Zerozero
·7. Januar 2026
«O clube não pagou, então os meus colegas atiraram televisões pela varanda e as chaves do carro ao mar»

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·7. Januar 2026

O '4 Cantos do Mundo' é um podcast do jornalista Diogo Matos que se uniu ao zerozero. O conceito é relativamente simples: entrevistas a jogadores/ex-jogadores portugueses que tenham passado por pelo menos quatro países no estrangeiro. Mais do que o lado desportivo, queremos conhecer também a vertente social/cultural destas experiências. Assim, para além de poder contar com uma entrevista nova nos canais do podcast nos dias 10 e 26 de cada mês, pode também ler excertos das conversas no nosso portal.
Dias antes de ter terminado a ligação com o União de Lamas, Hugo Seco esteve no '4 Cantos do Mundo' e partilhou várias histórias do seu trajeto internacional. Uma delas foi referente à sua passagem por Malta, onde, com 22 anos, representou o St. Lawrence Spurs..
«Pouco depois de chegar, percebi que não ia jogar na ilha principal, mas sim na de Gozo, que é uma mais pequena. No dia do primeiro treino fui surpreendido com o facto de o clube não ter equipamento para mim; eu só tinha chuteiras e tiveram de me arranjar uma peça de cada cor. Entretanto, fomos treinar às 18h e o treino era num daqueles campos com tabelas, 3x3. Quando vi pensei 'Não pode ser aqui', mas entretanto chegaram nove jogadores: um com a camisola do Barcelona, outro com a do Real Madrid... No final falei com o treinador e ele explicou-me que tínhamos treinado nove/dez porque os restantes estavam a trabalhar. É certo que no dia a seguir estavam mais, mas treinámos num campo pelado [risos]». começou por dizer, relembrando depois um episódio relacionado com o desfecho desta aventura:
«O campeonato terminou e no dia seguinte reunimos lá no clube. Tínhamos dois meses para receber, mas as pessoas do clube começaram a descontar o valor- nem um terço do total a que tínhamos direito iríamos receber. Disseram que tínhamos multas de velocidade, multas estacionamento, coisas de Internet.... Nós sabíamos que era mentira. Eu e os dois colegas com quem eu vivia começámos a discutir, mas entretanto eu disse que não valia a pena e voltámos para casa.
No dia a seguir tínhamos de apanhar o barco às 5h; entretanto eram 4h e eu comecei a ouvir muito barulho na estrada, coisas a partir. Os dois belgas que viviam comigo tinham dito que o clube não se ia ficar a rir, então acordei com eles a mandar as televisões e a louça pelo varanda: partiram a casa toda. Entretanto fomos para o barco, sendo que o diretor do clube tinha-nos pedido para deixarmos o carro no estacionamento e a chave no chão ao lado. Quando já estávamos a fazer a viagem, um dos meus colegas diz 'E há outra, quero ver como é que eles vão levar o carro' e atirou as chaves para o mar [risos].»
Apesar da experiência ter sido globalmente positiva, Hugo Seco reconhece que não foi o melhor para o seu desenvolvimento. «Os dias lá eram espetaculares, lembro-me que na primeira semana de dezembro ainda fiz praia lá em Malta. Do ponto de vista social foi incrível, mas na perspetiva futebolística aquela rotina não existe. Para quem tem ambição no futebol, aquilo não existe», rematou.









































