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·10. März 2026

Confusão no Conselho do Corinthians encerra sessão e reforma estatutária segue para Assembleia Geral

Artikelbild:Confusão no Conselho do Corinthians encerra sessão e reforma estatutária segue para Assembleia Geral
  1. Por Henrique Vigliotti e Larissa Beppler | Redação da Central do Timão

A reunião do Conselho Deliberativo do Corinthians destinada à votação da reforma do Estatuto terminou em tumulto no Parque São Jorge, na noite desta segunda-feira (9), e foi encerrada pelo presidente do órgão sem que as propostas fossem analisadas. Com isso, o texto seguirá diretamente para a Assembleia Geral de sócios do clube.

Romeu Tuma Júnior abriu a sessão concedendo a palavra ao presidente Osmar Stabile, que iniciou uma série de acusações contra o presidente do Conselho. O mandatário do Corinthians afirmou haver uma “interferência agressiva” na gestão por parte de Tuma, citando o envio de dezenas de ofícios semanais e supostos vazamentos propositais à imprensa.


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Foto: Henrique Vigliotti/Central do Timão

Vou trazer uma situação difícil, mas tenho que colocar no Conselho, ao invés de colocar na imprensa. A gente tem passado por uma situação difícil na administração por interferência constante do presidente do Conselho Deliberativo. Ele tenta, a todo momento, interferir na gestão“, afirmou Stabile.

O presidente também afirmou ter sido alvo de uma ameaça direta de Tuma durante um jantar ocorrido na última sexta-feira. Segundo ele, o dirigente teria dito: “Ou você faz o que eu quero, ou eu vou te f…”

Pedro Luis Soares, que atualmente ocupa o cargo de diretor de Negócios Jurídicos do clube, utilizou o púlpito a convite de Stabile para relatar aos conselheiros a versão do episódio, alinhando-se ao relato apresentado por Osmar. Segundo informou, o fato teria ocorrido durante um jantar informal realizado no Parque São Jorge.

Tuma, então, acusou a atual gestão de ter recontratado Aldair Borges, segurança citado em depoimentos prestados à Polícia Civil por supostamente permitir a invasão de torcedores no Parque São Jorge, em janeiro de 2025, conforme reportado pelo UOL nesta segunda-feira. Na ocasião, houve grande tumulto após a suspensão da reunião do Conselho que votaria o impeachment do então presidente Augusto Melo. O presidente do CD acrescentou que levaria o caso à imprensa caso Stabile não adotasse alguma providência.

Não posso administrar o Corinthians com pessoas me tratando dessa forma. É muito lamentável. Eu tenho testemunha aqui, além de outras interferências. Fora isso, tenho esses documentos enviados constantemente, toda semana, solicitando informações sobre as decisões que estou tomando. Eu tomo decisões da melhor forma para o Corinthians. Quero dizer o seguinte: a interferência é constante”, reiterou Stabile.

Quem administra o Corinthians é o presidente. Você [Tuma] não tem que saber de tudo o que acontece. Não aceito essa interferência, ter que responder sempre a 30, 40, 50 pontos. Não posso aceitar isso, gente. Estamos tocando o Corinthians da melhor forma que podemos, com o apoio de todos vocês, e não posso aceitar esse tipo de interferência”, continuou o mandatário.

Ele se envolveu no Ministério Público. O próprio Ministério Público disse que quem administra o Corinthians é o presidente Osmar Stabile, e não você, presidente do Conselho Deliberativo. O próprio Ministério Público disse isso. Não posso aceitar. O presidente do Conselho quer gerir o Corinthians. Não vamos aceitar. Não posso aceitar e não aceito”, concluiu o presidente, sob aplausos no plenário.

Romeu Tuma Júnior classificou os relatos de Stabile como “fábulas” e “invenções”, afirmando que sua atuação se limita ao exercício de uma fiscalização rigorosa diante de problemas graves no clube.

Após a fala de Osmar Stabile, Tuma foi interpelado por alguns conselheiros, entre eles Hailton do Santos Cunha, Rubens Gomes, Alexandre Husni e Jorge Kalil, que também dirigiram acusações ao presidente do Conselho. Diante da confusão generalizada no plenário, o dirigente decidiu encerrar a reunião.

Tuma encerrou a sessão informando que invocaria o artigo 45 do atual Estatuto do Corinthians e encaminharia o texto da reforma diretamente à Assembleia Geral para votação dos associados.

O debate em torno da reforma estatutária se acirrou na última semana após manifestação do Conselho de Orientação (CORI) do Corinthians. O órgão recomendou que o Conselho Deliberativo realizasse uma votação parcial do projeto, priorizando apenas temas considerados mais urgentes e tomando como base o estatuto atualmente em vigor. A recomendação provocou reações imediatas de diferentes setores do clube, incluindo coletivos como o Voz Corinthiana, que atribuiu a recomendação ao fato de Tuma ter aceitado fazer a votação no Conselho de forma aberta e nominal.

O que diz o artigo 45 do Estatuto

O artigo 45 do Estatuto do Corinthians trata das hipóteses em que a Assembleia Geral de sócios deve se reunir e das competências que pode exercer nessas reuniões. Ele estabelece duas modalidades de convocação: ordinária e extraordinária.

O inciso II prevê que a Assembleia Geral pode ser convocada extraordinariamente, a qualquer momento, para aprovar a alteração do Estatuto, desde que o Conselho Deliberativo tenha reconhecido previamente a necessidade da mudança. Essa condição foi cumprida em reunião realizada em 24 de novembro de 2025, quando o CD aprovou, por unanimidade, a necessidade de alteração estatutária.

Não há, no Estatuto, dispositivo que determine que o Conselho Deliberativo precise aprovar previamente o texto da reforma antes de sua apreciação pela Assembleia Geral. Assim, cabe ao presidente do Conselho Deliberativo convocar a Assembleia Geral nos próximos dias, respeitando o prazo estatutário de convocação, para que os associados deliberem sobre a proposta de reforma.

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