Monitorado pelo Fla, Gabriel Pereira vê mudança com bons olhos e repassa carreira na Europa | OneFootball

Monitorado pelo Fla, Gabriel Pereira vê mudança com bons olhos e repassa carreira na Europa | OneFootball

In partnership with

Yahoo sports
Icon: oGol.com.br

oGol.com.br

·19. März 2026

Monitorado pelo Fla, Gabriel Pereira vê mudança com bons olhos e repassa carreira na Europa

Artikelbild:Monitorado pelo Fla, Gabriel Pereira vê mudança com bons olhos e repassa carreira na Europa

O frio de Copenhague, que ainda engatinha rumo a primavera, com temperaturas próximas ao 0º, não tem nada a ver com o calor da Região dos Lagos do Rio de Janeiro. Mas Gabriel Pereira aproveita as portas que o futebol abre e hoje, atuando no grande clube do futebol dinamarquês, pode realizar os sonhos dele e da família. O Rio de Janeiro, na verdade, que pode ser de novo sua casa em breve, já que o jogador vê com bons olhos as especulações que o apontam ao Flamengo.

Hoje zagueiro, vivendo o sonho de todo menino brasileiro que ganha como primeiro presente uma bola de futebol, Gabriel Pereira nem imaginava ouvir de pertinho, do campo, perfilado, o hino da Liga dos Campeões. Em Araruama, jogava bola na rua e trabalhava com o pai na construção, colocando piso, mexendo em concreto... O futebol era hobby com os amigos, até que o "último trem" passou para ele. 


OneFootball Videos


"Só jogava fim de semana com os amigos, e campeonatos de society. Por isso, um pai de um amigo tinha contato com o Sampaio e perguntou se eu tinha vontade de ir. Na época eu trabalhava de dia, estudava de tarde. E o trabalho era o que me ajudava a ajudar minha mãe em casa. Então foi a última oportunidade de estar no futebol. Se não tivesse dado certo, hoje estaria trabalhando normalmente para ajudar minha mãe", contou, em conversa com a reportagem de oGol

Gabriel Pereira passou na avaliação do Sampaio Corrêa em 2018. Em um amistoso contra o time sub-20 do Volta Redonda, chamou a atenção do técnico Neto Colucci e foi convidado a fazer um teste no Voltaço, que montava time para disputar a Copinha do ano seguinte. 

Titular na campanha, Gabriel Pereira marcou o gol da classificação contra o Goiás. O Voltaço fez história, eliminou ainda o Atlético e só foi cair nos pênaltis para o Vasco, nas quartas de final. 

"Era só para jogar a Copa São Paulo e depois voltar para o Sampaio. Mas como a gente fez uma grande campanha, eu tive destaque, o Volta Redonda resolveu 'ficar' comigo", recordou. 

Do Sul Fluminense para Portugal foi um pulo. Um pulo para o outro lado do oceano. Gabriel Pereira jogou a Segunda Liga pelo Vilafranquense. Uma temporada e meia depois, chegou na elite com o Gil Vicente, onde atraiu o interesse dos grandes no país, sendo especulado no Porto. 

"O Gil Vicente é um clube maravilhoso, me abriu as portas na Primeira Liga, tenho um carinho enorme. E tivemos muitas oportunidades de mercado no Gil Vicente. Não chegou nada de concreto para mim, mas via muito as notícias e conversava com meu agente sobre isso. Mas até hoje eu foco no meu trabalho, se eu parar de fazer meu trabalho não vai aparecer nada. Então continuei trabalhando, se fosse da vontade de Deus que eu fosse para outro lugar, iria", garantiu. 

A Champions: um capítulo à parte

O destino de Gabriel Pereira, entretanto, foi "mais frio". O brasileiro foi negociado com o Copenhague, da Dinamarca, para viver uma experiência completamente diferente.  

"Foi um clube que desde o início mostrou muito interesse para minha chegada, isso agradou muito a mim, a minha família. Procuramos saber da cidade, do próprio clube, o maior da Dinamarca. E está sempre jogando competições europeias, que é o que também me fez vir para cá. Quando cheguei, no primeiro ano, tive a oportunidade de jogar a Conference League, minha primeira competição europeia. Tivemos grandes jogos, contra o Betis, contra o Chelsea, acho que foi uma preparação boa para jogar esse ano a Champions League", revelou. 

Gabriel Pereira fala em "felicidade dobrada" pelo gol que marcou contra o Chelsea, nas oitavas da Conference, Mas a noite em que ouviu, do campo, o hino da Liga dos Campeões, estará para sempre em sua memória. 

"Foi a realização de um sonho. Trabalhamos bastante temporada passada para estarmos na Champions. Por mais que a gente fosse campeão, a gente ainda entra na pré-Champions, passamos por seis jogos ainda. Em especial para mim, fica o empate contra o Basel, que faço o gol. Foi também a primeira vez que ouvi o hino antes do jogo, certamente foi especial para mim", lembrou. 

Hoje adaptado ao futebol dinamarquês e também ao país, com a família feliz por lá, Gabriel ressalta a importância do brasileiro Robert, cria do Cruzeiro que chegou junto com ele no Copenhague, e também do franco-marroquino Elias Achouri, que ajudou muito a dupla brasileira nos primeiros meses. 

"O Achouri traduzia para a gente, como ele fala um monte de língua, ele ajudava bastante com as traduções. Mas já em Portugal eu estava fazendo aulas de inglês, entendia um pouco, mas sem falar muito. O Robert falava em português mesmo e as pessoas entendiam só com mímica (risos)", brincou. 

Seleção é sonho, e o Flamengo?

Atualmente, o Copenhague só tem mais um grande objetivo na temporada. Após terminar a primeira fase do campeonato fora da disputa pelo título, o clube volta suas atenções para a final da Copa da Dinamarca, contra o Midtjylland.

"A gente sabe que é uma das formas que temos de estar em competição europeia. Os jogos do campeonato vão ser importantes como preparação, até porque a final vai ser só em maio. Vai ser o jogo mais importante da temporada, poder ganhar o título e estar em uma competição europeia. É o que o clube merece, pelo tamanho dele", projetou Gabriel. 

O zagueiro de 25 anos tem como grande sonho "chegar na seleção brasileira". De longe, segue ajudando os pais, mas o futebol que o levou para longe de casa pode, também, reaproximá-lo geograficamente de Araruama. Especulado recentemente no Flamengo, Gabriel Pereira, que teve o nome vazado em um documentário gravado sobre o departamento de scout do Fla, vê com bons olhos um retorno em breve para o futebol brasileiro.  

"O futebol brasileiro é uma oportunidade, a gente vê grandes jogadores que estavam na Europa voltando, o que deixa a competição mais importante. Com certeza, tendo uma proposta, veria com bons olhos. Em relação ao Flamengo, como no caso do Porto, procuro não saber muito, mas se chegasse uma proposta, ficaria muito feliz, a gente sabe o tamanho do Flamengo. Estar sendo observado por um clube desse tamanho é sinal que o trabalho está sendo bem feito". 

O futuro ainda é incerto. De Gabriel e de todos nós. Mas certamente em Araruama, só há espaço para orgulho de um cidadão que tem o céu como limite. 

Impressum des Publishers ansehen