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·24 March 2026
Boavista FC acusa SAD de «incumprimento» e aponta dívida de nove milhões de euros

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·24 March 2026

O Boavista FC atribui ao «incumprimento reiterado» da SAD a principal causa da sua situação de insolvência, apontando para uma dívida superior a nove milhões de euros acumulada ao longo de vários anos.
Num requerimento a que o zerozero teve acesso, a Direção do clube defende que «atua diariamente de modo a garantir a manutenção e história» da instituição, sublinhando que mantém plena legitimidade no exercício de funções.
O documento descreve um cenário de forte pressão financeira já existente à data da tomada de posse da atual direção, em janeiro de 2025, altura em que o clube enfrentava três pedidos de insolvência pendentes.
Um dos principais fatores apontados para a situação atual prende-se com a relação institucional com a SAD. Segundo o requerimento, o clube cedeu «a exploração da generalidade das fontes de rendimento associadas à atividade do futebol profissional», passando a depender do cumprimento das obrigações financeiras assumidas pela sociedade.
No entanto, esse modelo revelou-se insustentável. A Direção denuncia um «incumprimento reiterado, prolongado e estrutural», que terá originado um passivo superior a nove milhões de euros, deixando o clube «privado das receitas que constituíam a contrapartida desse modelo.»
Face a este contexto, a apresentação à insolvência é descrita como «uma decisão responsável e juridicamente necessária», com o objetivo de proteger credores e assegurar a continuidade da instituição.
Apesar disso, foram encetadas várias tentativas de recuperação, incluindo negociações com investidores e credores. Um plano chegou a prever a redução de cerca de 71 por cento da dívida, mas acabou por falhar após os principais credores optarem pela liquidação do clube.
Na sequência dessa decisão, a gestão transitou para a Administradora de Insolvência, passando a Direção a desempenhar um papel de coadjuvação. Este novo enquadramento trouxe dificuldades adicionais, como a limitação de contratos a um mês e a perda de patrocinadores, num contexto em que se instalou a perceção pública de um possível encerramento.
A situação agravou-se com a extinção do futebol profissional da SAD, reduzindo significativamente as receitas e o interesse comercial em torno do clube.
O documento revela ainda tensões recentes envolvendo investidores e responsáveis ligados à sociedade desportiva. A Direção considera «manifestamente violadora da vontade da maioria dos Associados» a sua exclusão de reuniões relevantes, criticando interferências externas na gestão.
Num tom particularmente crítico, é referido como «irónico que aquele que provocou a impossibilidade de recuperação do Clube [...] venha agora imiscuir-se na gestão dos ativos.»
Apesar do cenário adverso, a Direção garante que continua empenhada em encontrar soluções, afirmando que «nunca cessou os esforços de encontrar uma solução de viabilização.»









































