Última Divisão
·1. Juni 2026
Marcelo Rubens Paiva e a Copa de 1978

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Em 21 de junho de 1978, Marcelo Rubens Paiva era um estudante de engenharia agrícola na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Morava em uma república no bairro Vila Nova e se dividia entre as aulas, as paqueras e a iniciante carreira na música.
Naquele dia, pela segunda fase da Copa do Mundo de 1978, o Brasil venceu a Polônia e ficou a um passo da final. A Argentina só entraria em campo depois, já sabendo do resultado da partida – vitória brasileira por 3 a 1 em Mendoza.
O que se viu em Rosário entrou para a história: a Argentina venceu o Peru por 6 a 0 e garantiu vaga na decisão graças ao melhor saldo de gols. O goleiro peruano naquela partida, Ramón Quiroga, admitiria mais tarde que “coisas raras” aconteceram naquela noite.
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Em Campinas, Marcelo ouvia ao jogo em um rádio de pilha, incrédulo.
O relato daquela partida consta em um trecho de Feliz Ano Velho, autobiografia lançada em 1982 pelo escritor após o acidente sofrido em 14 de dezembro de 1979.
Na Copa do Mundo de 1978, ninguém em Campinas tinha televisão. Alguns acompanhavam o jogo pelas lojas de eletrodomésticos. Eu acompanhava no 437, um restaurante bastante fuleiro na minha rua, mas com comida barata. Tinha uma televisão velha pendurada na parede, e nós, já fregueses da casa, ficávamos na maior mesa. Juntavam todos os estudantes e aposentados do Vila Nova. Um dia, a mãe do dono morreu, conosco jantando lá, e ele foi obrigado a fechar o bar. Era o último jogo da semifinal. A Argentina precisaria vencer o Peru por 4 a 0, senão o Brasil estaria na final. Ficamos em casa, ouvindo o jogo por um radinho de pilha. E não dava para acreditar: a Argentina fez um, dois, três, quatro, cinco e, tchan-tchan-tchan-tchan, seis gols. Precisávamos ver as imagens, não era possível, o locutor poderia estar nos enganando. Foi um gelo, e logo com os argentinos, odiados por todo o Brasil.







































