema está na impossibilidade de reduzir o valor de ingressos remanescentes sem criar distorções para quem já pagou mais caro pelo mesmo setor.

“Outro desafio: não pode fazer preços diferentes. Em companhias aéreas, não há um único voo em que todos pagam a mesma coisa. Havendo flexibilização, certamente lotaríamos todos os jogos. A obrigação de abaixar preços para todos não é razoável. (…) Faria sentido se o Procon aceitasse que há diferentes realidades entre clientes e que preços diferentes para o mesmo setor seriam naturais e uma realidade de mercado.”

A discussão ocorre em meio a críticas recorrentes de parte da torcida sobre o custo para acompanhar os jogos do Flamengo no Maracanã. Mesmo liderando o Brasileirão em público total e arrecadação, o clube registrou protestos contra os preços dos ingressos ao longo das últimas temporadas.

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