Papo na Colina
·17. Juli 2026
Bomba nos bastidores: Processo de venda da Vasco SAF pode atrasar e ficar para 2027

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·17. Juli 2026

A conclusão da venda de 90% das ações da Vasco SAF para o investidor Marcos Lamacchia corre o sério risco de não acontecer em 2026. A informação bombástica foi revelada pelos jornalistas no podcast ge Vasco, confirmando que os trâmites do leilão judicial na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro e a lentidão na aprovação dos ritos associativos vão arrastar o desfecho do negócio para o primeiro semestre do próximo ano.
Mesmo com o edital estipulando inicialmente o prazo de transição para setembro, o calendário foi esticado pela necessidade de pareceres do Ministério Público e da assembleia de credores da Recuperação Judicial. A diretoria precisará gerir as finanças com extrema cautela, visto que o clube gasta R$ 800 milhões anuais e arrecada R$ 500 milhões, gerando um déficit crônico de R$ 300 milhões que precisará ser sustentado sem o aporte imediato dos bilhões da empresa Almirante Participações, criada por Lamacchia para o negócio.
Para sustentar o futebol profissional e fechar com reforços para a luta contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro sem o aporte imediato do bilionário, o planejamento de mercado foca em empréstimos com obrigação de compra parcelada para o futuro.
Essa estratégia foi adotada diretamente na arrastada troca de e-mails com o Real Betis para trazer o volante colombiano Deossa, cujos compromissos financeiros em dólares serão empurrados para as próximas temporadas, quando os créditos da Almirante Participações estiverem liberados na Vasco SAF.
Em apuração detalhada no programa, o jornalista Raphael Zarko trouxe o que foi dito diretamente pelo advogado André Sica, representante de Lamacchia, sobre os motivos que impedem a finalização do acordo contratual em 2026:
“Ele diz que acha que o processo só não vai se concluir esse ano, que para justificar que a operação não deve ser concluída nesse ano, tem toda essa questão de concluir a negociação e o processo de leilão ali, depois tem toda essa questão envolvendo a agência reguladora e tudo mais, por fim tem toda a questão da assembleia e dos conselhos do Vasco precisam aprovar. Existe agora aquele processo que é de fechar o acordo de investimento, tá assinados, não é um MOU como todo mundo falava que era memorando de entendimento, é um acordo de investimento com as condicionantes que são passar pelo processo da recuperação, aprovação da recuperação judicial, passar pelos ritos internos do Vasco.”
A apuração detalhou ainda que o grupo comprador está totalmente ciente das barreiras que estão sendo impostas por rivais do Vasco e credores no mercado. De acordo com as informações obtidas com o representante legal de Marcos Lamacchia, o planejamento financeiro prevê que o investidor assumirá o compromisso contratual de cobrir o rombo operacional nos primeiros cinco anos de gestão, herdando um passivo tributário e cível bilionário nas instâncias cíveis, além de destinar R$ 500 milhões exclusivos para contratações de atletas e R$ 120 milhões para o centro de treinamento do Cruz-Maltino.
As declarações obtidas em entrevista exclusiva com o advogado André Sica comprovam a blindagem de Lamacchia para cumprir de forma restrita as exigências e garantir a aprovação da agência reguladora da CBF:
“Vai fazer por todo, vai seguir restritamente todo o cronograma contra conflito de interesses. Ele diz que nem a agência reguladora, nem a questão com a 777 são a preocupação assim pra negociação. Sobre o possível conflito de interesses, enfim, essas acusações aí até do Flamengo e do BAP, ele diz que primeiro a negociação tem que ser concretizada, depois vê se há o esse conflito de interesse. Esse conflito de interesses, caso seja comprovado aí pela agência reguladora e tal, ele só vai durar um ano e meio, então por isso que não gera uma preocupação para eles, que esse conflito só duraria esse tempo e o Vasco nesse período faria o que for necessário aí para a CBF ou para a agência para resolver essa questão.”

Marcos Lamacchia não teme movimentos de rivais e credores – Foto: Reprodução
As pendências corporativas com a antiga dona do futebol carioca também foram dissecadas na mesa de debates como um fator de atraso. A revelação é de que a holding americana possui um passivo gigantesco que inviabiliza os valores estipulando no contrato anterior, forçando uma repactuação judicial por fora das canetas do Tribunal de Justiça, de modo que o controle acionário só mude de mãos após a quitação total dos credores da Vasco SAF.
O setorista Bruno Murito complementou a discussão detalhando como a diretoria do Vasco pretende costurar a saída definitiva dos antigos parceiros estrangeiros:
“Na questão da 777 ele diz que o Vasco vai resolver com uma negociação entre Vasco, 777 ou através de uma negociação por outros profissionais contratados pelo Marcos ou até pela própria justiça, assim que em qualquer uma dessas três contas vai ser resolvido o problema da 777. E eles acham que não tem esse valor mais porque eles compraram 310 mas fizeram uma dívida enorme de, sei lá, 1 bilhão, então é possivelmente essa negociação vai passar por um acerto por um valor menor.”
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