Clube Atlético Mineiro
·16. März 2026
Coletiva de imprensa com o CSO Paulo Bracks (16/3)

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·16. März 2026

O CSO do Atlético, Paulo Bracks, concedeu entrevista coletiva de imprensa na tarde desta segunda-feira, 16 de março, na Arena MRV. O executivo de futebol da SAF do Galo falou sobre o início de temporada 2026, o planejamento no departamento, o momento de aumentar a confiança e o rendimento da equipe na busca por melhores resultados no Campeonato Brasileiro.
O Galo terá um importante compromisso nesta quarta-feira, em casa, diante do São Paulo, pela sétima rodada da competição. É a chance de dar uma resposta diante do tropeço contra o Vitória no fim de semana. Paulo Bracks, antes de abrir para perguntas, iniciou com um pronunciamento:
“Depois da minha última coletiva, no início de janeiro, acho que a análise do momento que estamos passando é necessária. Janeiro, março, e projeção março-dezembro. Tivemos troca de comando técnico, o vice-campeonato mineiro e, agora, início do Brasileiro, com seis rodadas. Ainda não começaram a Copa do Brasil e da Sudamericana. Acho que é um momento relevante para analisar o futebol, como está hoje o Clube, entendendo, respeitando e concordando com a insatisfação do torcedor.
O torcedor do Atlético está puto e nós também estamos insatisfeitos e venho aqui falar sobre isso com vocês hoje”.
Confira a transcrição da entrevista com Paulo Bracks
Pergunta: Queria que você falasse sobre a insatisfação do torcedor com os reforços. Foram gastos nas últimas janelas algo na casa de R$ 200 milhões. 18 jogadores contratados e pouquíssimos rendendo o que se espera que esses jogadores rendam. Sendo que muitos deles não tem aquela alma que o torcedor do Galo gosta. O que o Atlético pretende fazer daqui para frente?
Paulo Bracks: Essa primeira janela do ano, de 2026, participei 100%. Fizemos sete movimentações. Disso, temos três atletas que são titulares, digamos assim – Renan Lodi, Maycon e Victor Hugo são titulares. O último que chegou da janela foi o Tomás Perez, que estreou na última partida, avaliado positivamente por alguns de vocês. Os outros três atletas foram de investimento: Preciado, Minda e Cassierra. Esses atletas, e não é coincidência serem os brasileiros e não os estrangeiros como titulares. Esses atletas (estrangeiros) vão requerer um tempo de adaptação ao futebol brasileiro, ao calendário, modelo de jogo, ao treinador. É natural e já aconteceu em outros momentos não só no Atlético, mas outros atletas em outros clubes. Jogador como Flaco López no Palmeiras, Jhon Arias no Fluminense. Exemplos de atletas que demoraram a apresentar o futebol.
Acreditamos muito nesses atletas. Hoje, temos no elenco, cerca de seis, sete jogadores selecionáveis, sendo que Preciado e Minda são dois desses. Acreditamos muito nesses jogadores.
A insatisfação do torcedor não é necessariamente nos reforços, até porque temos pouco tempo de análise. Mas é nos resultados. O resultado acaba balizando confiança, não só do torcedor, mas do grupo. O nosso trabalho é de injetar confiança, cobrar atitude e cobrar do nosso elenco – que tem qualidade – uma melhor atitude. E de todos nós, não só jogadores. O pedido que fiz para o Eduardo Domínguez na coletiva de apresentação dele, eu mantenho: ter um time com mais alma e identidade com a torcida do Atlético, que eu conheço bastante.
A janela foi elogiada pela maioria de vocês aqui, a maioria da torcida. É trabalhar para fazer esses jogadores performarem em alta.
Pergunta: Nos dois últimos anos, o Atlético disputou para fugir do rebaixamento do Brasileiro. Nesse momento, o Galo segue na parte de baixo da tabela. Esse elenco do Atlético, que é apontado por muitos para disputar lá em cima, a realidade é outra. O Atlético vai mesmo disputar na parte de baixo? Ou vai ter que mexer muito no elenco, no meio do ano?
Paulo Bracks: A gente ouve muito as perspectivas do ano, qual vai ser essa baliza, se para cima ou para baixo. Vamos dizer que o Atlético brigou para não cair nos dois anos – 2024 e 2025. Mas eu não ouço que o Atlético brigou para ser campeão. Isso eu não ouço que o Atlético foi finalista da Libertadores, da Copa do Brasil e da Sul-Americana. E levam sempre para que a gente esteja próximo do inferno, ninguém leva para próximo do céu. Nós caímos? Não. Fomos campeões? Também não. É preciso fazer uma análise equilibrada diante do positivo e negativo desses dois últimos anos, e aplicar nesse que está começando. Fomos campeões mineiros em 2024 e 2025. Fizemos o Campeonato Mineiro com desempenho ruim em desempenho. Apesar que a gente perdeu um jogo só, na final, e a bola nem balançou a rede. Entendemos que foi um Mineiro ruim e começamos o Brasileiro ruim também. A gente faz uma troca de comando técnico não só pela sequência de resultados. Nos últimos 20 jogos, ou se pegar o pacote completo do período do treinador anterior, a gente quase empatou 50% dos jogos. E quando você empata 50% dos jogos, você tem aproveitamento baixo, que é 33%. Começamos o ano da mesma forma, empatando muito.
Nosso objetivo é brigar na parte de cima, por isso tivemos que fazer intervenção no comando técnico. Não só o Atlético, mas são seis rodadas do Brasileiro e seis trocas de treinadores de clubes grandes. Acreditamos no trabalho da nova comissão técnica, que fez quatro jogos. Que a gente, com o elenco que temos e o elenco que teremos na janela de meio do ano, com intervenções com a nova comissão técnica, a gente não vai passar por isso de novo. Vamos figurar na parte de cima da tabela, onde é o nosso investimento, a qualidade de elenco, comissão técnica e do clube como um todo.
Estamos muito insatisfeitos com esse início de ano, estamos em março. Mas eu acredito muito que a gente vai conseguir virar essa chave, fazer o trabalho engrenar e ter resultados melhores dentro e fora de campo.

Pergunta: Na temporada 2025, o Atlético ‘flopou’ nas competições seguintes: Brasileiro, Copa do Brasil e Copa Sudamericana. Você disse que algumas contratações que você fez darão liga ainda, precisarão de tempo. Você dispensou ou negociou 13 jogadores, e trouxe apenas 7. Desses 7, apenas três são titulares. Não há erro de planejamento nisso? Sendo que o Atlético era pouco regular em 2025, não disputou na cabeça nenhum dos títulos de real importância? Quero entender como um planejamento pode ser certo se são jogadores para o futuro e os jogadores para resolver não chegaram nas posições mais carentes da equipe?
Paulo Bracks: Eu não falei que os jogadores não estão prontos. Não falei isso. Não falei que o planejamento está correto, isso não saiu da minha boca. Está na sua pergunta. Esses atletas estrangeiros vão exigir um pouco mais de tempo do que os atletas nacionais. Por conhecimento do elenco, do campeonato, do calendário. E a maioria dos atletas estrangeiros passam por esse período de adaptação. São jogadores para agora. O Cassierra foi titular em um jogo. E no último jogo, ele só não foi titular porque tinha contusão no pé, tratou a semana inteira e quase não viaja. O Minda não foi titular ainda. São jogadores que a gente acredita que irão dar resultado, futebol é resultado de quarta e domingo, não são jogadores para o futuro.
As 14 saídas que a gente entendeu que deveria fazer, junto com os tomadores de decisões do Clube. E é importante falar que eu sou o líder do processo, mas as decisões são compartilhadas, com os acionistas, o CEO do Clube, o CIGA, e a comissão técnica. As saídas fizeram uma oxigenação no elenco. E somado aos sete reforços desse ano e mais atletas da base – eu preciso falar da base – a gente entende que reformulamos o elenco. Essa reformulação do elenco ainda não deu o resultado que a gente queria. Significa que a gente está projetando o elenco para o segundo semestre? Não. Estamos projetando para agora, para a partida de quarta, de sábado. O futebol não vai esperar. A gente não tem paciência para esperar resultado, mas temos que ter convicção nos movimentos.
Eu creio que não se faz uma reformulação completa em uma janela só, vamos ter o complemento na janela do meio do ano. Entendemos as posições de lacuna, todo clube tem, o líder do Campeonato Brasileiro tem, assim como o atual campeão. Temos lacunas e ainda vamos ter lacunas. É impossível você completar todos os setores e fazer com que todos eles atuem de igual maneira. As posições tidas como carentes, podemos até concordar. Mas é um contexto de montagem de elenco que faz a gente entender se estamos no caminho adequado ou não. E também com comissão técnica. Eu acredito na troca da comissão técnica e na potencialização de jogadores que chegaram agora e que estavam aqui para termos resultados melhores.
Creio muito que tomamos a decisão certa de troca de comando, por tudo que circundava, e por tudo que a gente projeta. O elenco não está fechado e não vamos fazer reformulação completa dentro da uma janela só. Dentro da limitação financeira que o Clube tem, e cumprindo os orçamentos, que são as diretrizes que eu tenho aqui dentro.
Pergunta: Sobre as atuais projeções do Atlético na atual temporada, quais são em cada competição? Depois da derrota no Campeonato Mineiro, houve mudança de rota no planejamento?
Paulo Bracks: O Brasileiro tem que ser prioridade do Atlético neste ano. A gente não pode deixar de priorizar nenhuma das outras competições, precisamos entrar para tentar ganhar, apesar da dificuldade da Copa do Brasil. Mas na Copa Sudamericana, vocês mesmos disseram que chegamos aos trancos e barrancos na final. Queremos chegar na final outra vez. A Sudamericana tem que ser uma obsessão para o Atlético esse ano. Pelo tanto que foi doído aquele 22 de novembro. Dói muito, e em mim dói duplamente como diretor e torcedor. Mas precisamos priorizar o Brasileiro. O que aconteceu em 2024 e 2025 não pode acontecer de novo e não vai acontecer de novo. Temos elenco suficiente para brigar em todas as competições. O elenco, como eu disse, não está fechado, faremos movimentos do meio do ano, saídas e entradas, já alinhado com o novo treinador e comissão técnica, dentro das diretrizes do Clube. Mas o Brasileiro é a nossa prioridade, não posso deixar de afirmar. Sendo que a nossa prioridade precisa ser o retorno à Libertadores em 2027.
Pergunta: Você chegou ao Clube em janeiro de 2025, e eu queria que você fizesse uma autocrítica sobre o seu trabalho. Você disse de resultados acima do esperado mas há resultados abaixo do esperado.
Paulo Bracks: Eu não falei resultados acima do esperado, mas isso aconteceu na base. No profissional, não. Nesse ano de 2026, eu estou há três meses, 24 horas no dia a dia de CT e vestiário. A minha função em 2025 era de um nível mais superior na pasta executivo de futebol, porque havia um executivo. Hoje, eu sou esse executivo. Minha função mudou. O futebol nosso, como um todo, tem evoluindo na reformulação do elenco, diminuição na média de idade, no aumento de ativos – é importante para o Atlético ter atletas para vender na janela – e isso a gente evoluiu. A gente evoluiu na transição de jogadores da categoria de base para o profissional, na minutagem desses jogadores. No ano passado, quando cheguei, disputamos o começo do Mineiro com um time sub-20 e nenhum jogador teve um minuto no Brasileiro. Nenhum jogador. E esse ano já começamos com atletas ocupando posição razoável de destaque no elenco, temos um zagueiro como Vitão de grande projeção, e entra um pouco no anseio na contratação de zagueiro. Temos o Cissé, que foi titular da final do Mineiro, que infelizmente machucou mas já vai voltar. É um jogador que vai ser convocado pela seleção de Guiné. Isso é muito importante para nós. A gente quer ganhar o jogo de quarta, mas temos que trabalhar e batalhar pelo médio e futuro prazo. O Cissé ser convocado nos mostra caminhos. O Cauã Soares é um jogador de muita projeção como centroavante. O Índio, que infelizmente teve lesão. Esses atletas mostram caminhos positivos.
Pelo lado financeiro, o Atlético tem herança terrível financeira. Estamos conseguindo estancar, controlar, no trabalho específico, do diretor financeiro, do CEO, dos acionistas. O clube está mais saudável do que antes. Em termos de resultados, 2025 não foi bom. Se a gente tivesse vencido a Sudamericana em um lance, no segundo tempo da prorrogação, a análise poderia ser diferente. O futebol é vulnerável em termos de resultado. Por isso fizemos uma reformulação no elenco. Tivemos 14 saídas relevantes. Falei de 14, mas foram mais saídas, são 35 movimentos entre saídas, entradas e subidas de atletas da base. Entendo que o Atlético está mais controlado financeiramente. E dentro do CT. Não vi repercussão das mudanças no CT do final do ano para início do ano. Foram mais de 15 desligamentos, mudanças de processos, estruturais. Há isso no profissional e na base. Mas isso não faz ganhar jogo? Faz o clube ser mais sustentável para ganhar jogo no médio e longo prazo. A condução do trabalho… Sendo que eu me entrego 24 horas para esse clube, e eu tenho um coração atleticano trabalhando nesse departamento. Acho muito positivo para o Clube ter alguém com essa paixão do torcedor no comando do futebol. Eu quero que isso dê certo pelo lado profissional e o lado pessoal.
Pergunta: E o lado negativo?
Paulo Bracks: Eu falei do lado negativo, falei que não tivemos resultados bons em 2025. E o resultado é o que interessa, ele que reivindica mudanças no futebol. E estamos trabalhando para isso não acontecer. Não queremos ficar na parte de baixo do Brasileiro, não queremos ser eliminados na Copa do Brasil ou perder título da Sudamericana. Ano passado a gente foi campeão mineiro, e esse ano, não. Então, o negativo é o resultado dentro de campo.
Pergunta: O Atlético vem sendo um moedor de técnicos. Veio o Cuca, veio o Sampaoli. A gente não entendeu o que aconteceu na saída do Sampaoli. Agora veio o Domínguez, um pouco nervoso após a coletiva, que causa estranheza. Está acontecendo alguma coisa nos bastidores? Racha de elenco, divergência entre técnico e elenco?
Paulo Bracks: O futebol brasileiro é um moedor de técnicos. Na verdade, o futebol brasileiro é um moedor de gente e está só piorando. Não sei qual o limite para iss. Queremos parar de moer técnico. Queremos estancar essa ciranda de treinador. Nos últimos dois anos, foram cinco treinadores. E cada um com estilo diferente. Um mais vertical, outro mais posicional, outro mais defensivo e reativo. A gente tem que trabalhar muito para dar estabilidade ao treinador. Fazer com que o trabalho seja longevo, sim. Mas a gente vive num momento de pressão no futebol brasileiro. Não gosto de citar outros clubes. O campeão brasileiro e da Libertadores demitiu o seu treinador de uma maneira muito desrespeitosa, por sinal.
Então, a gente precisa aprender com os erros, não manter erros também, porque quando você identifica que há necessidade de mudança de rota no Atlético, você precisa mudar a rota. Não dá para ser omisso. Eu não sou omisso, estou aqui conversando com 50 jornalistas. Era mais fácil eu não estar aqui em um momento ruim. Momento bom as pessoas aparecem em todos os clubes. Tem que ter coragem para vir aqui. E a mudança nossa de um comando para outro não foi pela pressão. A gente entendeu que não teríamos avanços técnicos e de resultados, e de projetos do Clube, sobretudo projeto do Clube, e fomos buscar um treinador que foi difícil a contratação dele. Vi pouca gente explorando isso, como se fosse fácil tirar um treinador que está no quarto ano de projeto lá na Argentina, porque lá há mais estabilidade do que aqui nessa carnificina. De um cara estável, que renovou contrato em janeiro, de trazer ele para cá, alinhamento do clube, pagamento de multa, convencer o treinador que, num índice de performance, nos levou a buscá-lo. Aliado ao DNA do Atlético, que a gente precisa de um treinador que leve o nosso time a ter agressividade com e sem bola. É uma reinvindicação que temos, futebol propositivo e ofensivo. Olhando para trás, o Milito entregou um pouco disso, então, queremos resgatar isso.
Entendo que o momento de pressão é natural quando o resultado chega. O líder do Campeonato Brasileiro há menos de um mês estava em nível de pressão alto, a ponto de o treinador da época falar que o clube ia só tentar escapar do rebaixamento. Hoje, é o líder do Brasileiro, e nosso adversário de quarta. O futebol gira rápido. Não existe nenhum tipo de racha no elenco ou no CT. Há uma insatisfação nossa dos resultados. Eu estava atrás do Domínguez quando ele chutou a água. Ele não chutou para ninguém ver, não jogou para torcida. Ele foi filmado pelo Breno (Galante, jornalista). Mas ele não fez isso para aparecer. Fez um momento de raiva. Se tivesse uma câmera do camarote que eu estava assistindo ao jogo do Vitória, vocês iriam ver o que é raiva. E eu não tenho orgulho disso. A insatisfação tem que ser levada sim, mas temos que levar isso dentro do nosso CT. E tivemos uma conversa muito dura na manhã seguinte ao jogo, porque chegamos de madrugada no CT, dormimos lá. E de manhã, fizemos uma reunião, muito dura. Ali, o Eduardo e a comissão técnica foram duros com o elenco e, ao mesmo tempo, levar a confiança dos jogadores, que ficam de cabeça para baixo. Ninguém está distribuindo sorriso. Estamos insatisfeitos, mas não vai faltar trabalho para mudar esse cenário.

Fotos: Daniela Veiga/Galo
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