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·8. Januar 2026
Pietuszewski, a nova <i>coqueluche</i> do Dragão: «Seleção principal? É uma questão de tempo»

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·8. Januar 2026

Depois de garantir a contratação de Thiago Silva ainda antes da abertura do mercado de inverno, o FC Porto voltou a analisar as opções disponíveis e avançou para a aquisição de Oskar Pietuszewski, jovem extremo polaco que deverá integrar em breve os trabalhos orientados por Francesco Farioli.
Com apenas 17 anos - completa 18 em maio -, o atacante chega ao Dragão com o objetivo de lutar por um lugar na equipa do atual líder da Liga Portugal Betclic. O elevado investimento envolvido, na ordem dos dez milhões de euros, bem como a cláusula de rescisão fixada nos 60 milhões de euros, deixam antever a confiança do clube no seu potencial e a possibilidade de uma gestão mais criteriosa do esforço dos jogadores mais utilizados.
Perante a chegada do jovem ao futebol português, o zerozero procurou perceber quem é Oskar Pietuszewski, que se estreou no escalão sénior na temporada 2024/25 ao serviço do Jagiellonia Bialystok, turma em crescendo no país, depois de se ter sagrado campeão polaco em 2023/2024.
Pegámos no telefone e entrámos em contacto com dois jogadores portugueses que conviveram de perto com o atleta - Edi Semedo e Tomás Silva -, ambos impressionados com a qualidade do novo reforço do FC Porto.
O percurso de Pietuszewski é relativamente simples de traçar, uma vez que esteve sempre ligado ao Jagiellonia Bialystok, clube onde cumpriu todas as etapas de formação até chegar à equipa principal. Desde cedo começou a destacar-se, competindo de forma consistente acima do seu escalão etário.
A 29 de agosto de 2024, a sua carreira ganhou outra dimensão, ao ser lançado por Adrian Siemieniec na equipa principal com apenas 16 anos. O adversário foi o Ajax, então orientado por Francesco Farioli. Apesar da derrota por 3-0 não permitir grandes recordações do ponto de vista coletivo, o momento aos 74 minutos marcou para sempre o jovem extremo.
Esse foi o primeiro passo nos seniores do Jagiellonia Bialystok, numa temporada em que dividiu a utilização entre a equipa principal e a formação B. Ao serviço do Jagiellonia Bialystok B, realizou 12 jogos e apontou cinco golos. Já pela equipa principal, terminou a época com 23 partidas disputadas, somando um golo e uma assistência.
Apesar de ter sido titular apenas em seis ocasiões, deixou sinais muito positivos, levando Adrian Siemieniec a continuar a apostar no seu talento. Os números registados até dezembro reforçam essa confiança, pois contabilizou 31 encontros disputados e três golos marcados, confirmando a evolução sustentada de um jogador visto como aposta clara para o futuro.
Mas, afinal, o que o torna tão especial? «Quando se estreou tinha apenas 16 anos, mas apresentava uma irreverência muito diferente dos colegas da mesma idade. Quando cheguei, a meio da temporada 2024/25, já era uma aposta clara do clube, apesar de ainda dividir o tempo entre a equipa principal e a equipa B», começou por explicar Edi Semedo, que tem estado afastado dos relvados nos últimos meses devido a uma lesão no braço.
«Percebia-se que era um extremo muito destemido, forte no um para um e com boa capacidade de drible. É irreverente, não tem receio de enfrentar o adversário. Muitas vezes isso soa a cliché quando falamos de jovens atletas, mas no caso dele é mesmo verdade. Acima de tudo, é um jogador de grande qualidade», acrescentou o avançado português, antes de dar a palavra a Tomás Silva, que também confirmou o talento de Oskar Pietuszewski.
«Trabalhámos uma época inteira juntos e deu para perceber que era claramente acima da média. É muito irreverente, pode marcar a diferença nesse aspeto. Mesmo que falhe a primeira ou a segunda abordagem, vai tentar a terceira e a quarta. No 1x1 é que se evidencia», referiu o médio que atualmente representa o Dobrudja Dobrich, da Bulgária.
Fortemente cobiçado neste mercado de transferências de inverno, Oskar Pietuszewski foi apontado a distintos destinos, mas escolheu o FC Porto. Decisão acertada? «Foi uma boa escolha, mesmo sem sabermos todas as opções que ele tinha. Aos poucos, vai perceber a grandeza do FC Porto. Neste momento há muitas opções para as alas, mas se investiram dez milhões de euros é por alguma razão», vincou Edi Semedo, indo mais longe:
«No início, poderá ser utilizado a partir do banco de suplentes. Terá de lutar pelo lugar, o que será difícil, mas tem capacidade para somar minutos. O FC Porto atravessa um excelente momento e, por vezes, é complicado mexer nas peças que já estavam. Na minha opinião, é uma contratação pensada para o futuro.»
A mesma ideia foi defendida por Tomás Silva. «Ele vai para um patamar diferente, o FC Porto é um clube muito grande. Terá de atravessar um período de adaptação devido à idade e ao pouco tempo que tem no futebol profissional. No meu entender, trata-se de uma aposta de médio/longo prazo», disse o ex-FC Vizela, que falou em que alturas é que o polaco será mais útil.
«Não será fácil para um miúdo de 17 anos conquistar o seu espaço devido à forte concorrência no plantel. Ainda assim, se lhe derem oportunidade, vai aproveitar para mostrar a sua qualidade. Cabe ao treinador explorar ao máximo as suas características. Tem capacidade para ser decisivo em jogos mais fechados, quando a equipa precisar de alguém capaz de desequilibrar. Pode ser o jogador certo para isso», comentou, abordando também os pontos a melhorar:
«Acima de tudo, temos de ter noção que estamos a falar de um rapaz de 17 anos, que está na fase inicial da carreira. Não é um jogador feito, tem muita coisa a melhorar, sobretudo no que toca à definição no último terço. Ele sabe disso. Se tiverem paciência com ele e incidirem o foco nesse tipo de aspetos, poderá tornar-se um caso sério. O potencial é muito grande.»
Já analisámos as estatísticas, a qualidade e os pontos a melhorar por parte de Oskar Pietuszewski. A vertente humana, essa, também assume um papel importante. «Sinceramente, não tive muito contacto com ele fora dos relvados. Era um miúdo algo extrovertido. No ambiente em que estava inserido, percebia-se que os amigos gostavam dele; parecia ser uma pessoa tranquila», destacou Edi Semedo.
Tomás Silva acabou por ter uma opinião mais fundamentada, uma vez que conviveu de perto com ele durante um longo período. «O povo polaco acaba por ser um pouco mais reservado do que nós, digamos assim. Mas percebi que era um miúdo calmo, uma pessoa normal. Como ainda estava a dar os primeiros passos na equipa principal do Jagiellonia Bialystok, não se sentia muito à vontade para brincadeiras.»
Um jogador irreverente, com uma capacidade técnica acima da média e um bom rapaz fora do futebol. Até onde poderá chegar o extremo polaco?
«Dificilmente não alcançará a seleção nacional. Se as coisas correrem bem no FC Porto, será chamado. Mas é difícil prever até onde chegará, pois depende de muitos fatores: tempo de jogo, rendimento, adaptação, entre outros. No entanto, acho que pode dar muito que falar», concluiu o médio português.
«Se ele conseguir manter a consistência que mostrou no Jagiellonia Bialystok, acredito que dará o salto para um patamar ainda superior. Seleção nacional? É apenas uma questão de tempo, até porque estão numa fase de renovação. O Oskar já é titular nos sub-21, apesar de ter apenas 17 anos. Já queimou muitas etapas devido ao seu potencial e rendimento imediato. O facto de ter o Bednarek e o Kiwior ao lado também ajudará neste percurso, pelo menos nesta fase», acrescentou Edi Semedo.
Não sabemos quando é que Oskar Pietuszewski pisará o relvado do Estádio do Dragão pela primeira vez, mas as expectativas são cada vez mais elevadas relativamente a um jogador que poderá ser bastante útil nesta segunda metade da temporada, isto tendo em conta as suas caraterísticas.









































