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·8 June 2026

Como foi o Brasil na Copa do Mundo de 2014

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Depois de 64 anos, o Brasil voltava a receber uma edição de Copa do Mundo. O clima no país era de muita festa e euforia. No entanto, os resultados no começo do ciclo geraram muita apreensão e trocas na Seleção. O ânimo foi renovado um ano antes, na Copa das Confederações. Entretanto, o que ninguém previa, é que a festa brasileira se tornaria no maior vexame da história do torneio.

A preparação para a competição em casa começou na sequência da eliminação em 2010. Dunga foi demitido assim que chegou ao Brasil e a CBF começou a correr atrás do novo comandante. O primeiro nome em pauta era o de Muricy Ramalho, que tinha vencido o Brasileirão três vezes seguidas com o São Paulo. Entretanto, não houve uma negociação com o Fluminense, seu clube na época, e o negócio não se concretizou. Veio então Mano Menezes, que estava no Corinthians desde 2007 e chamava atenção pela solidez do seu trabalho.


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Com várias caras novas, incluindo Neymar e Ganso, o treinador fez sua primeira convocação, cerca de 20 dias após a eliminação na Copa. Porém, o trabalho do treinador foi marcado por resultados negativos. Na Copa América, o Brasil caiu nas quartas de final, para o Paraguai, em uma bizarra disputa por pênaltis. Fora das Eliminatórias, a Seleção disputava apenas amistosos, mas não conseguia vencer seus principais adversários, como Argentina, Alemanha e França.

Nas Olimpíadas, Mano conseguiu levar o Brasil até a decisão, mas perdeu para o México. Mais uma vez, a pressão crescia sobre o treinador. No final de 2012, na disputa do Super Clássico das Américas, contra a Argentina, com jogadores atuavam nos dois países, o técnico aceitou a ordem da CBF de levar Diego Cavalleri e Fred. Porém, a conquista veio apenas nos pênaltis, o que encerrou o seu trabalho na Seleção.

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Título da Copa das Confederações deu novo ânimo para a Seleção – Foto: Divulgação/CBF

Atendendo ao clamor popular e à sugestão de antigos dirigentes, a CBF trouxe Luiz Felipe Scolari novamente para comandar a Seleção, tendo Carlos Alberto Parreira como auxiliar. Porém, o começo do trabalho foi complicado, com apenas uma vitória contra a Bolívia, apenas com jogadores locais. Entretanto, o jogo virou na Copa das Confederações. Apesar de enfrentar dificuldades, o Brasil chegou até a semifinal, contra a atual campeã do mundo, Espanha. Mesmo com o temor em relação à força do adversário, a equipe fez uma grande partida no Maracanã, vencendo por 3 a 0 e empolgando a torcida para o ano seguinte.

Depois da conquista, o Brasil venceu seus dez amistosos preparatórios para o Mundial. Na lista final, Felipão deixou fora jogadores com mais experiência, como Ronaldinho Gaúcho, Kaká e Robinho. Entretanto, não houve um apelo popular pela não ida do trio. As maiores críticas eram pela ausência do zagueiro Miranda e do lateral-esquerdo Filipe Luís, que tinham feito boa temporada pelo Atlético de Madrid. Além da polêmica naturalização do atacante Diego Gosta, que optou por defender a Espanha. Por fim, o treinador chamou apenas cinco remanescentes de 2010: Júlio César, que ia para sua terceira Copa, Daniel Alves, Maicon, Thiago Silva e Ramires. Fred, que havia disputado o torneio em 2006, também iria para seu segundo Mundial.

Fase de grupos

Jogando em São Paulo, o Brasil encarou a Croácia na primeira rodada, repetindo a estreia de 2006. Logo no começo do jogo, Marcelo tentou cortar cruzamento que veio da esquerda e marcou contra. Porém, ainda na primeira etapa, Neymar passou pela marcação no meio de campo e chutou rasteiro para empatar. Na segunda etapa, a arbitragem marcou pênalti de Lovren em cima de Fred, para revolta dos croatas. Na cobrança, Neymar bateu e virou o marcador. Por fim, nos acréscimos, Oscar puxou contra-ataque e arriscou de biquinho, de longe, para fechar o placar.

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Brasil estreou com vitória para cima da Croácia – Foto: Rafael Ribeiro/CBF

No segundo confronto, contra o México em Fortaleza, a Seleção veio sem Hulk, poupado por Felipão. Entretanto, a partida ficou marcada pela grande atuação do goleiro Guillermo Ochoa. Afinal, o mexicano fez quatro grandes defesas para garantir o empate sem gols.

Para fechar a fase de grupos, a Seleção encarou Camarões, em Brasília. No começo do jogo, Luiz Gustavo cruzou na área e Neymar apareceu para marcar. Entretanto, Matip recebeu cruzamento rasteiro, sozinho na pequena área, para empatar. Só que, ainda no primeiro tempo, Neymar recebeu de Marcelo e chutou no canto para fazer o segundo. Depois do intervalo, Marcelo cruzou na área e Fred marcou seu único gol na Copa. Por fim, o atacante tabelou com Fernandinho, que invadiu a área e fez o quarto. Apesar da goleada, a atuação brasileira gerou críticas, principalmente pela dependência em Neymar e a falta de construção do meio de campo.

Drama nas oitavas

Por muito tempo, o Chile chegou como um adversário para apagar os incêndios brasileiros. Entretanto, desta vez, quase causou uma tragédia gigante. Nas oitavas de final, o duelo no Mineirão começou com gol de David Luiz, após cobrança de escanteio. Entretanto, a defesa brasileira falhou na saída de bola e Alexis Sánchez aproveitou para empatar ainda na primeira etapa.

Daí em diante o drama ficou estampado na capital mineira. O Brasil chegou a marcar o segundo com Hulk, mas a arbitragem anulou por um toque no braço do atacante. Júlio César ainda teve que aparecer para evitar a virada chilena. A partida seguiu para a prorrogação, onde a Seleção continuou pressionando. Entretanto, a melhor chance foi do Chile, no último minuto. Pinilla recebeu na entrada da área, girou para cima da marcação e finalizou no travessão.

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Seleção viveu drama para eliminar o Chile – Foto: DIvulgação/Agência Brasil

Com muita apreensão no estádio, a decisão foi para os pênaltis. Em uma cena emblemática, o capitão Thiago Silva sentou, chorando, em cima de uma bola, antes da disputa, expondo a tensão que havia no momento. Nas cobranças, David Luiz marcou a primeira. Júlio César defendeu a cobrança de Pinilla. Entretanto, Willian mandou para fora. Só que o goleiro brasileiro estava inspirado e pegou o chute de Alexis Sánchez. Na sequência, Marcelo e Aránguiz marcaram. Hulk tentou cobrar no meio e parou nos pés de Bravo. Díaz deixou tudo igual e Neymar anotou o seu. Por fim, Jara acertou a trave e garantiu a dramática classificação brasileira.

Vaga na semifinal e lesão de Neymar

Com o alerta ligado após o susto nas oitavas de final, o Brasil teria a Colômbia, grande sensação do torneio, nas quartas de final. Logo no começo do jogo, Thiago Silva apareceu sozinho na segunda trave, depois de cobrança de escanteio, e abriu o marcador. Inclusive, os defensores, se destacaram na partida, conseguindo parar o forte ataque colombiano. Contudo, coube ao outro zagueiro, David Luiz, ampliar o placar em uma bela cobrança de falta.

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Defesa teve papel fundamental na classificação contra a Colômbia – Foto: DIvulgação/Agência Brasil

Nos minutos finais, o árbitro anotou pênalti de Júlio César em cima de Bacca. Na cobrança, James Rodríguez descontou, sem conseguir o empate depois. Porém, o final do jogo ficou marcado pela lesão de Neymar. O craque brasileiro levou uma joelhada de Zuniga nas costas e teve uma fratura na vértebra, na região da lombar, sendo cortado do Mundial. Além disso, Thiago Silva recebeu o segundo amarelo e estava fora da semifinal.

O fatídico 7 a 1

Na semifinal, a adversária seria a Alemanha. Antes da partida, Felipão convocou alguns profissionais de imprensa para tentar acertar alguns pontos e conversar sobre a pressão que sentia. Contudo, sem seu principal jogador e o capitão, a Seleção tentava focar no retrospecto contra os alemães, com a vitória em 2002, e na força do grupo. Na chegada ao Mineirão, todo o elenco estava com mensagens de força para Neymar, além do clima de comoção no estádio. Por outro lado, na escalação, o treinador colocou Bernard, abrindo mão de um sistema mais cauteloso no meio de campo.

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Brasil sofreu o maior vexema da história das Copas – Foto: Divulgação/FIFA

O Brasil até tentou pressionar no início da partida, mas sem resultado. Logo aos onze minutos, a bola sobrou para Thomas Müller, depois de cobrança de escanteio, que abriu o marcador. Aos 23, Miroslav Klose fez o segundo, o seu 16º em Copas, ultrpassando a marca de Ronaldo, em pleno Brasil. Nos seis minutos seguintes, Toni Kross, duas vezes, e Khedira ampliaram o marcador, transformando o Mineirão em um velório.

Ninguém acreditava no que estava acontecendo. O Brasil sofria a maior humilhação de uma seleção em Mundiais dentro de sua própria casa. A Alemanha ainda tirou o pé no intervalo, mas ampliou o marcador. André Schürrle apareceu duas vezes na área e marcou o sexto e o sétimo. Já nos minutos finais, Oscar recebeu, invadiu a área e descontou. Fim da humilhação e da humilhação brasileira.

Dona Lúcia

Se o vexame no Mineirão não era o suficiente, a comissão técnica conseguiu piorar a situação. Em uma entrevista coletiva, Carlos Alberto Parreira recebeu uma carta de uma torcedora que se apresentava como “Dona Lúcia”. Nela, a autora elogiava o trabalho de Felipão e dava apoio aos jogadores após a goleada. Entretanto, o episódio virou uma piada nacional, sendo criticada pela imprensa.

Entretanto, ainda havia a disputa pelo terceiro lugar, contra a Holanda, algoz de 2010. Em um dos jogos mais esquecíveis da história das Copas, o Brasil perdeu por 3 a 0, com gols de Van Persie, Blind e Wijnaldum. Contudo, com incríveis dez gols sofridos em dois jogos, a Seleção de despediu do Mundial dentro de casa com diversas lições para o futuro.

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Holanda botou fim na melancólica campanha brasileira – Foto: Divulgação/KNVB.nl

O pesadelo brasileiro só não foi maior graças a Alemanha. Afinal, os alemães venceram a decisão contra a Argentina, com gol de Mario Gotze, na prorrogação, e evitaram a festa dos hermanos dentro do Maracanã.

Jogadores convocados

Goleiros: Júlio César – Toronto FC (CAN) Jefferson – Botafogo Victor – Atlético Mineiro

Laterais Daniel Alves – Barcelona (ESP) Maicon – Roma (ITA) Marcelo – Real Madrid (ESP) Maxwell – PSG (FRA)

Zagueiros Thiago Silva – PSG (FRA) David Luiz – Chelsea (ING) Dante – Bayern de Munique (ALE) Henrique – Napoli (ITA)

Meias: Fernandinho – Manchester City (ING) Luiz Gustavo – Bayern de Munique (ALE) Paulinho – Tottenham (ING) Hernanes – Juventus (ITA) Ramires – Chelsea (ING) Oscar – Chelsea (ING) Willian – Chelsea (ING)

Atacantes: Neymar – Barcelona (ESP) Fred – Fluminense Hulk – Zenit (RUS) Bernard – Shakhtar Donetsk (UCR) Jô – Atlético Mineiro

Ficha técnica

Campeã: Alemanha Vice-campeã: Argentina Final: Alemanha 1 x 0 Argentina Artilheiros: James Rodríguez – seis gols Colocação do Brasil: 4º lugar (eliminado na semifinal) Artilheiro do Brasil:  Neymar – quatro gols Resultados do BrasilBrasil 3 x 1 Croácia | Brasil 0 x 0 México | Brasil 4 x 0 Camarões | Brasil 1 (3) x  (2) 1 Chile | Brasil 2 x 1 Colômbia | Brasil 1 x 7 Alemanha | Brasil 0 x 3 Holanda

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