Especialista avalia impacto negativo que ausência do Mundial pode ter em João Palhinha | OneFootball

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·9. Juni 2026

Especialista avalia impacto negativo que ausência do Mundial pode ter em João Palhinha

Artikelbild:Especialista avalia impacto negativo que ausência do Mundial pode ter em João Palhinha

A ausência de João Palhinha, médio cobiçado pelo Sporting, da convocatória final para o Mundial2026 foi um dos temas em destaque, sobretudo pelo impacto emocional que este tipo de decisões pode ter nos jogadores. O psicólogo do desporto João Lameiras explicou que ficar fora de uma grande competição pode gerar sentimentos fortes de frustração e até de injustiça.

"É uma situação particularmente dura que um atleta pode atravessar. Quando a decisão final chega e o nome não está na lista, o impacto é real e pode gerar um sentimento de injustiça e frustração difícil de ignorar. O que torna tudo ainda mais desafiante é quando o jogador sente que fez uma boa época, e muitas vezes fez mesmo. Só que uma convocatória nunca depende apenas do rendimento individual, mas essencialmente daquilo que o selecionador entende que a equipa precisa naquele momento. O mais importante é o jogador conseguir reconhecer a desilusão sem deixar que ela defina o seu valor. Ficar de fora de um Mundial dói, mas uma não convocatória não apaga a época que foi feita, nem diz nada de definitivo sobre a qualidade do atleta", disse, ao 'Desporto ao Minuto'.


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O especialista abordou ainda o papel da comparação entre jogadores: "É natural que um jogador olhe para quem foi selecionado e sinta que merecia estar no lugar dele. O problema não é a comparação surgir, mas sim ficar preso a ela. Se servir para refletir, para perceber onde melhorar, para voltar mais forte, pode até ser construtiva. Mas quando se transforma em ressentimento, em ruminação, em sensação permanente de injustiça, deixa de ser útil e passa a ser um obstáculo. A comparação é natural, mas o risco começa quando o jogador perde de vista aquilo que controla e fica absorvido por aquilo que não depende dele".

Sobre o impacto de uma ausência na motivação para a época seguinte, João Lameiras referiu: "Pode ter impacto, mas não necessariamente de forma negativa. Para muitos jogadores, uma exclusão deste tipo torna-se uma fonte poderosa de motivação. Funciona como combustível para um começo de época com intensidade diferente, vontade de mostrar que o nível está lá. Mas há aqui uma linha muito ténue. Querer provar valor é saudável, mas viver obcecado em provar que o selecionador se enganou, já não. Quando o foco passa a ser responder a terceiros, o jogador corre o risco de perder ligação ao seu próprio processo, isto é, ao seu jogo, àquilo que sustenta a sua melhor performance. A desilusão pode e deve transformar-se em motivação, desde que não se transforme em revolta. Um jogador joga melhor quando quer evoluir do que quando joga apenas para provar que alguém errou".

João Lameiras destacou a ligação entre saúde mental e rendimento desportivo: "É impossível separar saúde mental e rendimento, são faces da mesma moeda. Um atleta pode estar fisicamente preparado, técnica e taticamente bem afinado, e ainda assim não ser consistente ao longo de uma época inteira se não estiver emocionalmente equilibrado. Mas também há algo importante a enfatizar. Estar atento à saúde mental dos jogadores não é tratá-los como frágeis. É dotá-los de competências para lidarem melhor com a exigência, para recuperarem dos momentos difíceis e para manterem níveis elevados ao longo do tempo. Este trabalho não se resume a resolver problemas. Estamos a falar de criar condições para que os atletas consigam expressar todo o seu potencial e a saúde mental não pode ser vista como um tema à parte da performance, mas sim como uma das suas fundações".

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