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·31 May 2026

Como foi o Brasil na Copa do Mundo de 1982

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Depois da eliminação invicta em 78, o Brasil chegou para a Copa do Mundo de 1982 em um cenário muito mais otimista. Com uma Seleção muito bem encaixada, com jogadores que brilhavam no cenário nacional e apresentavam um desempenho de alta qualidade. Porém, o sonho do tetracampeonato acabou em um dos maiores pesadelos brasileiros.

Para o ciclo, Cláudio Coutinho seguiu no cargo, em um raro caso de continuidade após eliminação na Copa. Entretanto, a campanha na Copa América, com eliminação na semifinal para o Paraguai, e a mudança de gestão na recém-fundada CBF, fizeram com que o treinador acabasse demitido. Em seu lugar, chegou Telê Santana, nome preferido do presidente Giulite Coutinho.


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Com um elenco repleto de estrelas, como Zico, Sócrates, Falcão e Junior, o Brasil estreou nas Eliminatórias com uma vitória complicada contra a Venezuela, em Caracas. Depois, bateu a Bolívia por 2 a 1 em La Paz. Já no returno, em casa, venceu os bolivianos por 3 a 1, com hat-trick de Zico, e goleou a Venezuela por 5 a 0, no Serra Dourada, garantindo a vaga na Copa.

Após a classificação, a Seleção realizou amistosos na Europa e venceu Inglaterra, França e Alemanha Ocidental, além do Stuttgart. Inclusive, a imprensa europeia ficou encantada com a performance brasileira e descreveu a equipe de Telê como “o time perfeito”.

Na convocação, o treinador teve uma boa leva de remanescentes de 78. Afinal, Waldir Peres, Dirceu, Carlos, Edinho, Toninho Cerezo, Zico e Roberto Dinamite estiveram no Mundial da Argentina. Inclusive, os dois primeiros também disputaram a edição de 74, chegando à sua terceira Copa.

A Copa também marcou o retorno de jogadores que atuavam no exterior à Seleção no Mundial. Afinal, apenas Patesko, na edição de 34, foi convocado atuando fora do país, na ocasião, no Nacional de Montevidéu. Já em 82, Falcão, que estava na Roma, e Dirceu, do Atlético de Madri, estavam na lista de Telê e se tornaram os primeiros “europeus” a defender o Brasil em uma Copa.

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Brasil encatava o mundo com o talento dos seus jogadores – Foto: Reprodução/FIFA

Fase de grupos perfeita

Apesar da expectativa, a estreia brasileira ficou abaixo do esperado. Afinal,  a defesa acabou falhando muito e, ainda no primeiro tempo, a União Soviética abriu o marcador com gol de Andrey Bal, em um frango de Waldir Peres. Porém, no segundo tempo, Sócrates fez boa jogada individual e mandou no ângulo para empatar. Já na reta final, Paulo Isidoro deu passe para o meio, Falcão fez o corta-luz e Éder finalizou na gaveta, marcando um golaço para virar o jogo.

Na segunda rodada, mais um susto no início. David Narey arriscou na entrada da área e acertou o ângulo, abrindo o marcador. Entretanto, o Brasil não demorou para reagir. Zico cobrou falta no ângulo e deixou tudo igual antes do intervalo. Logo no começo do segundo tempo, Junior cobrou escanteio e Oscar cabeceou firme para virar. Depois, Serginho Chulapa deu passe para Éder, que encobriu o goleiro, em um golaço. Por fim, Sócrates ajeitou e Falcão mandou no canto, marcando o quarto e fechando a goleada.

Mesmo já classificado, o Brasil entrou com força máxima para encarar a Nova Zelândia na última rodada. Aos 28 minutos, Leandro cruzou na área e Zico acertou um voleio para abrir o placar. Três mintuos depois, o lateral apareceu na área e rolou para o Galinho marcar o segundo. Na segunda etapa, Falcão recebeu na frente e marcou o terceiro. Por fim, Junior lançou Zico na área, que dominou e cruzou rasteiro para Serginho Chulapa fechar o marcador.

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Zico terminou como artilheiro brasileiro no Mundial – Foto: Reprodução/FIFA

Vitória contra os Hermanos

Com o aumento para 24 seleções participantes, a Fifa alterou o formato da segunda fase. Os 12 classificados foram divididos em quatro triangulares, nos quais os vencedores avançavam para as semifinais. O Brasil iria encarar Argentina e Itália. No primeiro jogo do grupo, a Azzurra venceu a Albiceleste por 2 a 1.

Encarando os atuais campeões mundiais, a Seleção saiu na frente logo no começo de jogo. Éder cobrou falta, a bola explodiu no travessão e Zico aproveitou para marcar no rebote. No segundo tempo, Zico lançou Falcão pela direita, que cruzou na cabeça de Serginho Chulapa para marcar o segundo.

Nove minutos depois, o Galinho deu mais uma assistência, desta vez para Júnior, marcar o terceiro. Aos 40 minutos, a jovem promessa argentina Maradona foi expulsa após falta dura em Batista. Por fim, ainda deu tempo de Ramón Díaz aproveitar falha da defesa para descontar para os Hermanos.

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Paolo Rossi marcou três vezes e eliminou o Brasil – Foto: Reprodução/FIFA

Tragédia do Sarriá

Com o resultado, o Brasil precisava de um empate com a Itália para se classificar. Porém, logo no começo do jogo, Paolo Rossi recebeu cruzamento sozinho e cabeceou para abrir o marcador. Entretanto, sete minutos depois, Zico deu belo passe para Sócrates, que invadiu a área e chutou firme para empatar. Só que aos 25′ Toninho Cerezo errou passe no campo de defesa, Rossi se antecipou a Oscar, invadiu a área e fez o segundo.

Na segunda etapa, a Seleção pressionou, mas só conseguiu o empate aos 23 minutos. Júnior tocou para Falcão, que enganou a marcação ameaçando um passe para Cerezo e arriscou da entrada da área, deixando tudo igual. Porém, seis minutos depois, Rossi apareceu de novo, desta vez para marcar o terceiro. A Itália teve um gol anulado por impedimento, mal marcado. Por fim, Oscar ainda teve uma última chance, mas Zoff salvou em cima da linha.

Fim de jogo, tristeza brasileira. A eliminação colocava fim ao sonho do título com o “time perfeito”. Afinal, a Seleção não conquistou a taça, mas entrou para a história como uma das maiores que já disputou o torneio, mas não levantou a taça.

Já a Itália passou pela Polônia na semifinal e, na grande decisão, bateu a Alemanha Ocidental, por 3 a 1. Com isso, a Azzurra conquistou o tricampeonato, se igualando ao Brasil. Paolo Rossi terminou como artilheiro, com seis gols. Já a Seleção terminou na quinta colocação, com quatro vitórias e uma derrota, com 15 gols marcados e seis sofridos. Zico, com quatro gols, terminou como artilheiro brasileiro.

Jogadores convocados

Goleiros: Waldir Peres – São Paulo Paulo Sérgio – Botafogo Carlos – Ponte Preta

Laterais Leandro – Flamengo Junior – Flamengo Edevaldo – Internacional Pedrinho – Vasco

Zagueiros

Oscar – São Paulo Luizinho – Atlético Mineiro Edinho – Fluminense Juninho – Ponte Preta

Meias: Toninho Cerezo – Atlético Mineiro Paulo Isidoro – Grêmio Zico – Flamengo Sócrates – Corinthians Falcão – Roma Batista – Grêmio Renato – São Paulo

Atacantes: Serginho Chulapa – São Paulo Éder – Atlético Mineiro Dirceu – Atlético de Madrid Roberto Dinamite – Vasco

Ficha técnica

Campeão: Itália Vice-campeã: Alemanha Ocidental Final: Itália 3 x 1 Alemanha Ocidental Artilheiros: Paolo Rossi (Itália)  – seis gols Colocação do Brasil: 5º lugar Artilheiros do BrasilZico – quatro gols Resultados do Brasil: Brasil 2 x 1 União Soviética | Brasil 4 x 1 Escócia | Brasil 4 x 0 Nova Zelândia | Brasil 3 x 1 Argentina | Brasil 2 x 3 Itália

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