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·29 July 2026

Bouaddi: o substituto ideal para Rodri

Article image:Bouaddi: o substituto ideal para Rodri

Marrocos e Espanha foram duas seleções fascinantes de acompanhar no estádio na Copa do Mundo. Se fosse escolher a fase do jogo em que mais ficasse claro a essência das equipes, provavelmente seria a primeira fase de construção. Muito devido a dois jogadores: Ayyoub Bouaddi e Rodri. Na posição de primeiro homem do meio-campo, maestro da saída de bola, foram os melhores do torneio. E agora ambos podem, ainda, ter mais uma relação: a de predecessor e sucessor. 

Ciente da possível saída de Rodri, seja para o Real Madrid ou para o PSG, o Manchester City já busca opções no mercado para a função. E Bouaddi é o principal alvo, pensando não só no curto prazo, mas também no futuro do projeto esportivo do clube. 


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Bouaddi foi o primeiro dos meias que acompanhei in loco. E a forma como o Marrocos dominou a seleção brasileira no MetLife Stadium tem muito a ver com o meia, que tem apenas 18 anos, mas naquela tarde parecia um veterano. 

Já antes do Mundial, para fazer a análise coletiva do Marrocos na prévia do jogo, havia assistido partidas recentes da seleção e um meia cabeludo, com muito refino técnico e tranquilidade com a bola nos pés havia me chamado a atenção. Não acompanhei de perto a temporada do Lille e, portanto, o impacto foi grande. 

Naquela tarde de sol em New Jersey, já fui um pouco mais preparado para vê-lo, o que não diminuiu o impacto. Um meia clássico, gelado com a bola nos pés, que parecia fazer o jogo gravidar ao redor dele. O Marrocos avançava em campo por onde ele queria. O Brasil esboçou uma pressão alta em alguns momentos, sem efeitos sobre Bouaddi. 

Dali até o dia em que vi Rodri da tribuna, passaram algumas semanas. E o Mundial de Bouaddi já tinha até acabado. Imaculado. Marrocos caiu para a poderosa França, que acabaria de joelhos diante da melhor, e talvez única, grande atuação dos campeões do mundo na América do Norte. 

De volta ao palco em que o Brasil empatou com Marrocos, o MetLife Stadium, em outro dia de sol, Rodri era o capitão espanhol na final contra a Argentina. Se você viu o jogo pela televisão, talvez o jogo dele tenha passado um pouco de lado. Mas do campo, é incontestável sua influência. 

Os movimentos ditam não só por onde a Espanha avança, mas por onde a Espanha vai controlar o jogo. A movimentação ocupa espaços, cria espaços, desestabiliza o rival. Mac Allister tentou inicialmente um encaixe individual, o que deixava um espaço no meio para a Fúria buscar superioridade. 

Rodri fazia, lembrou bem o comentarista Walter Casagrande na cadeira ao lado, o que Busquets criou há uns anos, mas com mais qualidade com a bola nos pés. Uma escola espanhola que foi transmitida entre gerações, com algum tempo para a passagem de bastão simbólica, feita pessoalmente na Copa do Mundo de 2022, com os dois em campo na eliminação para... Marrocos

Bouaddi era um adolescente ainda nas categorias de base do Lille. A estreia no profissional veio quase um ano depois, em outubro de 2023, contra o Klaksvík, nas Ilhas Faroé, pela Conference League. De lá para cá, já foram mais de 100 jogos como profissional, 95 destes pelo Lille, e ainda aos 18 anos. 

O volante fez todas as seleções de base com a França, mas optou por defender o Marrocos na seleção principal. "Foi uma decisão tomada com o coração", explicou, ao escolher o país onde os pais nasceram. 

Após ser uma das principais revelações da Copa, Bouaddi deve receber o bastão de Rodri no Etihad. Talvez sem tempo com o espanhol para uma transição mais suave, já que as duas transferências devem acontecer ainda nesta janela. 

Em termos de características, apesar de apresentar algumas similaridades com o jogo de Rodri, se destacando pela inteligência posicional, tranquilidade sob pressão e capacidade de controlar o ritmo do jogo, o marroquino também tem valências próprias, como uma maior mobilidade e capacidade de condução de bola em transições. 

Olhando para o futuro, o City faz a aposta mais certeira que poderia fazer. E Bouaddi, por sua vez, recebe uma herança que já deixa claro o tamanho do desafio que terá pela frente. Mas sua maturidade aos 18 anos para jogar uma Copa do Mundo indicou que ele não vai sentir o peso... 

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