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·2. März 2026

Corinthians recua de venda de André ao Milan e caso pode ter desdobramentos jurídicos na Fifa; entenda

Artikelbild:Corinthians recua de venda de André ao Milan e caso pode ter desdobramentos jurídicos na Fifa; entenda
  1. Por Henrique Vigliotti e Larissa Beppler | Redação da Central do Timão

O presidente do Corinthians Osmar Stabile decidiu não assinar o contrato de transferência do volante André para o Milan. A negociação previa a venda de 70% dos direitos econômicos do jogador por 17 milhões de euros (cerca de R$ 103 milhões), mas o dirigente entende que o valor não reflete o potencial de valorização do atleta revelado nas categorias de base do clube.

A decisão, que pode ter consequências jurídicas, ocorreu no dia seguinte à divulgação do acordo, tratado como encaminhado tanto pelo estafe do jogador quanto por interlocutores do clube alvinegro. Faltava apenas a assinatura do mandatário corinthiano para formalizar a operação.


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Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians

Segundo informações publicadas pelo ge.globo, Stabile foi informado dos detalhes financeiros da proposta e avaliou que os valores não refletem o potencial de valorização do meio-campista. Diante disso, o presidente decidiu não validar a transferência. A tendência é que ele comunique oficialmente sua decisão em reunião prevista para esta segunda-feira (2).

A negociação ganhou novos contornos após a eliminação do Corinthians no Campeonato Paulista diante do Novorizontino. Em entrevista coletiva após a partida, o técnico Dorival Júnior criticou publicamente a possibilidade de venda e defendeu a permanência do jogador.

De acordo com o jornalista André Hernan, o técnico chegou a conversar com dirigentes corinthianos ainda no vestiário e citou como exemplo o caso do zagueiro Lucas Beraldo. Em 2023, quando ainda comandava o São Paulo, Dorival teria pedido para que o clube não vendesse o defensor por 12 milhões de euros. Após a conquista da Copa do Brasil, o defensor acabou negociado com o Paris Saint‑Germain por cerca de 20 milhões de euros.

A possível saída de André também provocou repercussão negativa entre torcedores. Diante disso, o executivo de futebol Marcelo Paz afirmou que o negócio ainda não estava fechado, pois dependia da decisão final do presidente, embora tenha ressaltado que o clube precisa realizar vendas para equilibrar as finanças.

Estafe do jogador sustenta acordo fechado

A versão apresentada pelo estafe de André, no entanto, difere da adotada pelo clube. De acordo com representantes do atleta, a negociação estaria praticamente concluída, uma vez que minutas contratuais foram trocadas e assinadas por quase todos os envolvidos, restando apenas a formalização por parte do presidente do Corinthians.

Na interpretação do estafe, o documento firmado configuraria uma proposta vinculante (binding offer) e, caso o Corinthians desista oficialmente da transferência, o Milan poderia recorrer à Fifa alegando quebra unilateral de contrato, o que abriria espaço para uma disputa jurídica.

Por sua vez, o Corinthians não teme qualquer movimentação do Milan na Fifa. O clube ainda não se manifestou oficialmente sobre o assunto, mas o entendimento interno é de que não houve assinatura do presidente no acordo nem liberação formal do atleta, o que, na visão da diretoria, descaracterizaria a conclusão da negociação.

Especialista vê risco jurídico

Para compreender o caso, a Central do Timão ouviu um especialista em Direito Desportivo, que avalia que o clube alvinegro pode enfrentar riscos caso tenha havido aceitação formal dos termos da negociação. Segundo ele, no âmbito jurídico da Fifa, a manifestação de concordância com valores e condições, inclusive por e-mail, pode ser suficiente para caracterizar um compromisso entre as partes.

Se o Milan possui os e-mails com o ‘de acordo’ e a minuta final, o Corinthians corre risco real na Fifa. No Direito aplicado pela entidade, a manifestação de vontade costuma ter peso maior que a assinatura formal. A ausência da assinatura do presidente pode ser interpretada apenas como uma formalidade interna”, explica.

Nesse contexto, a desistência poderia ser interpretada como quebra unilateral de contrato (breach of contract). Ainda assim, isso não significaria necessariamente a obrigação de concluir a transferência, mas abriria caminho para um pedido de indenização do Milan por perdas e danos no Tribunal do Futebol da Fifa.

Casos semelhantes já ocorreram no futebol

O especialista lembra que disputas desse tipo já ocorreram recentemente no futebol internacional. Um exemplo envolveu o técnico do Palmeiras Abel Ferreira. Em 2023, o Al Sadd, do Qatar, acionou o treinador na Fifa alegando que havia um documento vinculante que previa sua ida ao clube asiático.

O português decidiu permanecer no Palmeiras, e o time qatari buscou uma compensação de 5 milhões de euros na entidade. A disputa acabou encerrada por meio de um acordo envolvendo a negociação do atacante Giovani, no qual o Palmeiras abriu mão de receber valores adicionais ligados a metas da transferência do jogador ao Al Sadd.

Outro caso que ganhou repercussão internacional ocorreu em 2018 e envolveu o ponta-direita Malcom, revelado pelo Corinthians. Na ocasião, o jogador pertencia ao Bordeaux e já havia sido anunciado como reforço da Roma. O atleta, inclusive, se preparava para embarcar rumo à Itália para realizar exames médicos. No entanto, o Barcelona interveio nas horas finais da negociação e oficializou a contratação do brasileiro no dia seguinte.

Após o desfecho inesperado, o então diretor esportivo da Roma Ramón Rodríguez Verdejo afirmou que o clube italiano desistiu da operação depois que o Bordeaux e o estafe do jogador transformaram a negociação em um leilão. O clube chegou a cogitar uma ação judicial, mas posteriormente decidiu não levar o caso adiante.

Detalhes da proposta italiana

A proposta apresentada pelo Milan pelos 70% dos direitos econômicos de André pertencentes ao Corinthians prevê o pagamento de 15 milhões de euros fixos (cerca de R$ 91 milhões) mais 2 milhões de euros em bônus.

Essas metas estariam condicionadas à participação do volante em ao menos 20 partidas com 45 minutos em campo antes da paralisação do calendário para a disputa da Copa do Mundo. O Corinthians também manteria 20% de participação em uma futura venda do jogador.

Recentemente, o Timão renovou o contrato de André até dezembro de 2029. A multa rescisória está estipulada em R$ 112 milhões para o mercado nacional e 100 milhões de euros para transferências internacionais. Além do Milan, o volante já despertou interesse de outros clubes italianos, como Juventus e Inter de Milão, que realizaram sondagens em momentos anteriores.

Diante do recuo do presidente corinthiano, o futuro da negociação permanece incerto. O clube ainda pode tentar renegociar os termos com o Milan ou, caso confirme a desistência, enfrentar uma possível disputa jurídica na Fifa.

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