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·28 April 2026

Conselheiros do Corinthians opinam sobre aprovação das contas de 2025 do clube; confira as falas

Article image:Conselheiros do Corinthians opinam sobre aprovação das contas de 2025 do clube; confira as falas
  1. Por Henrique Pereira / Redação da Central do Timão

Na noite da última segunda-feira (27), o Conselho Deliberativo do Corinthians aprovou as contas do clube relativas ao exercício fiscal de 2025, compreendido entre 1º de janeiro e 31 de dezembro — período que abrange o fim da gestão de Augusto Melo e o início do mandato de Osmar Stabile.

A votação teve a participação de pouco mais da metade dos 290 conselheiros do clube, com 174 presentes na deliberação. A reunião foi presidida por Leonardo Pantaleão, atual presidente em exercício do Conselho Deliberativo. O balanço aprovado aponta um déficit de R$ 143,4 milhões no ano de 2025, elevando a dívida total do clube para R$ 2,723 bilhões.


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Foto: Divulgação/Corinthians

Com o aval do Conselho Deliberativo, o Corinthians tem até a próxima quinta-feira (30) para divulgar oficialmente o balanço financeiro, conforme determina a legislação vigente.

Após a votação, na qual a reportagem da Central do Timão esteve presente, alguns conselheiros importantes nas movimentações políticas do clube opinaram sobre o resultado na saída do Parque São Jorge. Rubão, Peterson Ruan, Miriam Athiê e Vinicius Cascone foram alguns que revelaram suas visões sobre a situação após a reunião – confira abaixo.

Peterson Ruan:

“Foram aprovadas, mesmo com toda a inconsistência. Há um relatório da auditoria externa mostrando irregularidades, divergências, adiantamento de receitas de 2026 lançadas em 2025, além de negociação com a PGFN em fevereiro de 2026 sendo contabilizada nas contas de 2025. Então fica difícil. Mas o Corinthians é isso. Democracia. Os vitalícios vieram aí, como eu sempre disse. A diferença foi pequena, e se vocês analisarem a votação, ela está justamente nos vitalícios.”

“Enquanto eles estiverem aqui no clube, os vitalícios vão levar o Corinthians cada vez mais para o buraco, e a dívida vai aumentar. Seguimos com o mesmo diretor financeiro, que esteve presente hoje e não abriu a boca na apresentação. Isso é uma vergonha, um constrangimento, como disse o Romeu Tuma Jr.”

“A gente vem aqui para ouvir o diretor financeiro, que já está há várias gestões à frente das finanças do clube, e ele não se manifesta. Colocam um terceirizado da Ernst & Young para fazer a apresentação e tentar convencer os conselheiros de que o Corinthians está bem, que está se recuperando, enquanto a dívida só aumenta — e pode aumentar ainda mais. Mas é assim.”

“Eu respeito o resultado, mas votei contra as contas, justamente por conta dessas manobras. Tivemos também a apresentação de uma manifestação, uma declaração de voto pela reprovação das contas da gestão de 2025 no Sport Clube Corinthians Paulista.”

“Exatamente. O Lavieri deixou claro que não quis assinar o documento. Ele colocou o presidente e o diretor financeiro como responsáveis pelas informações apresentadas. Ou seja, ele participou da apresentação, mas não quis assumir formalmente aquilo. Por isso eu disse: é um grande constrangimento para nós, conselheiros do Corinthians.”

“Eu não sei exatamente o que vai acontecer daqui para frente, mas a decisão de hoje foi muito significativa. Foram 68 votos contrários. Para quem venceu uma eleição com 199 votos em outubro e agora tem apenas 106 a favor, isso mostra que já perdeu metade do apoio que tinha quando assumiu a presidência em outubro de 2025.”

Miriam Athiê:

“A diretoria tentou mostrar coisas que a gente já conhecia. Quer dizer, colocaram o pessoal da Alvarez e Marsal lá para fazer a explicação, o Lavieri, quando quem tinha que fazer era o contador ou o diretor financeiro. Colocaram o rapaz lá num telão, que a gente quase nem enxergava.”

“A gente leu o balanço, vimos como é que estavam as contas. Mas eu quero dizer para vocês que esse julgamento foi político, não teve nada de técnico. Então, mais uma vez, eu quero dizer para vocês assim, os conselheiros do Corinthians, de maneira geral, têm que ser responsabilizados, porque alguns falaram que iam votar a favor e hoje votaram contra.”

Rubens Gomes (Rubão):

“Eu tive que votar pensando no Corinthians, porque metade das contas foi administrada pelo atual presidente. Eu sei que pode parecer contraditório votar a favor mesmo sendo contra, mas entendo que é o contrário: havia uma RCE e foram avaliadas todas as possibilidades. Em 25 anos de conselho, é a primeira vez que aprovo contas. Fiz isso contrariado, de verdade.”

“Vou ser bem claro: é uma parte que eu não domino. Eu não conheço a parte contábil. Sempre digo que faço ‘conta de padeiro’, não falo sobre números reais porque não tenho esse conhecimento técnico. Então, baseei meu voto na auditoria, que inclusive apontou diversas restrições.”

“Como eu disse antes, votei a favor considerando o segundo semestre. O primeiro semestre, para mim, é reprovado, porque não pagou ninguém. E aí fica a pergunta: o dinheiro está onde? Já no segundo semestre houve uma tentativa de reorganização.”

“Não é exatamente votar a favor sendo contra. O que eu quis dizer é que o primeiro semestre é totalmente descabido, é onde aumenta o déficit do Corinthians. No segundo semestre houve uma reengenharia, uma reestruturação. Então dei um voto de credibilidade ao segundo momento da gestão, não ao primeiro.”

“Essa leitura não foi minha. Foi o próprio clube que apresentou essa explicação, de que a partir do segundo semestre houve melhora. Eu não tenho condição técnica de fazer esse tipo de avaliação. Me baseei no que foi apresentado.”

“As contas já estão disponíveis há algum tempo. O último balanço foi em novembro. Mas, sendo sincero, eu tenho dificuldade em falar sobre números. Não tenho domínio sobre contabilidade, faço uma análise mais simples, de ‘conta de padeiro’.”

Vinícius Cascone:

“Na verdade, cada um tem o seu ponto de vista. No meu entendimento, as contas tinham que ser reprovadas. Eu votei contra. Respeito quem votou em favor, o parecer da auditoria externa, para mim, é muito claro e conclusivo. Acho que as explicações não foram suficientes para reverter”

“A transação tributária foi um debate que se iniciou em 2024 ainda, percorreu o ano de 2025 e foi assinada em 2026. A argumentação da gestão é que, como já haviam feito os parcelamentos, existiam dos parcelamentos de 2025, eles entenderam que caberia colocar nas contas de 2025. Eu discordo em relação a esse ponto específico, até porque o próprio conselho questionou em relação ao parcelamento tributário municipal das contas de 2024. Houve um debate nisso, uma rejeição, um questionamento, dizendo que tinha que se usar realmente a data da assinatura do parcelamento. Então, se o Conselho votou assim no ano passado, tem que manter o posicionamento. Não dá para um ano votar de um jeito e no outro ano votar de outro. Acho que tinha que se manter a coerência”

“É uma discussão grande contábil, que eu não sou especialista, eu não sou um advogado especialista nessa área. Então não me sinto à vontade de fazer uma acusação desse tipo (se foi manobra). Eu acho que tem que ter responsabilidade. Acho que cabem os termos técnicos, para dizer se houve uma manobra ou não. No meu entendimento, acho que a gente tem que ser coerente com o argumento do jeito que foi votado nas contas de 2024”

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