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·17 July 2026

A nova onda das SAFs: por que os clubes brasileiros estão mais cautelosos?

Article image:A nova onda das SAFs: por que os clubes brasileiros estão mais cautelosos?

A gestão das SAFs no futebol brasileiro tem se tornado um cenário cada vez mais comum. Após as primeiras levas dos clubes-empresa, está surgindo uma nova onda, com objetivos diferentes das anteriores. O desespero financeiro já não é mais o único foco dessa procura, fato que deixa as equipes mais cautelosas para concretizar essa transformação.

Agora, os novos negócios já nascem sob a Nova Lei das SAFs e as novas regras de Fair Play Financeiro da CBF.


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Rivais em Campinas, Guarani e Ponte Preta são possíveis clubes a aderirem a essa às SAFs. Nessa nova onda, mas em um processo muito a frente da dupla campineira e já em fase de execução está a SAF Juventus. Começou em outubro do ano passado em uma operação de R$ 480 milhões (ao longo de 10 anos) por 90% do futebol do clube.  E já começa a colher os frutos após o título da série A2 e o retorno a elite do Campeonato Paulista.

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Juventus (durante jogo-treino com o São Paulo). Após a SAF, conquistou a Segundona Paulista. Assim, voltou à elite. Foto: Rubens Chiri / São Paulo FC

SAF e a queda de imposto

As mudanças com a transformação em um clube-empresa, nos dias de hoje, vão muito além de saciar e reduzir as dívidas e da modernização da infraestrutura. Afinal, tem principalmente o intuito de aproveitarem as novas regras tributárias que entram em vigor a partir de janeiro de 2027. Com isso, os impostos que os clubes pagam podem saltar para cerca de 16% de tudo que se arrecada. Caso virem SAF, esse imposto cai para 5%.

“O modelo associativo tradicional está com os dias contados a partir de 2027 devido ao aumento de custos em comparação ao formato empresarial. Afinal, se as primeiras ondas de SAFs foram motivadas pelo sufoco financeiro, busca por investidores e melhora em campo, o próximo movimento será impulsionado pela sobrevivência tributária. Assim, a reforma tributária vai desencadear uma nova onda de migrações focada estritamente na eficiência fiscal”, destaca o advogado especialista em direito desportivo, Cristiano Caús, sócio do CCLA Advogados, escritório que atuou no processo de clubes se tornarem SAFs no país e SADs fora do Brasil.

O início

A nível de comparação, a primeira leva das SAF’s, considerada por muitos a fase do desespero financeiro, tinha como objetivo principal saciar as dívidas bilionárias, afastando qualquer possibilidade, mínima que fosse, de fechar as portas. O pontapé inicial foi com  Ronaldo, que comprou 90% das ações da SAF do Cruzeiro. Na sequência, o Botafogo também foi adquirido pelo americano John Textor por R$ 400 milhões por meio da sua holding multiclubes, posteriormente chamada de Eagle Football Holdings. No Vasco da Gama, a empresa norte-americana 777 Partners comprou 70% das ações da SAF cruzmaltina por aproximadamente R$ 700 milhões.

Tal urgência por investimentos para salvar os clubes fez com que muitos contratos deixassem inúmeras brechas regulatórias. Estas  não blindaram contra colapsos dos próprios investidores, e agora alguns clubes colhem negativamente os frutos disso.

No movimento seguinte, o processo para equipes como Bahia e Atlético Mineiro se tornarem SAFs pareceu contar com um caráter mais profissional do que o anterior. Foram negociações mais longas e complexas, com contratos mais amarrados.

Esta nova onda das SAFs consolida uma nova era de maturidade jurídica, exigência técnica e sobrevivência institucional no futebol brasileiro. Enfim, ao rejeitarem a venda integral e imediata do controle, os clubes passam a blindar sua identidade por meio de modelos híbridos ou minoritários.

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