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·8. Juni 2026

Flamengo 1×0 Seleção Brasileira: o dia em que o Mengão desafiou a base do esquadrão de 58

Artikelbild:Flamengo 1×0 Seleção Brasileira: o dia em que o Mengão desafiou a base do esquadrão de 58

A proximidade da estreia da Copa do Mundo traz à tona a histórica influência do Flamengo na Seleção, um paralelo que ganha força ao resgatarmos o confronto de 11 de maio de 1958. Naquela tarde de domingo, o Maracanã presenciou um Flamengo 1×0 Seleção Brasileira, em um dos testes rigorosos que o time de Vicente Feola enfrentou antes de embarcar para a Suécia.

O público de 31.415 pagantes foi observar a organização da seleção nacional, que contava com nomes como Pelé, Garrincha, Djalma Santos, Nilton Santos e Pepe. Isso além dos rubro-negros Joel, Moacir, Dida e Zagallo. Do outro lado, um Fla desfalcado se preparava para sua própria excursão internacional.


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Conforme crônicas da época, o Rubro-Negro não se intimidou diante da constelação de craques. Jornais destacaram a postura do Mengão, que tratou o jogo com a seriedade de um confronto oficial, impondo um ritmo de jogo que colocou à prova o entrosamento do time que seria convocado para a Copa.

O gol da vitória por 1 a 0, marcado por Manuelzinho, surgiu de uma finalização potente da entrada da área que superou Gilmar. Enquanto o Flamengo impôs um ritmo coletivo veloz, a Seleção Brasileira demonstrou falta de sincronia e um individualismo que, segundo a crônica da época, expôs falhas táticas. Para Vicente Feola, o teste serviu como um diagnóstico essencial para a Copa do Mundo.

A superioridade rubro-negra diante da Seleção

O confronto ocorreu em dois atos distintos. No primeiro tempo, a Seleção “Amarela” (reservas), que contava com nomes como Pelé, Garrincha, Mazzola, Zito e Castilho, não passou de um empate em 0 a 0 contra a marcação rubro-negra.

Na segunda etapa, a Seleção “Azul”, até então a base titular, entrou em campo com Gilmar, Bellini, Nilton Santos, Dino Sani e os rubro-negros Joel, Dida e Zagallo. O time, com muitos nomes que meses depois seriam campeões mundiais na Suécia, sucumbiu diante da velocidade e da precisão do Rubro-Negro.

O jornalista Duarte Gralheiro, do Jornal dos Sports, observou que os jogadores da Seleção estavam nitidamente inibidos. Enquanto os rubro-negros queriam vencer, os convocados pareciam perdidos na falta de sincronia que a comissão técnica não conseguia resolver.

Os relatos apontam que a velocidade da garotada flamenguista, como Babá e Alfredinho, deixou nomes consagrados como Moacir e Dida, que faziam parte do elenco rubro-negro, visivelmente desconfortáveis.

“Eles queriam mostrar que poderiam vencer, ou pelo menos dar trabalho. Tanto que apenas passearam contra o time suplente, sonhando ver pela frente os titulares. Quando chegou esse momento, a garotada inflamou-se, entrou naquele ritmo célere, que já individualizou o estilo rubro-negro, foi uma coisa louca.”

“A ponto de Joel, Moacir e Dida, principalmente, ficarem totalmente inibidos. A velocidade desses homens parecia haver fugido e, como num passe de mágica, foi encarnar nos Babá, Alfredinho, Luís Carlos, Manoelzinho, Carlinhos, etc., etc”, diz a crônica publicada no dia 12 de maio de 1958.

Artikelbild:Flamengo 1×0 Seleção Brasileira: o dia em que o Mengão desafiou a base do esquadrão de 58

Jornal dos Sports, 12 de maio de 1958, página 2. Foto: Arcevo Jornal dos Sports/ Reprodução

O gol e as escalações de Flamengo 1×0 Seleção Brasileira em 1958

Manuelzinho, que substituiu Henrique no intervalo, recebeu a bola na entrada da área, balançou sobre a marcação e disparou um chute furioso que Gilmar não conseguiu segurar, estufando a rede do Maracanã.

As escalações do duelo:

  1. Flamengo: : Fernando, Joubert e Milton Copolillo; Jadir (Tomires), Dequinha (Carlinhos) e Jordan; Babá, Duca (Adalberto), Henrique (Manuelzinho), Luís Carlos e Alfredinho.
  2. Seleção Brasileira (Amarelo – 1º Tempo): Castilho, Djalma Santos, Mauro, Oreco, Roberto e Orlando, Garrincha, Pelé, Mazzola, Canhoteiro e Pepe.
  3. Seleção Brasileira (Azul – 2º Tempo): Gilmar, De Sordi, Bellini, Zózimo, Nilton Santos, Dino Sani, Moacir, Joel, Vavá, Dida e Zagallo.

‘Flamengo deveria ir à Suécia’, disse a crônica da época

A imprensa da época não perdoou a desorganização da Seleção, tratando o dia como uma farsa montada para o público. O Jornal dos Sports foi incisivo ao descrever o treinamento como uma tentativa de enganar os torcedores e, não só isso,

“(…) Depois ensaiou a Seleção ‘A’, com uma colcha de retalhos do Flamengo, agora com alguns remendos. A vitória coube ao Flamengo, por 1 a 0. (…) Pela lógica, o quadro remendado rubro-negro deveria ir à Suécia em substituição ao Selecionado.”

Este jogo-treino não foi apenas caridade rubro-negra para a preparação do Brasil. Para o Flamengo, o jogo foi o termômetro ideal antes de embarcar em uma extensa excursão pelo exterior. Modesto Bria e Jaime de Almeida, que substituíam o lendário Freitas Solich, precisavam testar as suas ideias e a resiliência do elenco.

O Flamengo provou ali que sua base era sólida e que o estilo de jogo implantado não dependia de nomes, mas de um sistema coletivo que funcionava mesmo sob pressão máxima. Naquele time, nomes que fizeram parte do tricampeonato carioca de 55-57 e que formariam o elenco campeão da Rio-São Paulo de 1961.

Paralelo com 2026: a mística do Flamengo na Seleção

O paralelo com 2026 está no fato de o Flamengo ter quatro jogadores convocados para a Copa do Mundo, igualando o recorde estabelecido em 1958. Naquela edição, Joel, Moacir, Dida e Zagallo foram os representantes na campanha do primeiro título do Brasil.

Agora, Alex Sandro, Danilo, Léo Pereira e Lucas Paquetá compõem o grupo rubro-negro que busca repetir o feito de seus antecessores. Essa marca de quatro atletas na Seleção Brasileira em uma única Copa do Mundo coloca o clube novamente em um patamar histórico de fornecimento de jogadores.

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