Jogada10
·23. Mai 2026
Como foi o Brasil na Copa do Mundo de 1950

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percussaEmbalado pela boa campanha em 1938 e sendo sede pela primeira vez, o Brasil chegou em festa para a disputa da Copa do Mundo de 1950. Porém, a expectativa do título inédito virou um dos maiores pesadelos futebolísticos do país, com a derrota na decisão, dentro do Maracanã, de virada para o Uruguai.
Por conta da Segunda Guerra Mundial, a Fifa cancelou as edições de 1942 e 1946. Neste ano, a entidade realizou um congresso em Luxemburgo para projetar o retorno da competição. Com a Europa devastada pelo conflito, o torneio teria que ser disputado em outro continente. O Brasil, com estrutura avançada por conta da paixão de sua população e o incentivo ao esporte do governo Vargas, se lançou como candidato e foi escolhido de forma unânime.
Inicialmente, a competição seria disputada em 1949. Porém, por conta de um pedido de algumas seleções europeias, o torneio foi adiado para o ano seguinte. Afinal, mesmo com a maioria dos estádios prontos e com o tempo a mais para a preparação, o Brasil ainda enfrentou problemas com a finalização das obras e o adequamento dos espaços para o “Padrão Fifa”. Na época, a entidade exigia arquibancada para 20 mil torcedores, alambrado, túneis ligando os vestiários ao gramado e cabines de imprensa e para autoridades.
A Seleção, comandada por Flávio Castro, vinha embalada pela conquista do Sul-Americano de 1949. Inclusive, os principais nomes da equipe vinham do Vasco, que vivia os tempos do “Expresso da Vitória”, que havia vencido o torneio continental de clubes no ano anterior, com destaque para o atacante Ademir de Menezes.
Por ser país-sede, o Brasil não precisou jogar as Eliminatórias. Ao redor do mundo, 16 seleções garantiram vaga na competição. Porém, Turquia, Escócia e Índia abriram mão de suas vagas. A França chegou a ser convidada, mas desistiu por conta da logística das viagens no torneio. Além disso, Alemanha e Japão foram proibidos de participar por conta da Segunda Guerra. Sendo assim, a Seleção Brasileira se tornaria a única a ter participado das quatro edições do torneio.
Nesta edição, a Fifa alterou o formato, retornando para os grupos. Porém, com a desistência de algumas seleções, algumas chaves ficaram desfalcadas, tendo uma com apenas duas equipes. Outra novidade aconteceu em relação à final. Os quatro primeiros colocados iriam se enfrentar um quadrangular final, não em fase semifinal, igual em 1930.
O Brasil estreou na Copa encarando o México, no Maracanã. Com uma boa atuação, a Seleção conseguiu uma goleada de 4 a 0. Ademir de Menezes aproveitou rebote do goleiro e inaugurou o marcador. No segundo tempo, Jair recebeu passe de Danilo e fez o segundo. Depois, Baltazar subiu mais alto após escanteio cobrado por Ademir para marcar o terceiro. Por fim, Jair deu passe para Ademir de Menezes sacramentar o resultado.
Na segunda rodada, a Seleção encarou a Suíça, no Pacaembu, em São Paulo. Flávio Costa optou por escalar muitos jogadores que atuavam no futebol paulista, para prestigiar o público. Logo no iníco da partida, Ademir de Menezes fez boa jogada e Ademir abriu o marcador. Não demorou muito para os suíços empatarem com Fatton. Porém, ainda no primeiro tempo, Baltazar recebeu passe de Friaça e fez o segundo. Na segunda etapa, o Brasil permaneceu no ataque, mas não conseguiu ampliar o marcador. Os europeus aproveitaram e, nos minutos finais, Fatton apareceu para deixar tudo igual.
Pressionado, o Brasil precisava vencer a Iugoslávia para se classificar. A partida marcava a estreia do craque Zizinho, que havia ficado de fora dos dois primeiros jogo por conta de uma lesão. Logo aos quatro minutos, o meia deu passe para Ademir de Menezes abrir o marcador. No segundo tempo, Zizinho recebeu de Danilo e marcou o seu. Por fim vitória no Maracanã, classificação garantida e muitos elogios iugoslavos, que colocavam a Seleção como uma das favoritas para conquistar o título.

Clima desta terminou na tragédia do Maracanazzo – Foto: Divulgação
Logo no primeiro jogo da fase decisiva, o Brasil deu um show contra a Suécia, que deixou os europeus boquiabertos. Na primeira etapa, Ademir de Menezes recebeu de Jair e marcou o primeiro. Depois, foi Zizinho que atuou como garçom para o atacante marcar o segundo. Depois, Ademir deu a assistência para Chico fazer o terceiro e ir para o intervalo. No segundo tempo, o artilheiro repetiu a parceria com Zizinho e fez o quarto. Ademir ainda marcaria o quinto, com passe de Jair. Os suecos descontaram com Andersson, de pênalti. Porém, a goleada seguiu com gols de Chico e Maneca, que sacramentaram o 7 a 1 no Maracanã.
Na segunda rodada, a adversária era a Espanha, a mais temida do quadrangular. Porém, veio mais um show diante da Fúria. Destaque para Zizinho, que recebeu vários elogios da imprensa internacional. Logo aos 15 minutos, Ademir de Menezes recebeu de Jair para marcar o primeiro. Depois, o atacante serviu Jair, que fez o segundo. Na sequência, Friaça arriscou de fora da área, a bola desviou na defesa e sobrou para Chico fechar o placar da primeira etapa. No começo da segunda etapa, Ademir deu passe para Chico marcar o quarto. Depois, Zizinho serviu o artilheiro da Copa, que marcou o quinto. Depois, o papel se inverteu e o meia anotou o sexto gol brasileiro. Os espanhóis ainda descontaram com Silvestre, mas nada que estragasse a festa no Maracanã, ao som da marchinha “Touradas em Madri”.
O clima de festa era gigante no Rio de Janeiro. O Brasil precisava apenas de um empate contra o Uruguai para conquistar o seu primeiro título mundial. Além disso, a Celeste empatou com a Espanha e teve dificuldades para vencer a Suécia, adversários que a Seleção goleou com facilidade. O Maracanã recebeu um dos maiores públicos da história do futebol: 174 mil pagantes. Porém, a estimativa é que pelo menos 50 mil pessoas entraram sem serem contabilizadas, já que as catracas quebraram. Com isso, o estádio recebeu mais de 200 mil torcedores para a partida que virou uma final.
Após um primeiro tempo tenso e sem gols, o Brasil inaugurou o marcador logo no começo do segundo tempo. Zizinho tocou para Friaça, que recebeu pela direita, invadiu a área e marcou. No lance, o auxiliar chegou a marcar impedimento, ignorado pelo árbitro, para a revolta uruguaia. Inclusive, muitos rojões e bombas estouraram no Maracanã, em um clima que já era de vitória.
Porém, o inesperado aconteceu. Aos 21 minutos, Varela deu passe para Ghiggia, que cruzou na área. Schiaffino errou no chute, mas enganou Barbosa, deixando tudo igual. 13 minutos depois, Ghiggia recebeu pela direita, ganhou de Bigode, saiu na cara do goleiro, que tentou fechar o cruzamento, mas permitiu o chute do uruguaio para marcar o segundo. Virada da Celeste, que conquistava o seu segundo título, enquanto os brasileiros transformavam o palco de festas em um silêncio, com muitas lágrimas no apito final.
Na época, muitas críticas foram direcionadas ao goleiro Barbosa. O trauma da derrota fez com que a Seleção Brasileira abandonasse a cor branca em sua camisa e passasse a usar a amarela. Naquela edição, Ademir de Menezes terminou como artilheiro, com nove gols. Inclusive, até hoje, o atacante é o brasileiro com mais gols em uma edição do torneio.
Goleiros: Barbosa – Vasco Castilho – Fluminense
Zagueiros: Augusto – Vasco Bigode – Flamengo Ely – Vasco Juvenal – Flamengo Nena – Internacional Nilton Santos – Botafogo
Meias: Alfredo – Vasco Bauer – São Paulo Danilo – Vasco Noronha – São Paulo Rui – São Paulo Zizinho – Bangu
Atacantes: Adãozinho – Internacional Ademir de Menezes – Vasco Baltazar – Corinthians Chico – Vasco Friaça – São Paulo Jair – Palmeiras Maneca – Vasco Rodrigues – Fluminense
Campeão: Uruguai Vice-campeão: Brasil Final: Brasil 1 x 2 Uruguai Artilheiro: Ademir de Menezes (Brasil) – nove gols Colocação do Brasil: 2º lugar Resultados do Brasil: Brasil 4 x 0 México | Brasil 2 x 2 Suíça | Brasil 2 x 0 Iugoslávia | Brasil 7 x 1 Suécia | Brasil 6 x 1 Espanha | Brasil 1 x 2 Uruguai


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