Central do Timão
·4. Juni 2026
Ministério Público apresenta denúncia criminal contra vice-presidente do Corinthians

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·4. Juni 2026

Por Larissa Beppler e Henrique Vigliotti | Redação da Central do Timão
O Ministério Público de São Paulo apresentou denúncia criminal contra Armando Mendonça, vice-presidente do Corinthians, por supostos crimes de apropriação indébita qualificada, tentativa de apropriação indébita, furto qualificado mediante abuso de confiança e coação no curso do processo.
A Central do Timão teve acesso à denúncia, assinada pelo promotor Cássio Roberto Conserino e protocolada na última quarta-feira (3). A peça é fundamentada em uma auditoria interna realizada pelo Corinthians para apurar o fluxo de entrada e saída de materiais esportivos nos almoxarifados do clube, além de investigações complementares conduzidas pelo Ministério Público.

Foto: Central do Timão
Segundo a denúncia, Armando teria se apropriado de 131 itens esportivos da Nike pertencentes ao Corinthians entre junho e outubro de 2025. Entre os materiais listados estão 100 camisas, nove blusas, nove calças, seis pares de tênis, quatro shorts, duas malas e uma mochila retirados dos almoxarifados do Parque São Jorge e do Centro de Treinamento Joaquim Grava. O MP alega que os produtos foram obtidos em razão do cargo ocupado pelo dirigente e que teriam sido destinados para uso próprio ou distribuição a terceiros sem autorização formal.
Além disso, o promotor acusa o dirigente de tentar se apropriar de outras 19 camisas da NFL relacionadas ao evento realizado pelo Corinthians em parceria com a liga de futebol americano. De acordo com a denúncia, a retirada não teria sido concluída porque a auditoria interna identificou a movimentação antes da consumação do ato, levando ao cancelamento da solicitação.
O documento também atribui a Armando a subtração de oito camisas da NFL mediante abuso de confiança. Conforme a acusação, as peças foram retiradas sem a formalização dos procedimentos internos normalmente exigidos pelo clube.
Auditoria interna fundamentou a investigação
A denúncia afirma que a apuração teve origem em uma auditoria determinada pelo presidente do Corinthians Osmar Stabile e executada pela Diretoria de Tecnologia do clube. O trabalho identificou falhas no controle de estoque, movimentações sem justificativas institucionais e retiradas de materiais vinculadas diretamente ao nome do vice-presidente.
Segundo o Ministério Público, o sistema interno do Corinthians registrava solicitações, aprovações e liberações de materiais relacionadas ao dirigente. A acusação cita diversas requisições e afirma que todas as etapas das movimentações apontavam Armando como solicitante e destinatário dos produtos.
A peça ainda destaca que parte dos materiais teria sido requisitada com a justificativa expressa de “uso próprio” do vice-presidente. Entre os exemplos mencionados estão camisas oficiais, tênis, blusas de viagem, polos, jaquetas, moletons, bermudas e mochilas.
Outro ponto abordado pela Promotoria diz respeito à governança do controle de materiais esportivos. O documento afirma que a auditoria encontrou inconsistências no lançamento de notas fiscais da Nike no sistema do clube e aponta que milhões de reais em produtos recebidos não foram devidamente registrados, situação que, segundo o MP, expõe o Corinthians a riscos fiscais e tributários.
Tentativa de intimidação de testemunhas
A denúncia também acusa Armando de coação no curso do processo. O Ministério Público sustenta que, durante as investigações, o dirigente encaminhou notificações extrajudiciais a Marcelo Munhoes e Reginaldo Prado do Nascimento, responsáveis pela auditoria interna, exigindo retratação e contestando as conclusões do trabalho.
Segundo o promotor, as notificações foram enviadas após o início das investigações e depois de um dos depoimentos prestados à polícia. Para o Ministério Público, a exigência de retratação acompanhada da ameaça de medidas judiciais, administrativas e criminais foi utilizada como forma de pressão psicológica sobre as testemunhas.
A acusação ainda menciona uma gravação telefônica de cerca de 39 minutos entre Armando e Marcelo Munhoes, realizada em setembro de 2025. O diálogo foi anexado aos autos por meio de ata notarial e, segundo o Ministério Público, contém declarações interpretadas como ameaças e admissões relacionadas à retirada de materiais do clube.
Defesa e próximos passos
Conforme a denúncia, Armando foi ouvido durante o inquérito policial e admitiu ter retirado parte dos materiais, mas alegou que os itens eram utilizados em ações de relacionamento institucional e que não existia norma interna proibindo esse tipo de destinação. O Ministério Público, contudo, afirma que não foram apresentados documentos capazes de comprovar a finalidade institucional das retiradas ou a identificação dos beneficiários dos produtos distribuídos.
Ao final da denúncia, a Promotoria requer a abertura da ação penal, a condenação do dirigente pelos crimes apontados e a fixação de indenizações ao Corinthians. O MP também solicita medidas cautelares, incluindo o afastamento temporário de Armando dos quadros do clube, a proibição de frequentar dependências do Corinthians e a vedação de contato com testemunhas e dirigentes enquanto durar o processo.
A Central do Timão procurou Armando Mendonça para comentar a denúncia apresentada pelo Ministério Público. Caso haja manifestação, a matéria será atualizada.
Na última terça-feira (2), o vice-presidente obteve uma liminar na Justiça que determinou a suspensão do processo ético-disciplinar instaurado contra ele no Corinthians. Na decisão, o magistrado entendeu haver indícios suficientes de possíveis irregularidades na condução do procedimento e determinou a suspensão imediata do prazo para apresentação de defesa, bem como de todos os atos de instrução, julgamento e deliberação relacionados ao caso.







































