Sabia que o Haiti já venceu o Brasil? É verdade, mas tem o que se lhe diga... | OneFootball

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·19. Juni 2026

Sabia que o Haiti já venceu o Brasil? É verdade, mas tem o que se lhe diga...

Artikelbild:Sabia que o Haiti já venceu o Brasil? É verdade, mas tem o que se lhe diga...

Depois de uma jornada inaugural que deu que falar e com algumas surpresas, a 2ª ronda da fase de grupos já está em andamento. Nesta madrugada de sexta-feira para sábado, há um reencontro entre Haiti e Brasil, onde, por estranho que pareça, os caribenhos já foram felizes, embora num jogo que deu que falar. 

Vamos por partes.


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Olhando para o histórico de jogos entre as duas seleções, a história é curta, como seria de esperar, com apenas três duelos entre ambas, todos eles vitórias canarinhas e todas elas expressivas. 

4-0 num jogo de preparação em 1974, 0-6 noutro jogo de preparação em 2004 e 7-1 na Copa América 2016, onde os haitianos foram convidados.

Contudo, uma pesquisa mais aprofundada, com direito a referência em jornais antigos, fala-nos de uma vitória do Haiti ante a canarinha em 1999. Surpreendente, não é? Por isso mesmo, quisemos saber mais. Até porque tem muito que se lhe diga.

Caraíbas palco da história...assim assim

Tudo começou na entretanto extinta Taça das Caraíbas, uma prova criada em 1989 que juntava as várias Associações de Futebol membro da União de Futebol das Caraíbas (CFU). Por vezes, no entanto, a CFU convidada membros de outra Confederações, para complementar a sua fase de grupos. 

Foi o caso.

Em 1999, por forma a tentar dar maior notoriedade ao Torneio - que teve a sua última edição em 2017, antes de ser substituída pela Liga das Nações da CONCACAF -, a CFU convidou o Brasil, à data tetracampeão mundial - venceria mais um Mundial depois, em 2002

Era, evidentemente, ambicioso. Afinal, falávamos de uma seleção brasileira com nomes como DidaCafuRonaldinho GaúchoZé RobertoRivaldoRonaldoAmoroso ou Antônio Carlos, apenas para nomear alguns. Vanderlei Luxemburgo era o selecionador.

Mas o mais surpreendente é que a CBF aceitou o convite, embora com algumas nuances. É que, em vez de enviar a sua seleção principal para o torneio, a CBF decidiu enviar a sua seleção masculina Sub-20, alegando questões estratégicas para esta decisão. 

A imprensa internacional da altura foi mais longe e especificou essas questões estratégicas. Em primeiro, o conflito com a Copa América 1999. uma vez que que na altura da Taça das Caraíbas o Brasil estava focado na preparação para a Copa. Em segundo, a CBF pretendia utilizar este torneio para que a sua seleção Sub-20 preparasse o Mundial da categoria, que teria lugar um mês depois. Por fim, a CBF considerava, como esperado, este como um torneio menor, que não traria qualquer benefício técnico e causaria desequilíbrio no mesmo.

Posto isto, o sorteio ditou que a seleção Sub-20 do Brasil ficaria no grupo B - já depois da fase preliminar e a 1ª ronda terem definido as restantes sete seleções caribenhas a ir à fase final -, juntamente com São Cristóvão e Neves, Cuba e...Haiti.

Os jovens canarinhos - que tinham, entre eles, o ex-Sporting Fábio Rochemback - até arrancaram com uma vitória por 5-0 sobre São Cristóvão e Neves, mas perderam na jornada seguinte contra Cuba por 0-1. Na 3ª e decisiva jornada, para decidir quem avançava para as meias finais, Haiti e Brasil precisavam de vencer.

Não há muita informação sobre o desenrolar do jogo, uma vez que houve pouca cobertura mediática do mesmo, mas certas publicações detalham brevemente o sucedido e conseguimos saber que o Haiti teve uma histórica vitória por 3-4. Os golos canarinhos foram apontados por De Souza, Da Silva e Alessandro Salvino, enquanto três dos haitianos foram apontados por Gabriel Michel, Wilson Chevalier e Patrick Tardieu - um dos maiores da história do Haiti. Falta informação sobre o autor do 4º golo do Haiti (ou se um dos nomes anteriores bisou).

Declarações de Tardieu

«Eu lembro que tinham algumas jogadas duras. Aí, a bola chegou até mim através de um passe do Tigana, creio eu, que era um dos nossos melhores jogadores. Cruzou para mim. A bola veio, eu olhei para a baliza e pensei: 'é a minha chance'. Bam. Fiz o 4-3 (...) Logo depois de marcar eu pensei: 'Caramba, eu marquei contra a minha equipa?'. Conseguem imaginar? Como se explica isso? É muito estranho, eu gostaria de ir a um psicólogo e perguntar porque é que nós haitianos amamos tanto o povo brasileiro», lembrou, em conversa com a Globoesporte, Patrick Tardieu.

«Eu amo o Brasil. Acho que é algo que vem dos anos 70. Na altura, os nossos pais amavam muito ver aquele tipo de futebol. Era ballet na relva. Enquanto estou a falar, posso garantir: tenho centenas de amigos meus, homens de negócios bem sucedidos, que estão a perder tempo a ver o que se passa no Brasil, o que o treinador está a dizer sobre o Neymar», acrescentou.

Atualmente com 58 anos, Tardieu é visto como uma das maiores figuras da história do futebol haitiano, sendo mesmo o primeiro jogador do Haiti da história a jogar na MLS, quando, em 1996, assinou pelos New England Revolution. Recorda esse jogo de sorriso na cara e riso contagiante, não desvalorizando o feito, mesmo sendo contra a Seleção Sub-20 do Brasil.

«Se olhares para uma seleção Sub-20 do Brasil de hoje em dia, tens nomes como o Endrick, Estevão. Têm uma grande seleção, que vai dificultar muito a vida à Seleção do Haiti. Era o caso naquela época. Então sim, eu reivindico: nós vencemos o Brasil. Nós deixámo-los de joelhos. A 24 de junho, quando os defrontarmos, apesar de eu os amar, vamos tentar deixá-los de joelhos novamente. Seria incrível», concluiu.

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