Calciopédia
·22 April 2026
Após semifinais eletrizantes, Inter e Lazio irão decidir a Coppa Italia

In partnership with
Yahoo sportsCalciopédia
·22 April 2026

As semifinais da Coppa Italia entregaram dois roteiros bem diferentes, mas igualmente marcados por tensão, instabilidade emocional e competitividade. Ambos os confrontos terminaram empatados na ida, o que deixou a definição das vagas bem aberta para a volta. E, no fim das contas, Inter e Lazio levaram a melhor: no dia 13 de maio, no Olímpico de Roma, as equipes irão repetir a decisão da temporada 1999-2000.
De um lado da chave, a Inter protagonizou uma virada dramática contra o Como em San Siro, transformando um jogo que parecia escapar em uma vitória construída na marra, na insistência e na qualidade de seus jogadores. Do outro, Atalanta e Lazio fizeram uma semifinal muito mais travada, de poucas concessões e enorme carga estratégica, que foi resolvida apenas nos pênaltis – após 120 minutos de equilíbrio e nervosismo. Foram dois jogos que reforçaram uma característica típica de mata-mata: não basta jogar bem por longos períodos, é preciso saber sobreviver aos momentos críticos. E, eventualmente, a força mental acaba pesando mais do que qualquer domínio territorial.
No caso da Inter, o enredo foi de recuperação. No da Lazio, de resistência. Em uma semifinal, o time de Milão precisou reagir a um placar adverso e encontrar respostas ofensivas durante a partida; na outra, a equipe romana soube suportar a pressão, aproveitar sua chance e se manter viva até uma disputa por pênaltis absolutamente caótica. Confira, a seguir, as análises das partidas.
Sucic entrou no segundo tempo e dividiu o protagonismo com Çalhanoglu: ambos balançaram as redes e forneceram assistências (Getty)
A vitória da Inter foi daquelas que dizem muito sobre repertório ofensivo e poder de reação, mas que também deixam alertas claros sobre a consistência defensiva. Um roteiro típico da Pazza Inter, que o técnico Cristian Chivu – perto de conquistar dois títulos em seu ano de estreia – conhece bem. Curiosamente, foi a segunda virada dos nerazzurri sobre o Como de Cesc Fàbregas em 10 dias. Em ambas, os lariani ganhavam por 2 a 0.
O time começou com volume, criou cedo e teve oportunidades com Bonny, Barella e Thuram, mas encontrou um adversário muito confortável em atacar os espaços. O Como não apenas suportou a pressão inicial como mostrou, desde os primeiros minutos, que tinha ferramentas para ferir a Inter. Baturina já havia levado perigo antes de abrir o placar aos 32, aproveitando assistência de Van der Brempt para finalizar no canto e premiar uma equipe visitante que parecia mais objetiva e lúcida nos momentos-chave.
O início da etapa final ampliou esse cenário. Logo aos 48, o capitão Da Cunha fez 2 a 0 em contra-ataque, após passe de Paz, e empurrou a Inter para uma situação de urgência total – em ambos os tentos, chamou a atenção os espaços deixados pelos mandantes na cobertura. O mais interessante na reação nerazzurra foi a mudança de eixo do jogo a partir das substituições e, sobretudo, da influência direta de Sucic ao lado de Çalhanoglu. Assim, passou a fazer o Como recuar.
Até então, a Beneamata rondava a área, mas tinha dificuldade para transformar pressão em dano real. Com Sucic em campo, o time ganhou um articulador de apoio e de último passe; com Çalhanoglu assumindo o protagonismo técnico, passou a encontrar finalizações mais limpas. O gol de 2 a 1, aos 69, nasce exatamente dessa combinação: assistência do croata e conclusão do turco de fora da área. Era o lance que recolocava a Inter mentalmente no jogo.
A partir daí, a partida virou um exercício de sufoco e resistência. A Inter empurrou mais o Como para trás, acumulou escanteios, cruzamentos e finalizações, mas o adversário continuou perigoso quando conseguia escapar – Diao chegou a perder chance cara a cara com Martínez. Essa “trocação” tornou a reta final ainda mais caótica. O empate veio aos 86, em uma jogada que simbolizou a insistência da equipe milanesa: cruzamento de Sucic e cabeçada de Çalhanoglu. O Como, mesmo abalado, ainda teve chances claras, principalmente em bolas alçadas e em jogadas com Paz articulando. Houve espaço para um jogo completamente aberto, sem controle, em que qualquer lado poderia encontrar o terceiro gol.
Mas a Inter teve mais talento para resolver o caos. Aos 89, Sucic apareceu na área para marcar o 3 a 2, novamente em lance com participação de Çalhanoglu, fechando uma atuação decisiva da dupla. Ainda assim, o desfecho não foi tranquilo: o Como seguiu acreditando, criou nos acréscimos, obrigou Martínez a trabalhar e quase empatou na última bola, quando Kempf cabeceou com perigo.
No fim, a Beneamata saiu classificada com méritos pela capacidade de reação e pelo peso de seus jogadores mais influentes, mas também com sinais de alerta. Sofreu muito contra transições, permitiu diversas finalizações e precisou de uma recuperação emocional grande para corrigir um jogo que se complicou por falhas próprias. Já o Como deixou a partida derrotado, porém valorizado pela coragem, pela organização ofensiva e pela sensação de que esteve muito perto de eliminar um adversário superior. Por pouco, não disputou a primeira final de Coppa Italia de sua história.
Da luta contra o rebaixamento na Serie B ao heroísmo na Coppa Italia: reforço de janeiro, Motta é celebrado pelos colegas de Lazio (Getty)
Atalanta e Lazio fizeram um jogo de mata-mata no sentido mais puro: intensidade, poucos espaços, muitas interrupções, bolas paradas decisivas e um nível alto de tensão do início ao fim. A Dea começou mais agressiva, ocupando o campo ofensivo e criando as melhores situações do primeiro tempo. Zalewski, Djimsiti, Krstovic e Zappacosta participaram de uma pressão inicial forte, com boa presença pelos lados e ameaça constante em cruzamentos e segundas bolas. A Lazio, por sua vez, foi mais contida, tentando sobreviver ao ímpeto rival e buscar saídas com Zaccagni e Cancellieri. Não foi um primeiro tempo brilhante tecnicamente, mas foi muito competitivo, com a equipe da casa transmitindo a impressão de que estava mais próxima de abrir o placar.
No segundo tempo, o desenho se manteve parecido, ainda que com maior equilíbrio emocional e estratégico. A Atalanta continuou chegando mais, tanto que chegou a balançar a rede com Éderson aos 61, mas o gol foi corretamente anulado após revisão do VAR, que pegou falta de Krstovic em Motta – no entanto, um toque no braço de Gila, na origem do lance, passou batido. Esse momento teve peso importante, porque mexeu com o ritmo do jogo e com a percepção de controle da equipe de Bérgamo. A Lazio, que até então parecia mais reativa, começou a encontrar algum conforto na partida e passou a ameaçar com mais clareza. Inclusive, também reclamou de pênalti de Scalvini, por toque no braço, mas a arbitragem deixou passar novamente.
As substituições também mudaram o comportamento dos times: a Atalanta ganhou novas peças para empurrar o jogo, enquanto a Lazio apostou em energia e profundidade para suportar a pressão e atacar quando possível. O placar finalmente saiu em bola parada, o que combinava com a natureza do confronto. Aos 84, Romagnoli apareceu para fazer 1 a 0 para a Lazio, aproveitamento cruzamento de Zaccagni em escanteio. Era um golpe duro para a Atalanta, que havia produzido mais volume. Só que a resposta foi imediata e mostrou a força competitiva do time da casa: praticamente no lance seguinte, Pasalic empatou com finalização da entrada da área, que desviou em Taylor e morreu nas redes.
Esse 1 a 1 relâmpago transformou o fim do tempo regulamentar em um novo jogo, mais emocional do que tático. A Atalanta pressionou, criou nos acréscimos e teve cabeçada de Scamacca explodindo na trave – decisivo o desvio de Motta, que jogou a bola em direção ao poste. A sensação era de que a classificação passava repetidamente a centímetros de distância.
Na prorrogação, o jogo ficou mais pesado, fragmentado e nervoso. A Atalanta ainda teve mais iniciativa, mais cruzamentos e alguns lances de presença ofensiva, mas já sem a mesma lucidez. A Dea ainda enxergou um novo gol de Raspadori ser anulado por impedimento de Zappacosta. A Lazio aceitou o sofrimento, defendeu como pôde e levou a disputa para os pênaltis, onde o roteiro descambou para o improvável.
Foi uma série marcada por erros e defesas em sequência: Nuno Tavares, Scamacca, Cataldi, Zappacosta, Pasalic e De Ketelaere desperdiçaram, enquanto só Raspadori, Isaksen e Taylor converteram. Brilhou a estrela de Motta, jovem goleiro da seleção sub-21 da Itália, que chegou em janeiro. Em janeiro, o arqueiro foi contratado junto à Reggiana, atual lanterna da Serie B, e virou titular por necessidade, após a lesão de Provedel. Respondeu como protagonista, dando sentido a uma temporada mediana do time de Maurizio Sarri, com quatro pênaltis defendidos. Só não pegou o primeiro, mas não sentiu a pressão de ver sua equipe atrás na disputa e fez história.
Por causa de Motta, 2025-26 pode terminar com taça e vaga na Liga Europa para os celestes. Algo que não estava no roteiro, considerando os enormes percalços na Serie A, onde a equipe está estacionada no meio da tabela. Para a Atalanta de Raffaele Palladino, fica a frustração de ter parecido mais próxima da classificação durante boa parte do confronto e não ter conseguido transformar superioridade territorial em vantagem no placar.









































