AVANTE MEU TRICOLOR
·22 January 2026
Conselho Fiscal vai investigar uso de cartão corporativo por Casares durante sua presidência

In partnership with
Yahoo sportsAVANTE MEU TRICOLOR
·22 January 2026

As demissões de alguns aliados de Julio Casares após o ex-presidente anunciar sua renúncia da presidência na última quarta-feira (21) não foi o único movimento do novo mandatário do Tricolor, Harry Massis Júnior, e da nova cadeia de comando do clube.
Na tarde desta quinta-feira (22), o Conselho Fiscal são-paulino pediu acesso às faturas do cartão corporativo usado por Casares nos cinco anos em que foi presidente do clube.
A informação foi divulgada inicialmente pelo portal ‘Globo Esporte‘ e confirmada ao AVANTE MEU TRICOLOR.
Segundo apurado pela reportagem, o órgão interno do clube votou em maioria para averiguar se Casares fez uso do cartão dentro das normas previstas pelo regimento.
O grupo formado por cinco membros fiscaliza “os atos da Diretoria e verifica o cumprimento dos seus deveres legais e estatutários”, como diz o site oficial do clube.
A renúncia de Júlio Casares à presidência do São Paulo ocorre no contexto de um conjunto de investigações conduzidas pela Polícia Civil desde o final do ano passado. O agora ex-presidente é alvo de apurações relacionadas a saques em dinheiro vivo realizados nas contas do clube e a movimentações financeiras consideradas atípicas pelos órgãos de controle. O inquérito está sob responsabilidade do delegado Tiago Fernando Correia, da 3.ª Divisão de Investigações sobre Crimes contra a Administração e Combate à Lavagem de Dinheiro (Dicca).
O delegado afirma haver “consistentes indícios de que uma suposta associação criminosa estaria operacionalizando um sofisticado esquema de desvio de recursos e apropriação de valores”. A Polícia Civil conduz a investigação principal, enquanto o Ministério Público atua em duas frentes: uma voltada ao suposto esquema de desvio de verba e outra dedicada à apuração de gestão temerária, com foco na origem da dívida bilionária do São Paulo.
Os investigadores analisam 35 saques em dinheiro vivo realizados entre janeiro de 2021 e novembro de 2025, que somam onze milhões de reais. Os bancos responsáveis pelas contas classificaram as operações como “atípicas e incompatíveis com a prática de mercado para uma entidade deste porte”, destacando a dificuldade de assegurar a destinação dos valores. Os 33 últimos saques ocorreram com apoio de empresa de carros-fortes, método que, segundo a polícia, dificulta o rastreamento do dinheiro.
Paralelamente, os investigadores identificaram depósitos em contas ligadas à família do dirigente. Entre janeiro de 2023 e maio de 2025, houve depósitos de R$ 1,5 milhão em espécie em conta conjunta de Júlio e Mara Casares, ex-esposa do cartola. Ele ocupava cargo de diretora feminina, de cultura e de eventos do clube e se licenciou após acusações relacionadas a um esquema de venda ilegal de ingressos de camarotes. O Coaf também cita depósitos em dinheiro na conta de Deborah de Melo Casares, filha dos dois. Em um dos casos, em 22 de novembro de 2024, Mara depositou R$ 49,5 mil em espécie, valor abaixo do limite de notificação automática.
Os relatórios apontam ainda aportes em dinheiro vivo feitos por Mara em conta de uma empresa de que Deborah é sócia. O ponto central da apuração é verificar se existe ligação entre os saques nas contas do São Paulo e os depósitos nas contas dos dirigentes. Casares afirma que os valores têm lastro e que as acusações se baseiam em “versões frágeis”.







































