Os motivos que vetaram e a esperança que Amuzu ainda tem de jogar a Copa
A situação envolvendo Amuzu e a seleção de Gana virou um problema delicado para o Grêmio justamente no pior momento possível da temporada. Porque o clube até entende a importância que uma convocação tem para qualquer jogador, ainda mais pensando em Copa do Mundo. O problema é o contexto. O Grêmio está na zona do rebaixamento, tem uma sequência pesada de jogos pela frente e simplesmente não quer perder um dos seus titulares por quatro partidas em um amistoso que sequer acontece em Data FIFA.
E é exatamente isso que está acontecendo agora. O Amuzu foi chamado pela seleção de Gana depois da troca no comando técnico da equipe. Um treinador português assumiu recentemente e começou uma espécie de observação mais ampla pensando justamente na convocação final para a Copa do Mundo. O detalhe é que essa convocação não parece ter sido uma convocação “normal”. O Grêmio até confirmou que já sabia desde a semana passada que o nome do jogador aparecia publicamente entre os chamados. Só que a documentação oficial da federação ganesa chegou apenas agora. E quando o clube recebeu toda a logística da viagem, percebeu o tamanho do problema.
Pela programação original, Amuzu perderia quatro partidas. Entre elas jogos importantes pelo Brasileirão e também pela Sul-Americana. E aí a direção gremista decidiu frear a liberação. Internamente, a leitura foi simples: não fazia sentido perder um jogador considerado titular absoluto em um momento tão complicado da temporada para amistosos fora da Data FIFA — ainda mais sem garantia concreta de que ele realmente estará na Copa do Mundo.
E esse talvez seja o principal ponto da história. O Grêmio entende que a convocação tem muito mais cara de teste do que de confirmação. A própria montagem da lista de Gana indica isso. Houve uma convocação focada quase totalmente em jogadores jovens e atletas que atuam no futebol local. O Amuzu praticamente foge desse perfil. É um dos poucos mais experientes e o único atuando fora do país dentro dessa lógica específica da convocação. Ou seja: parece muito mais um período de avaliação do novo treinador do que propriamente uma preparação definitiva para a Copa.
Mesmo assim, o Amuzu quer ir. E aí começa a parte mais delicada da situação. A informação é que o jogador tenta costurar uma solução intermediária entre as partes. A ideia seria permanecer em Porto Alegre pelos próximos dois jogos — contra Confiança e Bahia — e depois viajar para se apresentar mais tarde à seleção ganesa. Com isso, ele reduziria pela metade o número de partidas perdidas pelo Grêmio e ainda conseguiria participar do período de treinamentos com a seleção. O problema é que ainda não existe acordo fechado.
Dá para entender os dois lados dessa história. Do lado do jogador, existe a oportunidade talvez mais importante da carreira dele. Uma convocação pensando em Copa do Mundo muda completamente mercado, valorização e até futuro profissional. Do lado do Grêmio, a situação também é extremamente compreensível. O clube está pressionado na tabela, não vive um bom momento no Brasileirão e entende que simplesmente não pode abrir mão de uma peça importante por tanto tempo num período decisivo da temporada. Até porque o próprio Luís Castro já deixou claro nos últimos dias que considera Amuzu peça fundamental dentro do modelo atual com três zagueiros e atacantes jogando mais por dentro.
Enquanto isso, pelo menos surgiram algumas notícias positivas no ambiente gremista. Pedro Gabriel recebeu alta do hospital depois do susto contra o Flamengo. O lateral passou por avaliação por conta do protocolo de concussão, mas não teve nenhuma lesão mais séria constatada e deve voltar normalmente após nova reavaliação médica. Além disso, Luís Castro revelou que Arthur deve retornar antes da parada da Copa. A expectativa é que ele já fique à disposição para o confronto contra o Bahia.
Mesmo com o discurso interno tentando minimizar a situação na tabela, os números continuam preocupantes. O clube segue na zona do rebaixamento e também aparece muito mal nos recortes recentes do Brasileirão. Nas últimas dez rodadas, por exemplo, o desempenho gremista continua entre os piores da competição. É verdade que Luís Castro tem razão quando lembra que a distância para a parte de cima ainda é curta. Hoje poucos pontos separam o Grêmio da faixa do G6 ou G7. Só que ao mesmo tempo, o desempenho também não mostra exatamente um time em crescimento sólido.
Principalmente fora de casa. O Grêmio segue entre os piores visitantes do Campeonato Brasileiro, enquanto como mandante os números são um pouco menos preocupantes. Ainda assim, claramente abaixo do que a torcida esperava para a temporada. E no meio disso tudo aparece a Copa do Brasil quase como uma chance de respirar. O jogo contra o Confiança virou muito importante financeiramente e esportivamente. O Grêmio já venceu a ida por 2 a 0, enfrenta um adversário em crise na Série C e pode garantir mais uma premiação pesada se avançar de fase.
Num cenário em que o Brasileirão segue extremamente instável, a Copa do Brasil começa cada vez mais a ganhar cara de competição capaz de salvar o ano gremista.