Zerozero
·13. März 2026
Por que é que ainda dá gosto pagar bilhete na Alemanha? Estugarda espelha uma identidade

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·13. März 2026

Quantas vezes tivemos aquela discussão com amigos sobre o melhor sítio para se ver futebol na Europa? Maior parte das respostas são encaminhadas para Inglaterra, outras para Espanha e Itália, países donos dos maiores e mais nobres recintos do mundo.
O futebol alemão é muitas vezes 'encostado para canto' nestes acesos debates. Somente a Allianz Arena e o Signal Iduna Park são chamados à 'mesa dos grandes', criando, assim, uma visão desajustada do real paradigma futebolístico no país.
A verdade é que a atmosfera vivida nos complexos desportivos dos emblemas com menor expressão são tão (ou mais!) fascinantes do que as casas que abrigam Bayern München e Borussia Dortmund. Com vista ao embate entre Stuttgart e FC Porto, o zerozero esteve na MHPArena e saiu deslumbrado com o que viu.
Numa primeira instância, fomos recebidos por todos os responsáveis das intermediações com uma grande dose de simpatia e cortesia. Fomos direcionados para a espaçosa sala de imprensa, talhada para receber um vasto número de profissionais. Em Portugal, por exemplo, são poucos os clubes abastecidos de um local minimamente amplo, sendo por vezes difícil de encontrar um 'buraquinho' para montar a câmara.
Subimos posteriormente para o quarto andar, rumo à Tribuna de Imprensa. Ao caminharmos para os nossos respetivos lugares, deparamo-nos com vários monitores predispostos em fila, com imagens que nos permitiam seguir a par e passo as incidências do jogo - algo que não encontramos de forma recorrente em solo luso. Para alguém que tem de acompanhar cada jogada com uma atenção redobrada, ter a possibilidade de assistir aos lances numa perspetiva mais aproximada é uma ferramenta bastante útil.
A primeira impressão com o 'palco' foi deveras impressionante. A densa cobertura que envolve o estádio garante uma sensação de conforto, mas sobretudo de grandiosidade. A visão tornou-se ainda mais memorável quando a 'moldura' humana se juntou à causa. Os mais de 60 mil assentos foram preenchendo-se gradualmente e, como tal, a euforia proveniente das bancadas era cada vez mais palpável. No entanto, não foi preciso esperar pelo apito inicial para ficar com 'pele de galinha'.
Quando o tema musical Stuttgart kommt começou a entoar nas colunas, todos os adeptos se levantaram e alçaram os seus cachecóis no ar, cantando o hino em uníssono. Na 'Cannstatter Kurve' - zona atrás da baliza, onde se situam os simpatizantes mais fervorosos -, as múltiplas bandeiras de formatos e dimensões distintas criam uma atmosfera mais intimidante, mais pesada. Apesar do setor mencionado ser o único destinado a lugares em pé, quando os ânimos se exaltam, são poucos os adeptos que ficam 'colados' nas suas cadeiras.
Com os dois golos portistas anotados de rajada - e festejados de forma efusiva pelos jogadores azuis e brancos -, o ruído dentro da MPH Arena tornou-se, subitamente, ensurdecedor. Os níveis superlativos de desagrado por parte da massa associativa acabaram mesmo por se traduzir no terreno de jogo. O ambiente não deixou certamente a equipa da casa indiferente, que prontamente cresceu no jogo na busca incessante de 'acalmar os ânimos'. Deniz Undav procurou ser porta-voz do inconformismo, com um golo que incendiou ainda mais as bancadas.
Os protagonistas dos schwaben não se podem queixar de falta de apoio pela derrota, num ambiente tão eletrizante como foi o da passada quinta-feira. Numa outra nota, o FC Porto foi 'levado ao colo' pelos três mil apaixonados que se deslocaram a Estugarda. Embora estivessem em larga minoria, a energia transmitida pelos adeptos azuis e brancos durante todo o compromisso.foi contagiante. Até na viagem ao recinto, a paixão dos simpatizantes da Invicta pelo seu clube foi bastante audível nas ruas da cidade. Uma verdadeira invasão ao sudoeste da Alemanha.
Sem sombra de dúvidas, a MHPArena é um retrato fiel daquilo que torna o futebol alemão tão especial. Entre cânticos entoados numa só voz, bandeiras em riste e uma ligação clara entre os jogadores e a bancada, percebe-se facilmente que o bilhete pago pelo espetáculo estende-se para fora das quatro linhas.
O futebol como tanto amamos está mais do que vivo e Estugarda é a maior prova disso.
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