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·22. Mai 2026
De Lisboa a Oslo: Kika Nazareth à porta da final que lhe escapou há um ano

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·22. Mai 2026

Há um ano, o futebol parecia ter pregado uma partida cruel a Francisca Nazareth. A final da Liga dos Campeões chegava a Lisboa, à cidade onde cresceu e aprendeu a amar o jogo, poucos meses depois da mudança para o Barcelona, mas ficou condenada ao papel de espectadora.
Lesionada no tornozelo, após um duro lance diante do Real Madrid, a internacional portuguesa viu escapar-lhe a possibilidade de ajudar dentro de campo naquele que descreveu como um cenário quase impossível de imaginar.
«Estava muito entusiasmada. Tinha acabado de assinar pela melhor equipa do mundo e a final ia ser em Lisboa, na minha cidade. Nem sabia que a final ia ser em Lisboa. Quando soubemos… foi uma loucura», recordou então, numa entrevista à Queenzine da UEFA, à margem da decisão.
A lusa acompanhou a decisão da bancada e do banco, entre o orgulho e a frustração. Um momento agridoce para quem regressava a casa vestida de blaugrana, mas sem poder transformar o sonho em ação.
Doze meses quase exatos depois, o cenário é outro. Em Oslo, frente ao OL Lyonnes, Kika surge novamente às portas da história, mas, desta vez, disponível e integrada numa equipa que procura voltar a conquistar a Europa.
Se for utilizada pelo FC Barcelona e o emblema catalão vencer a competição, a média ofensiva tornar-se-á apenas a segunda portuguesa a vencer a Liga dos Campeões, depois de Jéssica Silva em 2019/20.
Um marco que espelha não só o percurso individual da jogadora, mas também o crescimento do futebol feminino português que a própria tem acompanhado de perto.
«Há cinco, seis, sete anos, ninguém conhecia o futebol feminino em Portugal. Agora está a crescer», dizia no ano passado. Aos 22 anos, assumia-se como parte dessa transformação. «Sou muito jovem e privilegiada… o futebol feminino tem agora muito mais visibilidade.»
A adaptação a Barcelona também fez parte desse caminho. A saída do Benfica significou um corte brusco com a zona de conforto e com a família, mas igualmente um mergulho no patamar mais exigente do futebol europeu.
«Sabia que era uma boa jogadora, mas quando falamos do FC Barcelona e do nível mais alto, sentimos tudo. Há tantas jogadoras no mundo… Porque eu? Sei o meu valor, sei que sou uma grande jogadora, mas ter a oportunidade de jogar aqui…», confessava.
«Foi uma grande mudança. Estava habituada a estar rodeada de pessoas, com os meus pais. De repente, estava completamente sozinha. Nova equipa, novo clube, novos horários. Tudo era novo.»
Essa estranheza inicial deu lugar à pertença. E é precisamente essa sensação que atravessa as palavras da portuguesa na antevisão da final deste sábado.
«Se ganharmos a Champions, será o dia mais feliz da minha vida, com certeza. E vou lembrar-me para sempre que a ganhei com estas jogadoras e com estas amigas», assumiu, em declarações aos meios oficiais do FC Barcelona.
A memória de Lisboa continua presente, inevitavelmente. Kika não a esconde. «No ano passado não pude jogar e agora estar disponível. Não sei se vou jogar, mas poder estar ali, viver isto com todas, com a camisola do Barça, é diferente. Estou muito ansiosa.»
Entre títulos nacionais e nova presença europeia, a jogadora admite que ainda tenta processar a dimensão do momento. «Ainda não assimilei tudo. Há uns dias, ganhámos a Copa de la Reina, há uma semana ganhámos a Liga e agora vamos jogar uma final da Champions. São muitas coisas.»
Mas, no FC Barcelona, insiste, o peso do palco não altera a identidade da equipa. «Estamos aqui para isso mesmo: ganhar. É o que nos faz ser diferentes. Queremos ganhar tudo. A mentalidade não muda.»
Perante um OL Lyonnes habituado às grandes noites europeias - ou não fosse a equipa máxima recordista de títulos na Liga dos Campeões -, Kika resume a convicção catalã numa ideia simples: «Se chegarmos a Oslo, entrarmos em campo e fizermos o que nos compete, somos as melhores.»
Há um ano, Lisboa ofereceu-lhe um sonho interrompido. Este sábado, em Oslo, Kika Nazareth poderá finalmente viver a final que o corpo lhe roubou e escrever uma página especial na história do futebol português.
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