Zerozero
·8 March 2026
Bebeu do conhecimento de Ricardo Costa e é o novo <i>xerife</i> do Casa Pia

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·8 March 2026

Álvaro Pacheco chegou ao Casa Pia no jogo que marcou a passagem da primeira para a segunda volta, frente ao Sporting. Nesse encontro, que terminou com uma vitória dos leões por 3-0, José Fonte, campeão europeu por Portugal, apresentou problemas físicos e saiu aos 37 minutos. Vinha sendo uma peça basilar dos gansos desde o começo da temporada, assumindo também a responsabilidade de envergar a braçadeira de capitão.
A lesão gerou, consequentemente, uma substituição nos casapianos. O timoneiro da equipa lançou Khaly para o jogo em Alvalade e, daí em diante, nunca mais saiu de campo. Claro que o jogador já saiu das quatro linhas, mas nunca antes do apito final ou do intervalo. Quer isto dizer que o defesa completou todos os minutos disputados pelo Casa Pia desde então.
No encontro da 25.ª jornada da Liga Portugal Betclic, no empate com o Estoril Praia (0-0), defensor assinou uma grande exibição. Mas qual é a história de Khaly?
Na realidade, Khaly é apenas uma alcunha. Domingos José Gabriel Bandeira é o nome do central que chegou ao emblema luso na temporada 2024/2025. Nascido na capital angolana, o atleta deu os seus primeiros toques numa primeira liga bem longe do continente europeu. Foi no seu país de nascimento que fez a sua estreia sénior, mais precisamente no 1º de Agosto.
Após duas temporadas entre os sub-20, os «bês» e a equipa principal do emblema angolano, Khaly mudou radicalmente de ares e rumou ao futebol europeu. O FC Dila, emblema da liga georgiana, garantiu a contratação do jovem, que viria a somar 27 jogos ao longo da sua temporada de estreia.
O treinador que o guiou na sua aventura na Geórgia não é uma cara estranha aos amantes do futebol português. Falamos de Ricardo Costa, antigo internacional A português. O ex-FC Porto e ex-Boavista - com uma vasta experiência no estrangeiro - acabou por ser o mentor do defesa de 1,92 metros.
Khaly absorveu muitos conhecimentos do timoneiro luso e a sua temporada não passou despercebida ao Casa Pia. Foi o nono jogador com mais jogos disputados na equipa, demonstrando já uma boa experiência no seu primeiro ano no estrangeiro. Nesse sentido, os gansos desembolsaram cerca de 360 mil euros para garantir a sua contratação.
A realidade é que o defesa demorou a encontrar o seu melhor futebol em Portugal. Durante a temporada transata - a primeira em território lusitano - Khaly fez apenas um jogo oficial pela equipa principal do emblema casapiano. Somou apenas um minuto nesse encontro - curiosamente entrou para o lugar de José Fonte.
No entanto, esta temporada ganhou uma nova vida. João Pereira lançou o angolano no triunfo sobre o Ançã (0-3), emblema da distrital da AF Coimbra. Disputou a partida na sua totalidade, no entanto, foi essa a única vez que jogou sob a alçada do antigo treinador do Casa Pia. Seguiu-se Gonçalo Brandão ao leme dos gansos, sendo que este não deu qualquer tempo de jogo a Khaly.
Álvaro Pacheco estendeu a mão ao número 3 dos alvinegros e prontamente lhe deu uma oportunidade no seu jogo de estreia - recorde-se que foi contra o bicampeão nacional. A tarefa não era fácil, porém Domingos Bandeira cumpriu, merecendo ser promovido ao lote de titulares. Seguiu-se depois uma grande exibição contra o FC Porto, encontro em que o Casa Pia venceu os dragões por 2-1.
A capacidade física de Khaly é uma clara vantagem e isso tem sido notório nos últimos duelos do emblema lisboeta. No empate a zero com o Estoril Praia, o atleta angolano voltou a fazer um brilharete - foi considerado o melhor em campo pelo zerozero. A entrega no momento defensivo não foi novidade, sendo já uma imagem de marca do jogador, que por várias vezes acaba com os calções sujos no relvado.
Apesar de atuar numa zona recuada, o defesa chegou ainda a tentar encontrar o caminho da baliza canarinha, embora sem sucesso.
A sua capacidade de transporte de bola e o afinco são outras qualidades que ficaram bem visíveis para quem assistiu ao duelo frente à equipa da Linha.
Em conferência de imprensa, Álvaro Pacheco explicou o que mais mudou desde a sua chegada: «Tem a ver com acreditar nas nossas ideias. Passo a passo, os jogadores vão percebendo o que pretendemos. Não é fácil chegar ao Casa Pia e implementar hábitos novos. Foi um desafio que lancei aos jogadores... eles estão a acreditar e estamos a melhorar jogo após jogo.»
«Começámos a crescer no posicionamento sem bola, mas agora estamos a ficar muito fortes no processo ofensivo. Os jogadores já são capazes de competir. Depois, com bola, é importante perceber o jogo posicional, saber aproveitar os espaços e compreender o comportamento coletivo da equipa para explorarmos esses espaços», concluiu.
Se há alguém que aceitou o desafio do timoneiro do Casa Pia foi Khaly, que tem exibido um grande nível de futebol, independentemente da pouca experiência no principal escalão do futebol português.
Fica a pergunta: será que Álvaro Pacheco encontrou o seu novo xerife?









































