Calciopédia
·4. Juni 2026
Os playoffs da Serie B 2025-26 devolveram o Monza à elite e condenaram o Bari ao descenso

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Chegou ao fim a competitiva e imprevisível Serie B 2025-26, que terminou com Venezia e Frosinone garantindo o acesso direto. A última vaga para a elite, porém, ainda precisava ser definida nos tradicionais playoffs. Agora, ela tem dono. O caminho até a primeira divisão terminou nas mãos do Monza, que conseguiu transformar a frustração por ter perdido o acesso direto em uma campanha bem-sucedida no mata-mata. Já na parte inferior da tabela, o playout confirmou a permanência do Südtirol e decretou o rebaixamento do Bari após uma temporada e uma eliminatória muito aquém das expectativas criadas em torno de um dos projetos mais ambiciosos da categoria, ao menos no papel.
Entre os postulantes ao acesso, o Monza aparecia como o elenco mais forte e experiente do grupo. Os brianzoli passaram boa parte da temporada brigando pelas primeiras posições, sustentados por uma defesa sólida e por jogadores acostumados aos palcos da Serie A. Ainda assim, alguns tropeços na reta final impediram a promoção direta. O Palermo de Pippo Inzaghi, quarto colocado, também chegou credenciado, impulsionado pela artilharia de Joel Pohjanpalo e pela experiência de um plantel construído para lutar pelo retorno à elite. Logo atrás apareceu o Catanzaro, novamente competitivo e impulsionado pela liderança técnica de Pietro Iemmello, enquanto a Juve Stabia repetiu a condição de surpresa agradável do campeonato.
Mais abaixo, o Modena garantiu sua vaga graças à consistência defensiva construída ao longo de toda a temporada regular. Sem apresentar um futebol particularmente vistoso, os canários compensaram a falta de brilho com organização e disciplina tática. Já o Avellino representava o time em maior ascensão no momento decisivo do campeonato. Recém-promovidos da Serie C, os irpini cresceram sob o comando de Davide Ballardini e transformaram uma campanha irregular numa classificação que parecia improvável alguns meses antes.
A fase eliminatória começou com os confrontos entre os times de menor colocação – quinto contra oitavo e sexto contra sétimo. No Nicola Ceravolo, o Catanzaro de Alberto Aquilani recebeu o Avellino sabendo que apenas a vitória interessava aos visitantes. Os campanos até começaram de forma competitiva, criando oportunidades com Dimitrios Sounas e tentando equilibrar as ações, mas a equipe calabresa cresceu ao longo do jogo. Simone Pontisso abriu o placar ainda antes do intervalo e, na etapa complementar, os donos da casa assumiram completamente o controle da partida. Tommaso Cassandro ampliou nos minutos finais e Iemmello fechou a vitória por 3 a 0 em cobrança de pênalti, classificando os giallorossi às semifinais.
Com golaço na ida das finais dos playoffs, o brasileiro Hernani encaminhou acesso do Monza (LaPresse)
No outro confronto preliminar, a Juve Stabia, mesmo fora de casa, superou o Modena de Andrea Sottil e avançou. Os campanos confirmaram a vocação para jogos eliminatórios que já haviam demonstrado durante a temporada regular, com um gol de Kevin Zeroli já no apagar das luzes, e deixaram para trás uma equipe que encontrou dificuldades para transformar sua consistência defensiva em capacidade de decisão. Assim, os classificados se juntaram a Monza e Palermo, que aguardavam diretamente nas semifinais por terem terminado mais acima na tabela.
A primeira semifinal colocou frente a frente Juve Stabia e Monza. No jogo de ida, disputado no Romeo Menti, os donos da casa, treinados por Ignazio Abate, pareciam caminhar para uma vitória confortável. O jovem Alessio Cacciamani brilhou ao participar diretamente dos gols de Nicola Mosti e Alvin Okoro, abrindo 2 a 0 para os campanos. O time de Paolo Bianco, porém, mostrou a experiência acumulada ao longo dos últimos anos e reagiu nos minutos finais, com seus zagueiros. Andrea Carboni descontou e, já aos 89 minutos, Filippo Delli Carri aproveitou uma cobrança de falta na área para empatar em 2 a 2, resultado que mudou completamente o cenário da eliminatória. Como tinham feito campanha melhor na temporada regular, os biancorossi jogariam por novo empate.
Na volta, disputada no U-Power Stadium, a partida permaneceu equilibrada durante grande parte do tempo. A Juve Stabia precisava vencer para avançar, mas teve dificuldades para transformar posse de bola em chances claras. Quando o relógio se aproximava dos minutos finais, a experiência de Patrick Cutrone apareceu. O atacante marcou aos 84 minutos, viu Rares Burnete empatar aos 90 e, quando a classificação parecia encaminhar-se para um desfecho dramático, principalmente após o gol inacreditável desperdiçado pelo uruguaio Agustín Álvarez, cara a cara com Alessandro Confente, o camisa 10 voltou a aparecer no quinto minuto de acréscimos para fazer 2 a 1 e colocar o Monza na decisão. O gol foi quase do meio de campo, já que o goleiro italiano havia renunciado a sua função, e já figurava entre os atacantes naquele momento da batalha.
Do outro lado da chave, o Catanzaro produziu uma das atuações mais impressionantes de toda a pós-temporada. Diante de um Ceravolo lotado, a equipe de Aquilani atropelou o Palermo por 3 a 0. Iemmello precisou de menos de um minuto para abrir o placar, voltou a marcar pouco depois e ainda serviu Mattia Liberali para fechar a goleada ainda antes do intervalo. Os sicilianos jamais conseguiram reagir e saíram da Calábria carregando uma desvantagem enorme para o jogo da volta.
Frustração: elenco do Catanzaro recebe reconhecimento da torcida após quase subir à elite (Arquivo/US Catanzaro)
No Renzo Barbera, porém, o Palermo tentou devolver a pressão. Empurrados por sua torcida, os rosanero venceram por 2 a 0, com gols de Pohjanpalo e Rui Modesto, criaram oportunidades suficientes para alimentar a esperança de uma remontada e pressionaram durante praticamente toda a partida. O Catanzaro resistiu, segurou a vantagem construída na ida e garantiu sua presença na final mesmo sendo derrotado. A classificação, entretanto, acabou dividindo espaço com acontecimentos lamentáveis fora das quatro linhas. A partida foi marcada por uma confusão envolvendo torcedores dos mandantes e dirigentes, familiares e integrantes da delegação visitante, além de denúncias de agressões e problemas de segurança registrados após o apito final.
A decisão colocou frente a frente dois clubes com histórias bastante distintas. O Catanzaro buscava retornar à Serie A após mais de quatro décadas de ausência. O Monza, por sua vez, tentava corrigir imediatamente o rebaixamento sofrido apenas um ano antes. No primeiro encontro, realizado no Ceravolo, os brianzoli deram um passo importante rumo ao objetivo. Apesar do equilíbrio e das chances criadas pelos dois lados, Hernani saiu do banco para marcar um golaço de fora da área aos 77 minutos. Já perto do fim, Giuseppe Caso aproveitou um contra-ataque para assinar mais uma pintura e deixar o time lombardo muito próximo do acesso com o 2 a 0.
A partida de volta teve quatro brasileiros em campo e ofereceu emoção até os minutos finais – atuaram, pelo Monza, Hernani e Paulo Azzi, e pelo Catanzaro, Fellipe Jack e Matias Antonini. Disputada em 29 de maio, data que ocupa um lugar especial no coração dos torcedores biancorossi, já que, há exatos quatro anos, em uma vitória sobre o Pisa, o time lombardo conquistou seu primeiro acesso à elite do futebol italiano, a decisão ganhou contornos ainda mais simbólicos.
O Catanzaro entrou em campo precisando de uma atuação igualmente histórica e até conseguiu devolver o placar, com gols do zagueiro ítalo-brasileiro Fellipe Jack e de Ruggero Frosinini. Durante alguns momentos, a equipe calabresa pareceu realmente capaz de construir a remontada, pois jogou melhor e pressionou muito a meta defendida por Demba Thiam. Iemmello teve oportunidades importantes, Filippo Pittarello levou perigo em mais de uma ocasião e o Monza passou boa parte da segunda etapa defendendo sua vantagem. Ainda assim, os visitantes não conseguiram encontrar o terceiro gol que levaria ao acesso. Beneficiado pela melhor campanha na temporada regular, o Monza jogava por dois resultados iguais e garantiu a promoção mesmo com a derrota em casa. Ao apito final, muita festa para quem vestia biancorosso e choro copioso entre os giallorossi.
Com dois empates sem gols, o Südtirol selou sua permanência na segundona e condenou o Bari (Arquivo/FC Südtirol)
Já o playout colocou frente a frente duas equipes que passaram a temporada inteira flertando com o perigo, e que em campo, não foram suficientes para resolver com sequer um gol nos dois jogos. Na ida, diante de quase 28 mil torcedores no San Nicola, Bari e Südtirol ficaram zerados. Os altoatesinos, beneficiados pela melhor campanha na fase regular, deixaram a Apúlia em situação confortável, já que poderiam garantir a permanência com um novo empate na volta.
Mesmo longe de empolgar tecnicamente, o time do veterano Fabrizio Castori mostrou mais consistência ao longo da partida e criou as melhores oportunidades, exigindo boas intervenções de Michele Cerofolini e chegando a acertar a trave em uma de suas investidas. Do outro lado, os apulianos sentiram o peso da responsabilidade, produziram pouco ofensivamente e terminaram a noite sob vaias de uma torcida que já demonstrava preocupação com o desfecho daquela temporada. A revolta com a família De Laurentiis, proprietária do tradicional clube do sul da Itália, já vem de longa data.
No estádio Druso, no extremo norte do país, o roteiro praticamente se repetiu. O Bari entrou em campo sabendo que apenas a vitória impediria o rebaixamento, mas encontrou dificuldades para transformar a necessidade em pressão. O Südtirol controlou melhor os espaços, teve um gol de Emanuele Pecorino anulado após revisão do VAR e ainda acertou a trave com Salvatore Molina, enquanto os visitantes responderam apenas em ações isoladas, incluindo uma boa oportunidade de Emanuele Rao e uma finalização de Christian Gytkjaer que parou em grande defesa de Marius Adamonis. Ambos os times somaram muitas oportunidades, mas a falta de pontaria recorrente durante as 38ª rodadas voltou a aparecer no momento mais decisivo.
O segundo empate sem gols consecutivo garantiu a salvação dos tiroleses graças à vantagem obtida na classificação final da Serie B. Para o Bari, o resultado representou o capítulo final de uma campanha marcada por instabilidade dentro e fora de campo. Três anos depois de bater na trave na luta pelo acesso à Serie A, o clube apuliano viu seu percurso seguir na direção oposta e acabou rebaixado à terceirona após quatro temporadas consecutivas na segunda divisão.
No fim das contas, os mata-matas confirmaram algo que já parecia evidente durante boa parte do campeonato: o Monza possuía um dos elencos mais fortes do certame. O caminho até a promoção esteve longe de ser tranquilo. Houve sustos contra a Juve Stabia, sofrimento diante do Catanzaro e momentos em que o acesso pareceu escapar. Ainda assim, os brianzoli encontraram maneiras de sobreviver a cada obstáculo. Um ano depois do descenso, o clube retorna à Serie A ao lado de Venezia e Frosinone, enquanto o Catanzaro fica novamente muito perto de encerrar sua longa espera: depois de duas quedas nas semifinais, dessa vez viu a última porta permanecer fechada. O time lombardo abriu a sua e voltou à elite do futebol italiano.







































