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·25. Juni 2026
Mourinho recorda Champions que venceu pelo FC Porto: “Foi como tocar no céu”

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José Mourinho regressou a um dos momentos mais marcantes da sua carreira e evocou a final da Liga dos Campeões de 2004, conquistada pelo FC Porto, num testemunho que rapidamente ganhou contornos de exceção. Ao longo da conversa, o treinador destacou a dimensão daquele feito, percorreu os desafios de uma carreira construída em vários países e abriu uma janela sobre a forma como vive a intensidade emocional do futebol. Ao resumir o que sentiu nesse instante maior, garantiu: “Foi como tocar no céu”.
Houve memória, balanço e uma franqueza pouco ensaiada nas respostas de José Mourinho, num registo em que o passado não surgiu como mera nostalgia, mas como referência para aquilo que continua a distinguir alguns dos maiores feitos no futebol europeu. Entre a noite histórica do FC Porto, a adaptação permanente a novos contextos e a vertigem emocional da profissão, sobressaiu a ideia de uma carreira moldada pela exigência e pela exceção.
Perante as recordações da final da Liga dos Campeões de 2004 pelo FC Porto, Mourinho não se limitou a revisitar o troféu: preferiu salientar a escala do que foi alcançado e o peso histórico que o tempo confirmou entretanto.
“A recordação é de que fizemos algo incrível. O facto é que, desde então – de 2004 até 2026 – nenhum clube português voltou a ganhar, nenhum clube português voltou a jogar uma final, nem sequer uma meia-final.”, afirmou. “Isso dá-te a dimensão do que fizemos. Foi como tocar no céu”.
Mais do que uma simples lembrança, a resposta assume-se como uma declaração de raridade. Mourinho encara esse triunfo como um ponto alto quase irrepetível, um daqueles momentos em que o futebol português, por breves instantes, parece confundir-se com o impossível concretizado.
De seguida, a conversa alargou-se e entrou no terreno mais vasto de uma carreira passada entre diferentes campeonatos e culturas. Nesse contexto, Mourinho descreveu a adaptação como o verdadeiro teste de resistência, aquele que não se mede apenas dentro das quatro linhas.
“No meu caso, adaptar-me a um novo país, a uma nova cultura, a tudo o que é novo. Até a uma nova língua, como na Turquia, que não me permite ser eu próprio, porque não consigo comunicar da mesma forma com os adeptos.”, explicou. “Mas a minha carreira é muito rica por causa disso: Espanha, Itália, Inglaterra, Portugal, Turquia… isso tornou-me uma pessoa e um treinador diferente”.
Nesta resposta, há menos celebração e mais aprendizagem. O treinador apresenta-se como resultado dessa caminhada constante, alguém para quem a mudança deixou de ser um obstáculo transitório para passar a fazer parte da própria identidade profissional.
A reflexão seguinte entrou no lado mais íntimo da função, onde a vitória e a derrota quase nunca têm tempo para assentar. Questionado sobre a forma como gere os altos e baixos emocionais do futebol, Mourinho foi direto, seco e elucidativo.
“Não tenho tempo para lidar com isso. Quando és jogador, tens tempo para desfrutar da vitória ou analisar a derrota. Quando és treinador, o jogo acaba, entras no autocarro e já estás a pensar no próximo.”, sublinhou. “Quando ganho, não tenho tempo para ir ao ‘paraíso’; quando perco, não tenho tempo para ir ao ‘inferno’. É paixão, apenas isso”.
É uma definição crua do ofício: viver tudo com intensidade sem, no entanto, parar verdadeiramente para o assimilar até ao fim. Na perspetiva de Mourinho, o treinador é empurrado constantemente para a frente pelo calendário, pela responsabilidade e por uma paixão que não concede pausas.
Houve ainda espaço para um exercício de regresso imaginário. Se pudesse voltar a orientar um jogo do passado, Mourinho não escolheu uma celebração, mas uma ferida.
“Seria a final da Liga Europa, Roma contra Sevilha. Com um árbitro diferente”.
A escolha revela tanto competitividade como memória. Mesmo quando olha para trás, Mourinho não procura apenas os dias em que tocou no céu; também fixa aqueles em que sente que o desfecho poderia ter sido outro.
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