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JB Filho Repórter

·31. Juli 2026

Este é o tamanho da desgraça que vive o Grêmio

Artikelbild:Este é o tamanho da desgraça que vive o Grêmio
  • A eliminação do Grêmio para o Bolívar na repescagem da Copa Sul-Americana escancarou uma crise que já vinha sendo construída ao longo da temporada. Depois de perder o jogo de ida na altitude, o Tricolor voltou a ser derrotado na Arena e deu adeus à competição de forma merecida. Mais do que o resultado, o desempenho reforçou a sensação de que o time pouco evoluiu e acumula problemas dentro e fora de campo.
  • É importante separar os contextos. Em 2025, o Grêmio também caiu na repescagem da Sul-Americana, mas com outra direção, outro treinador e praticamente outro elenco. Agora, os protagonistas são diferentes e, consequentemente, as responsabilidades também mudaram. O cenário é novo, mas o desfecho voltou a ser decepcionante.
  • A eliminação não pode ser atribuída apenas à altitude. O Grêmio perdeu em La Paz e voltou a perder em Porto Alegre. Nem sequer conseguiu vencer o jogo de volta diante de um adversário que passou boa parte da partida retraído. No fim das contas, a classificação do Bolívar foi justa pelo conjunto dos dois confrontos.
  • Dentro de campo, os erros individuais voltaram a aparecer. Kannemann teve participação direta no gol sofrido ainda no primeiro tempo ao ser facilmente envolvido na jogada. O lance apenas reforça uma percepção que já vinha sendo construída desde a chegada de Luís Castro: o zagueiro não consegue mais sustentar o mesmo nível físico e técnico de temporadas anteriores. Inclusive, uma das primeiras decisões do treinador foi justamente reduzir o protagonismo do argentino na equipe.
  • Apesar dos 31 chutes ao gol durante a partida, o Grêmio terminou o jogo sem marcar. A dificuldade para transformar volume ofensivo em eficiência voltou a aparecer justamente em uma decisão. O time finalizou muito, mas criou poucas oportunidades realmente claras e, quando criou, desperdiçou.
  • O aspecto emocional também chamou atenção nos minutos finais. Noriega acabou expulso após se envolver em uma confusão completamente desnecessária nos acréscimos, enquanto Marlon recebeu cartão vermelho depois de uma entrada extremamente dura por trás em um adversário. Embora parte da torcida tenha aplaudido a atitude por enxergar uma demonstração de indignação, na prática o resultado foi apenas mais prejuízo para um time que já estava eliminado.
  • A ausência de Carlos Vinícius escancarou outra fragilidade do elenco. Suspenso, o centroavante não atuou e o Grêmio novamente mostrou enorme dificuldade para encontrar soluções ofensivas sem sua principal referência no ataque. A dependência do camisa 9 ficou evidente em mais uma partida decisiva.
  • Naturalmente, a pressão aumenta sobre Luís Castro. O treinador não conseguiu convencer no Campeonato Gaúcho, o desempenho segue abaixo no Campeonato Brasileiro, a equipe não apresenta evolução consistente na Copa do Brasil e agora está eliminada da Copa Sul-Americana. O resultado apenas amplia um desgaste que já vinha crescendo há várias semanas.
  • O próprio discurso do treinador passou a ser questionado. Em determinado momento, Luís Castro chegou a afirmar que o Grêmio havia conseguido uma classificação na competição, quando, na realidade, o clube sequer avançou diretamente em um grupo considerado acessível e precisou disputar a repescagem. Agora, acabou eliminado justamente por um Bolívar que também fazia uma campanha bastante fraca na temporada.
  • Durante o segundo tempo, a Arena começou a demonstrar claramente a insatisfação. Parte da torcida direcionou fortes críticas ao treinador e também voltou a pedir o retorno de Renato Portaluppi. O ambiente se tornou ainda mais pesado conforme a eliminação foi se confirmando.
  • Apesar da pressão, uma eventual troca de comando técnico não parece simples. Luís Castro possui um contrato extremamente rígido, com uma rescisão muito elevada. Internamente, existe a percepção de que a direção não estruturou um vínculo prevendo a possibilidade de insucesso esportivo. Isso torna qualquer mudança muito mais complicada financeiramente.
  • Mas reduzir a crise apenas ao treinador seria simplificar um problema maior. A montagem do elenco também passa a ser questionada. O Grêmio perdeu jogadores importantes, como Arthur, foi ao mercado, contratou diversos reforços e, até agora, poucos conseguiram justificar o investimento. Alguns recém-chegados sequer estrearam, enquanto outros ainda não entregaram o desempenho esperado.
  • Os problemas administrativos também entram na conta. O clube ainda não conseguiu fechar um patrocinador master, receitas importantes prometidas pela atual gestão não se concretizaram e diversos projetos apresentados no início do mandato seguem sem resultados práticos. Isso aumenta a cobrança sobre a diretoria, que tem aparecido cada vez menos publicamente para explicar o momento vivido pelo clube.
  • A avaliação que cresce nos bastidores é que a crise não pode ser atribuída exclusivamente ao treinador. Presidente, vice-presidentes e dirigentes do futebol também passam a ser cobrados pelas escolhas feitas desde o início da temporada, tanto na contratação da comissão técnica quanto na montagem do elenco e na condução financeira do clube.
  • Neste momento, a tendência é que Luís Castro permaneça no cargo, muito mais pelas dificuldades contratuais do que pelos resultados apresentados. Enquanto isso, o Grêmio tenta juntar os cacos para a sequência da temporada, ainda pressionado na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro e precisando reagir rapidamente na Copa do Brasil para evitar que a crise fique ainda maior.
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