Central do Timão
·11. Juni 2026
SAFiel apresenta projeto e discute proposta de SAF com presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians

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A SAFiel, grupo que defende a implementação de uma Sociedade Anônima do Futebol no Corinthians, realizou nesta quinta-feira uma reunião com Leonardo Pantaleão, presidente em exercício do Conselho Deliberativo do clube. O encontro teve como foco a apresentação detalhada da proposta protocolada pela iniciativa junto ao Timão no começo de junho.
Segundo a própria SAFiel, a conversa foi utilizada para esclarecer pontos do projeto, debater possíveis ajustes e iniciar o planejamento de uma futura exposição da proposta aos demais integrantes do Conselho Deliberativo. A intenção do grupo é ampliar o debate interno sobre a viabilidade do modelo sugerido para o futebol alvinegro.

Foto: Divulgação/SAFiel
O documento entregue ao Corinthians prevê uma captação inicial de R$ 2,5 bilhões, valor que poderia alcançar R$ 3 bilhões caso a procura dos investidores supere as expectativas estabelecidas. A destinação dos recursos inclui a redução do endividamento do departamento de futebol, reforço nos investimentos esportivos, melhorias estruturais, ampliação dos mecanismos de governança e apoio ao clube social.
Pelo formato apresentado, todos os ativos e obrigações ligados ao futebol profissional seriam transferidos para a nova empresa. Isso incluiria contratos comerciais, receitas de transmissão, direitos econômicos e federativos de atletas, marcas relacionadas ao departamento e demais compromissos financeiros vinculados à modalidade.
A gestão desses ativos passaria a ocorrer de maneira independente das demais áreas do Parque São Jorge. Ainda assim, o clube associativo manteria participação na estrutura societária da futura SAF e seguiria conectado ao projeto por diferentes mecanismos institucionais.
Entre as contrapartidas previstas, o Corinthians receberia royalties estimados em R$ 600 milhões ao longo de uma década pela utilização de sua marca. O plano também contempla a expansão de acordos comerciais para outras modalidades esportivas e a criação de canais permanentes de cooperação entre as partes.
Outro ponto destacado no projeto é a manutenção de uma chamada golden share pelo clube. Esse instrumento garantiria poderes especiais em decisões estratégicas, incluindo a possibilidade de vetar determinadas medidas relacionadas à condução da empresa.
A proposta ainda prevê uma estrutura de governança composta por diferentes órgãos de controle e administração, como Conselho de Administração, Conselho Fiscal, Conselho Cultural e Comitê de Governança.
Um dos aspectos centrais defendidos pela SAFiel é a pulverização do capital da futura empresa. O grupo propõe que as ações com direito a voto sejam adquiridas exclusivamente por torcedores corinthianos, com aportes a partir de R$ 250 e limites máximos de participação por CPF.
Investidores institucionais poderiam participar apenas por meio de ações sem poder de voto, caso fosse necessária uma complementação na captação de recursos prevista para a operação.
Além disso, o texto estabelece mecanismos voltados à preservação da identidade histórica do Corinthians. Entre eles estão restrições para alterações em elementos como nome, escudo, cores e símbolos oficiais do clube.
Também foi incluída uma cláusula de reversibilidade. Na prática, ela permitiria ao Corinthians reassumir o controle do futebol em cenários específicos, como descumprimento de obrigações consideradas essenciais, falhas graves de gestão ou descaracterização da identidade institucional.
Para que a operação seja efetivamente concretizada, o projeto ainda precisaria passar por diversas etapas formais. Entre elas estão aprovações internas dos órgãos estatutários do clube, realização de due diligence por uma empresa independente, análises regulatórias e votação final dos associados em Assembleia Geral.
Por se tratar de uma carta de intenções sem caráter vinculante, o documento não obriga qualquer das partes a concluir o negócio. Ainda assim, a SAFiel solicita que a proposta seja submetida à análise da presidência do Corinthians, do Conselho de Orientação e do Conselho Deliberativo antes de eventual deliberação dos sócios.
Conforme determina o estatuto vigente do clube, temas relacionados a investimentos e mudanças estruturais dependem da atuação da diretoria executiva, atualmente presidida por Osmar Stabile. Já o Cori possui função consultiva e fiscalizadora, analisando matérias quando formalmente encaminhadas pelos órgãos competentes.
O grupo também divulgou um cronograma preliminar para a implementação do projeto. A previsão contempla cerca de um ano entre a eventual aceitação da proposta e o início efetivo das operações da SAF, incluindo fases de auditoria, avaliação patrimonial, registros junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), apresentações para investidores, definição da governança e votação em Assembleia Geral.
A carta de intenções possui validade inicial de 60 dias após sua assinatura, podendo ser prorrogada por consenso entre as partes ou permanecer em vigor até a formalização dos documentos definitivos.
Nos últimos dias, a SAFiel lançou uma plataforma digital destinada a reunir manifestações de apoio da torcida à análise formal da proposta. De acordo com números divulgados pelo grupo, mais de 43 mil torcedores já haviam realizado cadastro até a noite desta quinta-feira, demonstrando interesse no debate sobre o futuro modelo de gestão do futebol corinthiano.







































