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·13. Juni 2026

Inacreditáveis R$ 729 MILHÕES foram gastos no futebol do São Paulo em 2025

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Texto de Flávio Marques, Conselheiro do SPFC – O São Paulo Futebol Clube gastou R$ 729 milhões no ano passado com as atividades de Futebol Profissional e de base. Neste artigo vamos comparar os gastos do SPFC com os demais clubes que disputaram a série A do Campeonato Brasileiro em 2025.

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Os dados de gastos com futebol foram extraídos da publicação “Finanças TOP 20 clubes brasileiros em 2025 – SportsValue”, edição de maio de 2026, um trabalho elaborado pela equipe liderada por Amir Somoggi. Para abranger os times que disputaram a série A em 2025, substituí os valores do Athlético Paranaense, que no ano passado disputou a série B, pelo valor de gastos do Juventude, obtidos nos demonstrativos financeiros oficiais do time de Caxias do Sul.

Com o sexto lugar entre as entidades que mais gastaram com futebol profissional e de base em 2025, o Tricolor Paulista foi superado em gastos apenas pelo Corinthians, campeão da Copa do Brasil, com despesas de R$ 938 milhões, Palmeiras, vice-campeão Brasileiro e da Libertadores, com R$ 1.150 milhões (um bilhão, cento e cinquenta milhões de reais), Flamengo, campeão Brasileiro e da Libertadores, com R$ 1.044 milhões (um bilhão, quarenta e quatro milhões de reais), e os dois times que, junto com Palmeiras e Flamengo, disputaram o “super mundial”, Botafogo e Fluminense, respectivamente com gastos de R$ 1.124 milhões (um bilhão, cento e vinte e quatro milhões de reais) e R$ 831 milhões. 

O Cruzeiro gastou R$ 680 milhões, 7% menos do que o São Paulo, mas se manteve na luta pelo título Brasileiro até as rodadas finais, e ainda alcançou as semifinais da Copa do Brasil. O Vasco da Gama gastou R$ 623 milhões com futebol em 2025, R$ 106 milhões (15%) menos, e, apesar da má campanha no Brasileiro, foi finalista da Copa do Brasil. Pelas regras que passaram a valer nesta temporada, o Cruzmaltino teria obtido uma vaga na pré-Libertadores.

O Bahia, SAF que faz parte do Grupo City, gastou em 2025 o total de R$ 466 milhões, R$ 263 milhões (36%) a menos do que o São Paulo, e terminou na frente do SPFC no Brasileiro, conquistando uma vaga para a pré-Libertadores 2026. Rogério Ceni e seus comandados, entretanto, fracassaram já no primeiro confronto eliminatório e não disputam nem mesmo a Sul-Americana este ano.

O Red Bull Bragantino, outro clube empresa, gastou um total de R$ 428 milhões, R$ 301 milhões (41%) a menos do que o Tricolor, para fazer uma campanha próxima o Campeonato Brasileiro, a duas posições e três pontos atrás do São Paulo.

Entre os rebaixados, o time que mais gastou foi o Fortaleza, 18º colocado no campeonato, com despesa total de R$ 327 milhões, R$ 402 milhões (55%) abaixo do que foi gasto pelo SPFC. Na sequência, por ordem de despesas, Ceará, 17º colocado, com gasto total de R$ 231 milhões, Sport (20º colocado, R$ 167 milhões) e Juventude (19º classificado, R$ 96 milhões).

O Vitória (gastos de R$ 254 milhões) escapou do descenso na última rodada, ao vencer o São Paulo no Barradão, ultrapassando Ceará e Fortaleza por dois pontos. A exceção, o ponto fora da curva, na temporada passada foi o Mirassol, que com despesa total de R$ 102 milhões conseguiu uma fantástica posição no G4, e a vaga na fase de Grupos da Libertadores 2026.

2. A Eficiência

Usando como uma régua comum a pontuação no Campeonato Brasileiro de Futebol da Série A, podemos comparar a eficiência com que os recursos foram empregados pelos diversos times do país.

É importante destacar aqui que todas as equipes da Série A, por força de regulamento, obrigatoriamente mantém equipes de futebol de base e de futebol feminino. O total de despesas que aparece no comparativo acima inclui esses valores para todas as entidades. A parcela que se destina do total gasto para essas atividades também é parte da responsabilidade dos gestores.

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Tabela de gastos com futebol, pontuação e eficiência. Campeonato Brasileiro da Série A 2025

Na medição de eficiência pelo critério de R$ milhões por ponto conquistado no Brasileiro, vemos com enorme destaque a equipe do Mirassol, que gastou R$ 1,5 milhão para cada ponto somado na campanha de quarto colocado na série A. Esse foi um resultado absolutamente fora da curva, mas que mostra que no futebol é possível obter bons resultados com menor desembolso de recursos.

O Bahia alcançou boa colocação com custo de menos de R$ 8 milhões por ponto conquistado. O Cruzeiro, outra SAF classificada no G6 do Brasileiro, gastou pouco menos de R$ 10 milhões por ponto.

É interessante observar a rivalidade da dupla Gre-Nal também nas finanças. Embora com campanhas distintas no campeonato, no qual o Colorado esteve ameaçado de rebaixamento até a rodada final, enquanto o Grêmio esteve sempre no meio de tabela, o gasto por ponto conquistado foi praticamente o mesmo para os dois rivais, na casa de R$ 10 milhões por ponto. O Grêmio gastou R$ 489 milhões no total, R$ 240 milhões (33%) menos do o São Paulo, para ter uma campanha próxima. Fluminense, Santos, Atlético MG, Flamengo e Vasco estiveram todos na casa de R$ 13 milhões por ponto.

O São Paulo Futebol Clube, com média de custo de R$ 14,3 milhões por ponto em 2025, esteve entre os menos eficientes no comparativo. Atrás do SPFC tivemos apenas o Palmeiras (R$ 15,1 milhões por ponto), Botafogo (R$ 17,8 milhões por ponto) e Corinthians (R$ 20 milhões por ponto).

Cabe aqui a ressalva que Palmeiras e Botafogo reforçaram seus elencos para a disputa do “super mundial”, competição que pagava, apenas pela participação, uma cota de USD 15 milhões (quinze milhões de dólares), aproximadamente R$ 82 milhões na cotação da época. Nesse torneio o alviverde da Pompeia arrecadou aproximadamente USD 40 milhões (R$ 218 milhões) enquanto o time da Estrela Solitária teve receitas da ordem de USD 27 milhões (R$ 147 milhões), o que distorce um pouco o comparativo baseado apenas na pontuação do Brasileiro

O Flamengo gastou 43% a mais que o São Paulo com sua atividade de futebol em 2025, R$ 315 milhões a mais em valores absolutos, mas conquistou 55% mais pontos e levou o título do Brasileiro. O rubro-negro da Gávea conquistou ainda a sua quarta Libertadores, e chegou às oitavas de final do “super mundial”. Somando as campanhas dos torneios internacionais, o “Urubu” faturou perto de USD 72 milhões (USD 40 milhões na campanha da Libertadores, USD 28 milhões no “super mundial” e USD 4 milhões pelo Intercontinental) em 2025, um valor equivalente a R$ 360 milhões pela cotação atual.

O Corinthians teve custo médio de R$ 20 milhões por ponto conquistado em 2025, sendo o pior time nesse quesito. Assim como o SPFC, o alvinegro da zona leste da capital não pode ser considerado um exemplo de boa administração, nem exemplo a ser copiado. O “Mosqueteiro”, entretanto, adicionou mais um título de Copa do Brasil à sua coleção, mostrando quem em torneios eliminatórios a eficiência da gestão nem sempre prevalece.

3. Conclusão

Como já vem sendo pontuado desde 2021, o São Paulo Futebol Clube gasta muito relativamente ao desempenho esportivo medíocre que vem sendo observado no período. Considerando-se todos os jogos disputados pelo São Paulo no Campeonato Brasileiro da Séria A de janeiro de 2021 a dezembro de 2025, o aproveitamento geral de pontos disputados foi de 46%. O Tricolor esteve sempre entre os que mais gastaram, ano após ano, mais cedeu mais pontos do que conquistou no período. A temporada 2025 apenas refletiu essa condição.

Sempre que se fala em austeridade, em redução de custos no SPFC para equilibrar as finanças do Clube, a contra argumentação da diretoria é que “se o time cair para a série B o prejuízo será muito maior”. Nos últimos cinco anos ouvimos que “é preciso gastar para manter o time competitivo e afastar o risco de rebaixamento”. O que este estudo mostra é que a questão não é exatamente o quanto se gasta, mas como esses recursos são aplicados.

Entre os gastos do SPFC e o do rebaixado que mais gastou, o Fortaleza, há uma diferença de R$ 402 milhões. O Tricolor Paulista gastou mais do que o dobro do que foi gasto pelo “Leão do Pici”, para somar 8 pontos a mais. 

Não há sentido em se associar uma redução de custos da ordem de 14%, ou R$ 100 milhões por ano, a um aumento exponencial do risco de rebaixamento, desde que exista uma eficiência na aplicação dos recursos disponíveis. É isso que está faltando ao SPFC, eficiência na aplicação de recursos.

Mesmo economizando R$ 100 milhões no ano, hipótese que aproximaria o São Paulo do equilíbrio operacional financeiro, o Tricolor ainda teria recursos para sua atividade futebol da mesma ordem ou mais elevados do que para treze dos participantes da série A em 2025, e pelo menos o dobro do que gastaram os rebaixados do ano passado.

Concluindo, a economia necessária não porá em risco a permanência do São Paulo na divisão principal do Campeonato Brasileiro, desde que os recursos sejam utilizados com eficiência, e o saneamento financeiro permitirá, a médio prazo, a volta do SPFC à sua condição de um dos principais times de futebol das Américas de maneira sustentável.

Se continuarmos com o excesso de gastos, em breve estaremos na situação de insolvência pelas quais passaram Cruzeiro, Vasco e Botafogo, entre outros, e seremos presa fácil para oportunistas do mercado.

Uma SAF a partir da insolvência é o pior cenário futuro que se pode prever para uma instituição tradicional. Após o saneamento, projeto viável mas de médio prazo, o São Paulo poderá originar uma SAF muito mais valorizada, e já preparada para retomar o lugar de onde foi afastada por seguidas más administrações.

A decisão está nas mãos da diretoria. Qual o futuro que queremos para o São Paulo Futebol Clube?

Flavio Marques                  12/06/2026

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