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·23. Juli 2026

Cruzeiro vence o Inter no Beira-Rio e manda um recado: candidato não pede licença

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Durante semanas, muita gente tratou a retomada do Campeonato Brasileiro como se fosse um recomeço cheio de armadilhas para o Cruzeiro. O primeiro desafio? Apenas enfrentar o Internacional no Beira-Rio, um dos estádios mais difíceis do país. Nada demais, não é?

Pois o Cruzeiro respondeu da melhor forma possível: venceu por 2 a 1, mostrou personalidade e voltou para Belo Horizonte com três pontos que valem muito mais do que a tabela. Valem confiança, moral e a certeza de que este time continua brigando na parte de cima.


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O início foi intenso. O Internacional tentou sufocar a saída de bola celeste com uma marcação agressiva, pressionando desde os primeiros minutos. A estratégia parecia promissora, até que o Cruzeiro resolveu jogar futebol. Antes dos cinco minutos, Gabriel Pec, Kaio Jorge e Matheus Pereira já haviam criado três oportunidades claras, mostrando que pressão alta também deixa espaços para quem sabe ocupar o campo.

O primeiro gol nasceu justamente dessa competência. Fagner encontrou Kaio Jorge com um belo lançamento, e o atacante fez o que centroavante vive para fazer: colocar a bola na rede.

Depois disso, veio o defeito que insiste em acompanhar o Cruzeiro. O time recuou mais do que precisava, chamou o Internacional para o seu campo e passou a viver perigosamente. Houve bola na trave — ainda que o lance tenha sido invalidado —, falhas defensivas corrigidas por Jonathan Jesus e até um susto provocado pelo goleiro Otávio, salvo pela própria defesa. Era um roteiro que poderia custar caro.

Na volta do intervalo, porém, a partida mudou completamente. A entrada violentíssima de Vitor em Gabriel Pec resultou em expulsão incontestável. Nem o mais apaixonado colorado conseguiria defender o lance. O prejuízo para o Cruzeiro, entretanto, foi além do cartão vermelho: exames confirmaram uma fratura em Gabriel Pec, consequência da entrada criminosa do defensor colorado. Com um jogador a mais, o Cruzeiro encontrou os espaços que faltavam.

E foi então que apareceu Matheus Pereira.

Em uma jogada de quem decide partidas grandes, limpou a marcação com categoria e finalizou de direita para ampliar. Um gol que mistura técnica, personalidade e tranquilidade. Características que fazem diferença quando o jogo pesa.

O Internacional ainda diminuiu com Carbonero, mas a impressão era outra. Diferentemente da primeira etapa, quem criou as melhores oportunidades foi justamente o Cruzeiro, que poderia ter ampliado se tivesse um pouco mais de precisão nas conclusões.

E aí está o principal alerta. A vitória foi enorme, mas também deixou claro que este time ainda precisa evoluir. Contra adversários de alto nível, desperdiçar tantas oportunidades ou passar tantos minutos acuado pode custar caro. A dificuldade para escapar de marcações intensas na saída de bola ainda precisa ser melhor trabalhada.

Nada disso, entretanto, diminui o tamanho do resultado.

Ganhar do Internacional no Beira-Rio nunca foi tarefa simples. Alguns fazem parecer que vencer fora de casa um dos elencos mais qualificados do país é obrigação. Curiosamente, os mesmos costumam encontrar mil explicações quando seus próprios favoritos tropeçam em desafios bem menores.

O Cruzeiro não fez um jogo perfeito. Fez algo mais importante: um jogo de time competitivo.

E é exatamente isso que candidatos ao título fazem. Nem sempre encantam durante 90 minutos. Mas encontram maneiras de vencer.

Agora, a régua continua alta. Antes de pensar no Flamengo pela Libertadores, o Cruzeiro terá uma sequência de compromissos que exigirá o mesmo nível de concentração: Botafogo e Coritiba, pelo Campeonato Brasileiro, os dois confrontos contra a Chapecoense pela Copa do Brasil, depois o Mirassol, novamente pelo Brasileirão, e só então o aguardado duelo continental contra o Flamengo.

Mas, depois do que aconteceu no Beira-Rio, o Cruzeiro também tem o direito de olhar para frente sem abaixar a cabeça. Porque quem vence o Internacional em Porto Alegre não entra em competição para participar.

Entra para disputar.

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