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·16. April 2026

Por que Abel pegou 7 jogos enquanto Ceni pegou 1? O STJD não explica

Artikelbild:Por que Abel pegou 7 jogos enquanto Ceni pegou 1? O STJD não explica

Rogério Ceni saiu de campo depois da derrota para o Palmeiras e foi direto para a coletiva. Chamou a arbitragem de “vergonhosa”. Disse que “o VAR foi uma vergonha”. Fez isso diante de câmeras, microfones e repórteres de dezenas de veículos — em declaração pública, registrada, sem qualquer ambiguidade. O STJD o puniu com um jogo de suspensão.

Abel Ferreira foi expulso dentro do campo contra o São Paulo. Segundo a súmula do árbitro Anderson Daronco, o técnico do Palmeiras chamou o juiz de “cagão”. O STJD também usou um vídeo tirado das redes sociais — com dublagem — para concluir, por leitura labial, que Abel teria dito “filho da p***”. O árbitro não registrou esse palavrão na súmula oficial. O STJD o puniu com sete jogos de suspensão.


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A mesma instituição. O mesmo campeonato. Critérios completamente diferentes.

Por que Abel foi suspenso pelo STJD?

Abel Ferreira foi punido pelo STJD em abril de 2026 por duas expulsões no Campeonato Brasileiro: uma contra o Fluminense e outra contra o São Paulo. A soma resultou em oito jogos — reduzidos para sete pelo Pleno após recurso do Palmeiras.

No jogo contra o Fluminense, Abel foi expulso por reclamação dura ao quarto árbitro Luiz Tisne. A 2ª Comissão Disciplinar aplicou dois jogos, reduzidos para um no recurso.

No jogo contra o São Paulo, o técnico foi expulso com dois amarelos por reclamação. O árbitro Anderson Daronco registrou na súmula que Abel o chamou de “cagão”. Até aqui, uma expulsão comum de banco de reservas — o tipo que acontece com frequência no futebol brasileiro.

O que torna o caso singular é o que veio depois: a procuradoria do STJD apresentou ao tribunal um vídeo retirado das redes sociais com dublagem, no qual uma leitura labial supostamente mostraria Abel dizendo “filho da p***” — palavrão que o próprio árbitro não relatou na súmula. Com base nesse vídeo, a punição saltou para seis jogos apenas pelo episódio do Choque-Rei.

O Palmeiras reagiu em nota oficial no site do clube: “Em decisão que foge aos preceitos historicamente adotados pelas comissões disciplinares, nosso treinador foi punido com rigor desproporcional, em uma sessão que considerou, entre outras imprecisões, uma leitura labial sem qualquer respaldo pericial e trouxe à tona episódios pretéritos pelos quais o profissional já havia sido penalizado.”

O que o STJD aceitou como prova no caso Abel

Este é o ponto mais delicado juridicamente: o tribunal utilizou um vídeo de origem e autenticidade não verificadas, com dublagem, retirado de redes sociais, como base para uma condenação mais severa.

O árbitro Daronco, responsável pela súmula — documento oficial e primário do julgamento —, não registrou o xingamento mais grave. Registrou apenas “cagão”. A súmula é a prova judicial padrão em casos de desrespeito à arbitragem. O vídeo com leitura labial é, no mínimo, uma prova secundária e controversa.

A defesa de Abel questionou a validade desse material. O Palmeiras, em comunicado, chamou o uso do vídeo de “imprecisão”. Juristas do direito desportivo também levantaram dúvidas sobre o precedente criado: se vídeos dublados de redes sociais passam a ser admissíveis como prova, qualquer técnico pode ser condenado com base em material editado.

O benchmarking que o STJD não quer ver

O Portal do Palestra levantou os casos mais relevantes de punições a técnicos pelo STJD no Brasileirão em 2025 e 2026 para uma comparação direta. Os dados revelam um padrão difícil de explicar.

⚖️ Benchmarking STJD — Punições a técnicos no Brasileirão (2025–2026)

Fontes: STJD, ESPN Brasil, Lance!, Torcedores.com, Gazeta Esportiva, nota oficial do Palmeiras (palmeiras.com.br) | Dados referentes ao período 2025–2026 do Campeonato Brasileiro. Nota editorial: A tabela inclui apenas casos com punições documentadas e confirmadas publicamente pelo STJD. Punições automáticas por acúmulo de cartões amarelos não foram consideradas.

Os números colocam a punição de Abel em perspectiva. Rogério Ceni, em declaração pública pós-jogo, utilizou palavras como “vergonhosa” e “vergonha” para descrever a atuação da arbitragem — em entrevista coletiva, diante de câmeras, sem ambiguidade. Recebeu um jogo. Abel, no calor do jogo, dentro do campo, recebeu sete.

Renato Gaúcho, envolvido em confusão mais intensa durante Bahia x Grêmio, recebeu quatro jogos. Ainda assim, menos da metade do que foi aplicado ao técnico do Palmeiras.

A diferença mais impactante está no tratamento do efeito suspensivo — mecanismo jurídico que permite ao punido continuar exercendo sua função enquanto recorre da decisão. Em casos similares anteriores, o STJD costuma conceder o efeito suspensivo para preservar o direito à ampla defesa. No caso de Abel, o pedido foi negado — o que o impediu de comandar o Palmeiras no Dérbi contra o Corinthians, em 12 de abril.

O próprio Palmeiras citou esse precedente na nota oficial, afirmando que “em numerosos casos similares, o mesmo tribunal concedeu esse pedido como forma de garantir o pleno direito à defesa”.

O vídeo dublado: um precedente perigoso para o futebol brasileiro

A questão do vídeo com leitura labial vai além do caso Abel. Ela cria um precedente jurídico preocupante para o futebol brasileiro.

Se um material tirado de redes sociais, com dublagem e sem perícia técnica, pode ser usado para agravar uma punição — ignorando o documento oficial do árbitro —, qualquer treinador ou jogador pode ser condenado com base em conteúdo editado, fora de contexto ou deliberadamente fabricado.

Criadores de conteúdo nas redes sociais produzem diariamente vídeos com dublagens e leituras labiais de partidas de futebol. Muitos são satíricos ou inventados. Aceitar esse tipo de material como prova judicial sem exigir laudo pericial é, no mínimo, uma fragilidade institucional grave.

Qual o saldo real da suspensão para o Palmeiras?

Com sete jogos de suspensão e parte já cumprida, Abel Ferreira ainda desfalca o Palmeiras em múltiplos jogos decisivos do Brasileirão. O clube lidera ou disputa as primeiras posições e está na fase de grupos da Copa Libertadores, com a próxima partida prevista para 16 de abril.

A ausência do treinador em jogos de alta pressão — como o Dérbi que terminou 0 a 0 sem ele no banco — coloca a questão além do campo emocional: trata-se de uma desvantagem competitiva concreta, em um campeonato que o Palmeiras disputa para vencer.

Perguntas frequentes

Por que Abel Ferreira foi suspenso pelo STJD?

Abel Ferreira foi suspenso por sete jogos pelo STJD após duas expulsões no Campeonato Brasileiro 2026: uma contra o Fluminense (1 jogo) e outra contra o São Paulo (6 jogos). No segundo caso, além da súmula do árbitro, o tribunal utilizou um vídeo com leitura labial retirado de redes sociais para agravar a punição.

Quantos jogos Abel Ferreira está suspenso?

A punição original era de 8 jogos. Após recurso ao Pleno do STJD, a pena foi reduzida para 7 jogos. Como parte já foi cumprida, restam 4 jogos de suspensão a partir de meados de abril de 2026.

O STJD pode usar vídeo de redes sociais como prova?

O caso Abel Ferreira criou um precedente controverso: o STJD utilizou um vídeo com dublagem, retirado de redes sociais, como evidência para agravar a punição. O próprio árbitro não registrou o xingamento mais grave na súmula oficial. A defesa do Palmeiras e juristas do direito desportivo questionam a validade desse procedimento.

Como a punição de Abel se compara a outros técnicos?

Rogério Ceni recebeu 1 jogo por chamar a arbitragem de “vergonhosa” em coletiva pública. Renato Gaúcho recebeu 4 jogos por incidente no campo. Abel recebeu 7 jogos por expulsões no campo. A discrepância é o principal argumento do Palmeiras para contestar o tratamento recebido.

Abel Ferreira comandou o Palmeiras no Dérbi contra o Corinthians?

Não. O STJD negou o efeito suspensivo solicitado pelo Palmeiras, impedindo Abel de comandar o time no clássico de 12 de abril de 2026, que terminou 0 a 0 no Allianz Parque. O clube classificou a negativa como “tratamento desigual”.

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