Portal dos Dragões
·12. Juli 2026
Paulo Bento analisa alvo do FC Porto: “Nunca é bom comparar, mas…”

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O mercado do FC Porto ainda não entrou na fase de aceleração que André Villas-Boas, presidente dos dragões, admitiu recentemente para uma etapa mais avançada do verão. Ainda assim, a SAD já tem alvos definidos e continua a analisar os próximos passos, sobretudo no que toca a Hwang In-beom, um dos nomes apontados como possível reforço para o meio-campo. Conhecido de Francesco Farioli – os dois coincidiram na Eredivisie em 2024/25 -, o centrocampista de 29 anos, que representa o Feyenoord, surge com um perfil interessante e, acima de tudo, distinto daquele que o treinador portista tem hoje ao dispor no setor.
Por isso, A BOLA foi ouvir quem melhor conhece o internacional sul-coreano e procurou Paulo Bento, um dos responsáveis pelo crescimento do jogador. Ao atender a chamada, o antigo selecionador mostrou-se satisfeito: «É um gosto falar sobre o In-beom.» Foi o técnico português quem lançou Hwang, então com 21 anos, na seleção principal da Coreia do Sul, em 2018. «O que retirei dos quatro anos que trabalhei com o In-beom, e também com os outros jogadores, é uma capacidade de trabalho muito grande, assim como um grande respeito pela hierarquia e uns pelos outros. É algo caraterístico», disse Paulo Bento ao nosso jornal.
«Depois é um jogador com uma capacidade de trabalho incrível, alguém que entende o jogo muito bem, também do ponto de vista defensivo. Não se destacando no ponto de vista da corpulência, é agressivo nos duelos, um jogador que não tem medo», destacou o técnico de 57 anos, estabelecendo uma comparação com um ex-FC Porto… ainda que com cautelas: «Nunca é bom comparar, mas assemelha-se um pouco ao que era o João Moutinho. Como dizem os espanhóis, as comparações são sempre odiosas, mas iria por aí.»
No plano tático, Paulo Bento não hesita: Hwang In-beom pode tornar-se um trunfo importante para Farioli. «É muito evoluído. Dou o exemplo: num 4x2x3x1, pode jogar como número 10 ou no duplo pivô. Se se quiser jogar com características diferentes na posição 6 de um 4x3x3, ele pode fazê-lo com qualidade e facilidade, fruto do entendimento tático que tem e da execução técnica que apresenta», explicou o treinador, que também vê o médio confortável «em qualquer posição de um losango».
Sem querer antecipar o mercado, Paulo Bento acredita que o ex-pupilo está preparado para dar o salto. «Diria tranquilamente e com convicção que o In-beom é um jogador que encaixaria em qualquer um dos três grandes do futebol português. E já o defendo há algum tempo. Já esteve no Olympiakos, no Feyenoord… Com todo o respeito, esta possibilidade [FC Porto] é um patamar acima e para o qual estaria preparado. Não tenho a menor dúvida», avaliou o ex-selecionador, convicto de que, se o processo avançar, a adaptação de Hwang ao novo contexto não será problema. «Fala inglês com facilidade. Está na Europa há mais de cinco anos e já passou por Rússia, Grécia, Sérvia e Países Baixos, onde trabalhou com vários treinadores, de várias nacionalidades. Não me parece, de todo, um problema», rematou Paulo Bento.
Ao longo dos quatro anos em que orientou a seleção da Coreia do Sul, Paulo Bento criou uma «forte empatia» com muitos dos jogadores que treinou. Hwang In-beom não fugiu à regra e chegou mesmo a ser apelidado de Príncipe de Bento. «É algo que também saída do próprio grupo, porque os outros também vão vendo e brincando… Os colegas, provavelmente na brincadeira, iam dizendo que o In-beom era o Príncipe ou, de certo modo, que seria um bocadinho o meu filho. Todas essas situações foram dando para se criar a tal boa relação e para se criar o rótulo, mas no bom sentido», explicou Paulo Bento.

Paulo Bento ficou com ligação próxima dos jogadores que treinou na Coreia do Sul – Foto: Instagram/Hwang In-beom
«O In-beom foi um dos jogadores que captou logo a atenção e a empatia foi-se desenvolvendo. São sentimentos que se criam como parte de um processo longo. Essa ligação continua a existir e ainda hoje mantenho contacto, não só com ele, mas com muitos outros jogadores. É uma ligação que ficará para a vida», sublinhou o treinador português, a A BOLA
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