Zerozero
·16. Juni 2026
Dia 6: Diz olá à eternidade, Vozinha

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·16. Juni 2026

O Espanha-Cabo Verde foi talvez um dos mais emocionantes jogos sem golos da história dos Mundiais, muito devido a Vozinha.
Com as suas magníficas defesas e humildade, o guardião cabo-verdiano encantou o mundo do futebol aos 40 anos. Ganhou milhões de seguidores após o jogo, mas o sentimento de representar o país pela primeira vez na maior competição do mundo foi o que o levou às lágrimas.
Uma tarde e exibição mágicas, com o mundo a abraçar uma figura desconhecida para as grandes massas. Acontece o que acontecer na restante prova, o guarda-redes eternizou o seu nome nesta edição e nas memórias de milhões de pessoas.
Conhecido no futebol como Vozinha, Josimar Dias defendeu a baliza de Cabo Verde durante a última década. Nascido em Mindelo, na ilha de São Vicente, em 1986, o jogador recebeu esta alcunha por fazer queixinhas à avó.
«Na minha zona, os rapazes eram muito mais velhos. Eu jogava sempre na rua e levava muita pancada. Mas também jogava muito bem com os pés, era competitivo e rebelde, não gostava de perder. Levava muita porrada e sempre que não conseguia dar o troco, ia para casa com raiva, de cara fechada, e eles ficavam a gozar, a dizer que eu ia queixar-me aos meus avós», afirmou, em declarações ao site da FIFA.
O nome planeado pelo pai era Valdano, inspirado no famoso jogador argentino Jorge Valdano, porém as leis cabo-verdianas impossibilitaram o registo. Como alternativa, foi escolhido Josimar, em homenagem ao lateral brasileiro Josimar Higino Pereira, que disputou o Campeonato do Mundo no ano de nascimento do guadião. Quis a sina que o nosso Cromo do Dia repetisse o brilhantismo.
Vozinha começou a jogar no Batuque e depois mudou-se para o Mindelense, clube onde conquistou o campeonato nacional de Cabo Verde. Em 2012, decidiu sair do país para jogar no Progresso do Sambizanga, em Angola, onde competiu no principal campeonato angolano e ganhou mais experiência competitiva.
O ano de 2013 foi decisivo para a seleção de Cabo Verde e para o percurso do guarda-redes. O país participou pela primeira vez na história no Campeonato Africano das Nações (CAN), organizado na África do Sul e a presença deu visibilidade internacional aos jogadores daquela comitiva.
Após o torneio de 2013, o jogador rumou ao futebol europeu. Assinou pelos moldavos do FC Zimbru e, na época de 2016/17, jogou em Portugal, ao serviço do Gil Vicente, onde disputou 32 partidas pelo emblema que na época ainda militava na Segunda Liga.
A sua etapa mais longa no estrangeiro aconteceu em Chipre, no AEL Limassol. Ali permaneceu durante cinco temporadas e conquistou a Taça do país em 2019. Mais tarde, jogou também na Eslováquia, no AS Trencin, antes da ida para Chaves.
Pela seleção de Cabo Verde, Vozinha manteve a titularidade em várias edições do CAN, com destaque para a campanha da edição 2023 até aos quartos de final.
Neste último torneio, a seleção igualou o seu melhor resultado ao chegar novamente aos quartos de final, sendo eliminada pela África do Sul nas grandes penalidades. Com 90 jogos oficiais por Cabo Verde, Vozinha fixou o seu nome como um dos atletas com mais internacionalizações pelo país.
Com quase 20 anos de carreira, foi aos 40 anos de idade que disputou o jogo da sua vida. A partida que catapultou a sua imagem para os ecrãs e televisões do mundo inteiro. Após ajudar os Tubarões Azuis a qualificarem-se pela primeira vez para o Campeonato do Mundo, o destino quis que o primeiro encontro fosse contra a seleção campeã da Europa e vice-campeã da Liga das Nações.
Num jogo pouco equilibrado e com o globo a esperar uma goleada espanhola, eis que aparece Josimar José Évora Dias com sete enormes defesas e uma confiança inigualável (até bolas recebeu com o peito). Vozinha assegurou uma clean sheet num empate sem golos que pareceu uma vitória, conquistando o prémio de MVP da partida.
A exibição valeu-lhe vários elogios da imprensa internacional e mais sete milhões de seguidores nas redes sociais, algo que classificou como «loucura»: «Sonhei toda a minha vida com este momento. Trabalhei toda a minha vida por estes palcos. Hoje consegui estar aqui e contribuir para a equipa com a minha experiência. Estou muito feliz com isto.»
Após ter anunciado que vai deixar o GD Chaves a custo zero, ainda não se sabe onde vai jogar na próxima temporada. Até lá, vai de certeza continuar a representar a seleção cabo-verdiana da melhor maneira e... no stress.







































