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·20. Mai 2026
Dúvidas, sucessos e confiança no processo: o caminho de Arteta até ao fim do jejum do Arsenal

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Foram 22 anos de espera até que o Arsenal voltasse a conquistar a Premier League, uma longa caminhada para um clube que, ao que tudo indica, tem a paciência como uma das suas maiores virtudes. Depois de mais de duas décadas sob o comando de Arsène Wenger, o clube voltou a ter calma e confiou no processo com Mikel Arteta, que finalmente chegou lá.
Quando Wenger deixou o norte de Londres no final da época 2017/18, já com 14 anos de jejum e pela segunda vez consecutiva fora da Liga dos Campeões, o nome de Arteta, então um dos adjuntos de Pep Guardiola no Manchester City, foi apontado para assumir o cargo, mas a escolha recaiu em Unai Emery, já consagrado por um grande trabalho em Espanha.
Arteta teve de esperar cerca de um ano e meio para assumir o cargo, sendo anunciado quase um mês depois da demissão de Emery, no final de 2019. A contratação surgiu com alguma desconfiança por parte de Wenger. «Ele é inteligente, apaixonado, tem conhecimento, mas Ljungberg também», comentou na altura, citando o outro ex-jogador que tinha assumido interinamente o comando dos gunners.
«Acredito que Arteta certamente tem um grande futuro, certamente aprendeu muito como adjunto. Mas terá de lidar com o facto de não ter experiência a este nível», completou Wenger ainda em dezembro de 2019. E o caminho de Mikel Arteta não seria dos mais tranquilos.
Os primeiros meses de trabalho no clube foram perturbados pela pandemia, mas em agosto de 2020 o adepto acreditou que as coisas finalmente voltariam a encaixar, com a conquista da Taça de Inglaterra, na final contra o Chelsea, e da Supertaça de Inglaterra, frente ao Liverpool.
A euforia, contudo, ficou por aí. O Arsenal acabaria em oitavo mais uma vez na Premier League e caiu nas meias-finais da Liga Europa, eliminado pelo Villarreal de Emery, ficando novamente fora da luta pela Liga dos Campeões. Nem mesmo o St. Totteringham's Day - o dia em que o adepto celebrava o facto de garantir ficar à frente do Tottenham na classificação - continuava a existir (foram seis épocas, entre 2016 e 2022, atrás do rival).
Arteta veria o cargo abanar no início da época 2021/22. Foram três derrotas seguidas para começar a competição, com nove golos sofridos e nenhum marcado, terminando com uma goleada por 5-0 frente ao Manchester City. Ali já era possível apostar no fim da linha.
Não era a primeira vez que o trabalho de Arteta era questionado. Já no final de 2020, com um ano no cargo, o treinador teve de se deslocar aos Estados Unidos para se reunir com Stan Kroenke, dono do Arsenal, de forma a justificar o início irregular de época e apresentar um projeto de longo prazo, apostando num crescimento sustentável da equipa enquanto os rivais poderiam perder força.
A confiança da direção manteve o espanhol no cargo e a resposta surgiu com o prémio de treinador do mês em setembro de 2021. Mas aquele ainda não era o ano: mesmo fora das competições continentais, os gunners não passaram do quinto lugar na Premier, ficaram novamente fora da Champions e continuaram sem troféus.
Mas foi nessa mesma época que a renovação do plantel ganhou força. Enquanto chegaram Martin Odegaard e Ben White, nomes como Hector Bellerín, Pierre-Emerick Aubameyang e Alexandre Lacazette despediram-se. A ordem era livrar-se de veteranos com salários elevados e apostar no potencial de jovens que pudessem ser desenvolvidos dentro da filosofia de jogo do treinador.
Se existiram imagens de adeptos rivais com garrafas (bottle é o termo que ingleses usam para descrever as quebras de rendimento) isso deveu-se aos últimos anos. Na época 2022/23, o clube londrino chegou a abrir oito pontos de vantagem sobre o Manchester City a meio de janeiro, mas perdeu fôlego, acumulou deslizes e acabou ultrapassado pela equipa de Guardiola, abrindo uma sequência de segundos lugares.
Na época 2023/24, o Arsenal segurou a liderança entre a 28.ª e a 32.ª jornada, quando escorregou em casa frente ao Aston Villa (de Unai Emery, novamente) e já não conseguiu travar o City. No ano seguinte, o Liverpool não deu muito espaço para criar grandes esperanças, mas o terceiro vice-campeonato levantou dúvidas sobre a real capacidade de Arteta levar a equipa ao topo.
Curiosamente, a conquista chega no ano em que Mikel Arteta menos agradou. O Arsenal apostou como nunca nas bolas paradas trabalhadas pelo adjunto Nicolas Jover, gerando debate sobre a legalidade da batalha que se tornou cada canto a favor da equipa londrina.
A uma jornada do fim, a equipa tem 69 golos marcados e deverá ser o primeiro campeão com menos de 83 golos apontados desde o Leicester, em 2015/16, sendo 28 deles marcados em lances de bola parada, com 17 desses golos resultantes de cantos, um recorde da liga.
A diferença também foi feita lá atrás, no setor defensivo, que sofreu apenas 26 golos em 36 jogos, sendo que em 19 partidas o adversário não conseguiu marcar sequer uma vez. Uma disciplina defensiva que também se refletiu noutras estatísticas: a equipa está a um jogo de passar toda uma época sem conceder um penálti e sem ver um único cartão vermelho.
Bonito ou não, o título acabou por chegar, e o adepto do Arsenal agora já sonha mais alto, até porque dentro de pouco mais de uma semana o clube tentará acabar com outro tabu, procurando o primeiro título da sua história na Liga dos Campeões.
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