Esporte News Mundo
·10 January 2026
Casares manda recado aos conselheiros do São Paulo: ‘sem provas’

In partnership with
Yahoo sportsEsporte News Mundo
·10 January 2026

O presidente do São Paulo, Julio Casares, intensificou sua articulação política interna às vésperas de um possível impeachment no clube. Nesta sexta-feira (9), o dirigente encaminhou uma mensagem direta aos conselheiros, faltando uma semana para a votação que pode resultar em seu afastamento do cargo.
No comunicado, Casares faz um balanço de sua gestão, menciona resultados esportivos alcançados nos últimos anos e contesta as acusações que motivaram o pedido de impeachment, atualmente sob apuração da Polícia Civil. Segundo ele, qualquer decisão contrária sem a apresentação de provas concretas configura um julgamento antecipado.
A mensagem foi enviada individualmente aos integrantes do Conselho Deliberativo do São Paulo. Para que o processo de impeachment seja aprovado, são necessários ao menos 191 votos favoráveis entre os 254 conselheiros aptos a participar da reunião, marcada para a próxima sexta-feira (16), no estádio do Morumbis.
O resultado da votação será determinante para o futuro político de Casares dentro do clube e pode provocar mudanças significativas na administração são-paulina.
No texto encaminhado aos conselheiros, Casares também negou qualquer receio em relação às investigações conduzidas pela Polícia Civil. O inquérito está sob responsabilidade do delegado Tiago Fernando Correia e analisa uma série de movimentações financeiras realizadas entre 2021 e 2025.
De acordo com os dados apurados, em 2021 foram registrados sete saques que somam R$ 1,5 milhão. No ano seguinte, houve seis retiradas, totalizando R$ 1,2 milhão, além de outros R$ 1,4 milhão sacados em 2023, também em seis operações.
O período com maior volume de movimentação ocorreu em 2024, quando foram identificados 11 saques que, juntos, alcançaram R$ 5,2 milhões. Já em 2025, o inquérito aponta mais cinco retiradas, somando R$ 1,7 milhão.
Enquanto o processo investigativo segue em andamento, o presidente do São Paulo tenta fortalecer sua posição política e evitar o afastamento, apostando no diálogo direto com os conselheiros e na defesa de sua gestão.
CARO AMIGO,
Assumi a presidência do São Paulo Futebol Clube com plena consciência do peso institucional que esse cargo carrega. Ao longo da minha trajetória pública e privada, sempre atuei com respeito à lei, às instituições e aos princípios que sustentam a vida democrática.
Nos últimos dias, vieram a público informações relacionadas a um inquérito policial instaurado a partir de denúncia anônima – procedimento previsto no ordenamento jurídico brasileiro, mas que, por sua própria natureza, não equivale a prova, denúncia formal ou juízo de culpa. Ainda assim, trechos desse procedimento vêm sendo seletivamente vazados, fora do devido contexto legal, alimentando versões e interpretações que extrapolam os fatos e tensionam garantias elementares do Estado de Direito.
Quero ser objetivo: não temo investigações; confio nelas. Tenho tranquilidade quanto à licitude dos meus atos e, por meio de minha defesa, já apresentei os esclarecimentos cabíveis. Tudo será demonstrado no foro adequado, com documentos, fatos e responsabilidade.
O que causa indignação não é a apuração regular – que deve existir e deve ser respeitada – mas a tentativa de transformar vazamentos em instrumento de pressão política e de julgamento antecipado. Esse método distorce o debate público, viola o devido processo legal, compromete o ambiente institucional e cria um precedente perigoso que não atinge apenas indivíduos: atinge as próprias instituições.
Tenho consciência de que o clube atravessa um momento de forte tensão fora de campo – e justamente por isso faço questão de registrar: tenho convicção de que o futebol está blindado e protegido de toda essa confusão. O São Paulo precisa de serenidade, foco e responsabilidade para seguir trabalhando.
Também considero importante reafirmar que o São Paulo é maior do que disputas circunstanciais. É uma instituição centenária, construída com esforço, credibilidade e respeito. Jamais utilizei, nem utilizarei, o clube como ferramenta de defesa pessoal, assim como não aceitarei que o São Paulo seja instrumentalizado como arma em conflitos internos ou externos.
Ao mesmo tempo, é justo reconhecer entregas concretas desta gestão que pertencem ao clube e à sua história. Encerramos uma longa espera por títulos com o Paulistão de 2021, conquistamos a inédita Copa do Brasil, e levantamos a Supercopa em 2024 — marcos esportivos que recolocaram o São Paulo em finais, decisões e conquistas que a torcida tanto cobrava.
Fora das quatro linhas, há um legado estrutural que não pode ser ignorado: avançamos em obras relevantes de contenção de enchentes no entorno do Morumbi, uma reivindicação antiga dos nossos sócios e frequentadores, melhorando a segurança, a mobilidade e a convivência do estádio com a cidade. São intervenções que permanecem, independentemente de circunstâncias momentâneas, e que ajudam a preparar o clube para o futuro.
Seguirei colaborando integralmente com as autoridades e exercendo meu direito de defesa com serenidade e firmeza, confiante de que a verdade prevalecerá. A legalidade não é um discurso de ocasião; é um princípio que só faz sentido quando respeitado nos momentos de maior pressão. Por isso, faço um apelo à reflexão e à responsabilidade institucional, votar a favor de um impeachment sem provas concretas e sem elementos jurídicos consistentes não é um gesto de coragem, mas de pré-julgamento. E o pré-julgamento, além de injusto, produz danos irreparáveis às pessoas, ao clube e à própria ideia de Justiça que deve nos orientar.
Live









































