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·23 June 2026
António Silva: «Há uma perseguição, a culpa é sempre do António»

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António Silva saiu em defesa própria. O central do Benfica, numa entrevista ao canal de YouTube de João Oliveira, respondeu às críticas recorrentes de que tem sido alvo e garantiu que a pressão já não o afeta da mesma forma que no passado.
O defesa reconhece que existe uma tendência para lhe atribuir responsabilidades, mas diz que encontrou a forma de lidar com isso. «Não gosto de me vitimizar, mas acho que há uma perseguição, às vezes, da culpa é do António», afirmou, acrescentando que o que controla é o seu trabalho diário no centro de estágio. Admitiu que, quando era mais jovem, a pressão pesava mais, mas que hoje está «perfeitamente calejado» para esse tipo de situações, considerando inclusive que essa experiência o vai tornar mais preparado para os momentos difíceis da vida.
«O que eu posso controlar é o meu trabalho e eu sei que o faço bem: sou o primeiro a chegar ao centro de estágio, ginásio, a tomar pequeno-almoço, a ir à fisioterapia. É a minha vida, é o que eu gosto e é o que eu controlo. Admito que no passado quando era mais novo sim, porque tudo era um mar de rosas. Depois, um erro, dois, algo que é perfeitamente normal, espero que os tenha, porque é sinal de que estou a jogar. Mas hoje não, estou muito calejado para isso, estou perfeitamente habituado a isso. A nível pessoal vai ser muito bom para a minha vida, porque já sei lidar com momentos difíceis e algo que possa passar também para os meus filhos. Portanto, estou perfeitamente habituado a essa pressão»
António Silva identificou o jogo com a Geórgia no Euro 2024 como o momento em que as críticas tomaram uma dimensão desproporcionada. Jogador do Benfica com uma estreia na equipa principal muito rápida, oriunda diretamente dos juniores, sabia desde cedo que qualquer erro seria amplificado. «Muita mentira contada passa a ser verdade, criam-se estereótipos de jogadores», disse, lamentando que, com 19 ou 20 anos, em vez de apoio, tenha recebido críticas sistemáticas.
«Sim, tive uma ascensão muito rápida, passo dos juniores para a equipa A. E, fruto daquilo que é a minha primeira época no Benfica, muito boa, sabia que ao primeiro erro ia levar uma martelada. É o futebol. Depois muita mentira contada passa a ser verdade, cria-se estereótipos de jogadores, depois aquele erro que tive na Seleção, foi a partir daí que as coisas tomaram uma proporção gigante, que para mim não faz sentido. Na altura tinha 19, 20 anos. Acho que até devia ser um pouco ao contrário, deviam apoiá-lo, um jogador português, do Benfica, é bom para a Seleção. Apoiá-lo e não dar constantes marteladas, mas o futebol é assim, fruto de ser jogador do Benfica. Existe essa perseguição de floppar o jogador, mas criticarem ainda mais e isso comigo tomou proporções muito grandes e apoio-me nas pessoas que gostam de mim», afirmou, referindo-se ao jogo com a Geórgia, no Euro 2024.
Para ilustrar a sua posição, o central recordou um erro de Pepe no mesmo torneio, considerando que a reação pública teria sido diferente. «Da mesma maneira que eu errei com 20 anos, o Pepe errou com 41, eu vou errar quando tiver 31, faz parte do jogo», sublinhou, citando também Otamendi e Tomás como exemplos de que os erros são inevitáveis e transversais.
«Nesse mesmo torneio [Euro 2024], o Pepe tem um erro que é perfeitamente normal, não dá golo, mas se desse não iam fazer o mesmo que fazem comigo. É o Pepe, é incomparável, mas só para dizer que, da mesma maneira que eu errei com 20 anos, o Pepe errou com 41, eu vou errar quando tiver 31, faz parte do jogo. O Otamendi também o faz, o Tomás também o faz. É errar e no jogo seguinte estar lá para dar a cara»
Apesar das críticas, António Silva não esconde o orgulho pelo percurso feito. Recorda que foi capitão do Benfica pela primeira vez aos 19 anos, sendo o mais jovem de sempre a assumir a braçada no clube, e que soma já 181 jogos pelos encarnados. «O que é que eu posso pedir mais?», questionou, numa declaração que resume a satisfação pessoal com o caminho percorrido, independentemente do ruído externo.
O defesa central, que não foi convocado para o recente Mundial de Clubes, continua a ser uma das figuras centrais do Benfica e da seleção nacional, apesar das turbulências mediáticas que marcaram a sua ainda jovem carreira.
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