Zerozero
·26. Mai 2026
«Período sem clube? Chorava de raiva na passadeira do ginásio e o meu cunhado gritava que eu ia dar a volta»

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·26. Mai 2026

O '4 Cantos do Mundo' é um podcast do jornalista Diogo Matos que se uniu ao zerozero. O conceito é relativamente simples: entrevistas a jogadores/ex-jogadores portugueses que tenham passado por pelo menos quatro países no estrangeiro. Mais do que o lado desportivo, queremos conhecer também a vertente social/cultural destas experiências. Assim, para além de poder contar com uma entrevista nova nos canais do podcast nos dias 10 e 26 de cada mês, pode também ler excertos das conversas no nosso portal.
No final de uma época em que representou o Ujpest e o Mantova, Tiago Gonçalves esteve no nosso podcast e falou sobre vários momentos da sua carreira. Um das histórias mais emocionantes que partilhou foi sobre o que viveu no final do ano 2023, altura em que se viu sem clube.
«Esta foi a parte da minha carreira que me fez chegar onde estou agora. Falei com o Novara para rescindir, mas eles foram maus comigo: fizera-me assinar a rescisão um/dois dias depois do mercado fechar. Ou seja, eu não estava como jogador livre e tive de fazer tudo em casa de agosto até janeiro. Olhei para o espelho e pensei 'O que é que vou fazer? Vamos lá treinar.'», começou por dizer, indo mais longe:
«Falei com o Rodrigo Quaresma, um grande amigo meu que jogava no Estoril B, e pedi para treinar lá. O treinador aceitou logo... Estamos a falar de treinos à noite, com pessoas que trabalhavam durante o dia. Eu na altura tinha um bom carro e apareci numa realidade daquelas com ele: não batia nada certo. Treinávamos num artificial que parecia asfalto, mas encontrei um grupo de verdadeiros homens. Aliás, digo que esta experiência fez-me crescer imenso em termos de maturidade: ter contrato com o Genoa e com o Valladolid e, pouco depois, estar a treinar na distrital...»
O regresso ao ativo, isto depois de ter passado por clubes como Genoa e Valladolid, fez-se com a ajuda de uma pessoa que Tiago considera fundamental para a sua carreira.
«Comecei a treinar de forma mais intensa com o meu cunhado [personal trainer], ia para a passadeira e chorava. Lembro-me muito bem de um treino que tivemos em que estávamos só eu ele no ginásio. Ele estava aos berros "Vais dar a volta, vamos conseguir" e eu corria e chorava de raiva na passadeira. A música aos berros... Devo-lhe mesmo muito», agradeceu, explicando depois como arranjou clube:
«O Belenenses estava na Segunda Liga e precisava de um lateral esquerdo. Tentei ligar ao presidente do Belenenses, o Patrick Morais de Carvalho, mas, como ele não me atendeu, fui ao Restelo. Expliquei-lhe a minha situação e pedi-lhe para treinar, disse que não precisava de salário e que nem me importava de começar na equipa B. Paguei do meu bolso a transferência internacional e, depois de um treino com a equipa B, fui logo para a equipa A. Faço a primeira semana e, depois, o treinador que lá estava e que ia ficar comigo, foi despedido. Entretanto veio o mister Vasco Faísca, que não me conhecia e disse que me ia ver. Aos 23 anos custou-me ouvir isso, mas na semana seguinte assinámos.»







































