O que o Grêmio vai precisar evoluir na Copa do Mundo não tá escrito nos gibis…
O Grêmio venceu o Palestino por 2 a 0 na Arena e fez aquilo que precisava fazer. Não foi uma atuação brilhante, longe disso, mas o resultado mantém viva a chance de terminar a fase de grupos na liderança e evitar os play-offs da Copa Sul-Americana. E isso, neste momento da temporada, talvez seja o principal.
Porque o cenário era muito claro: empatar já seria ruim, praticamente obrigaria o Grêmio a disputar uma repescagem e ainda aumentaria um calendário que já é pesado. Depois do trauma do ano passado, quando caiu para o Alianza Lima numa campanha bastante decepcionante, o clube precisava evitar esse tipo de situação. A vitória sobre o Palestino deixa tudo nas mãos do próprio Grêmio. Basta vencer o Montevideo City Torque na próxima rodada, também na Arena, para assumir a primeira colocação do grupo e avançar diretamente.
Agora, se a análise for além do resultado, aí aparecem os problemas. O Palestino mostrou enormes limitações e, mesmo assim, o Grêmio novamente teve dificuldades para controlar o jogo. O time não convence, ainda parece distante da ideia de futebol imaginada quando Luís Castro chegou e continua dando sinais de que depende mais de momentos individuais do que propriamente de um funcionamento coletivo sólido.
O Grêmio iniciou praticamente com força máxima. A principal mudança foi Braithwaite no lugar de Carlos Vinícius. O desenho tático era um 4-2-3-1, com Luís Eduardo e Viery formando a dupla de zaga, Pavón e Pedro Gabriel nas laterais, Leonel Pérez e Noriega como volantes e uma linha ofensiva com Enamorado, Amuzu, Mec e Braithwaite.
O primeiro gol nasce justamente numa jogada em que aparece a fragilidade do adversário. O goleiro do Palestino espalma mal para dentro da área e Braithwaite se antecipa ao zagueiro para completar. Mérito do atacante pela leitura rápida da jogada, mas também um erro claro da defesa chilena.
O problema é que depois do 1 a 0 o Grêmio praticamente para de jogar. O primeiro tempo vira um jogo morno, sem intensidade, sem pressão e sem controle absoluto mesmo enfrentando um adversário tecnicamente muito inferior. No intervalo, Luiís Castro percebe isso e muda a estrutura. Tira Leonel Pérez, coloca Riquelme e deixa apenas Noriega na proteção da zaga. O time passa a ter mais presença ofensiva, com Mec ganhando companhia por dentro.
Só que nem assim o Grêmio melhora tanto quanto deveria. O time até cria algumas situações, principalmente pela fragilidade do Palestino, mas segue oferecendo espaços atrás. Em determinado momento do segundo tempo, o Everton precisa salvar uma chance clara dos chilenos após uma jogada em que a defesa gremista aparece completamente desorganizada. E aí entra um ponto importante: não é exatamente sobre o Palestino. É sobre o fato de que o Grêmio continua permitindo situações perigosas contra adversários muito abaixo tecnicamente.
O segundo gol sai num grande chute do Pavon após jogada construída por Amuzu. É um golaço, embora o goleiro chileno também tenha sua parcela de culpa porque a bola passa praticamente na linha dele. Antes disso, o Enamorado ainda desperdiça um contra-ataque ao segurar demais a bola e atrasar o passe para Amuzu.
Outro lance que chama atenção é a entrada do Kannemann. A Arena ovaciona o zagueiro, ele salva uma bola em cima da linha e vira um dos personagens da noite. Mas ao mesmo tempo fica o alerta: o Grêmio precisou de um salvamento em cima da linha contra o Palestino. Esse tipo de situação ajuda a resumir o momento do time.
No fim, o Grêmio fez o básico. Está vivo na Sul-Americana, saiu da zona de rebaixamento no Brasileirão, segue na Copa do Brasil e mantém a temporada relativamente controlada em termos de resultados. O problema é que o desempenho continua deixando muitas dúvidas.
A sensação é que o clube inteiro trabalha com a ideia de “sobreviver” até a parada da Copa do Mundo. A expectativa interna segue sendo usar aquele período como uma verdadeira pré-temporada para Luís Castro finalmente conseguir implementar melhor suas ideias. Até lá, o discurso parece muito mais voltado para resultado do que para desempenho.