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·9 March 2026

Conselho vota reforma do Estatuto do Corinthians; torcedores e conselheiros comentam expectativas

Article image:Conselho vota reforma do Estatuto do Corinthians; torcedores e conselheiros comentam expectativas
  1. Por Henrique Vigliotti e Larissa Beppler | Redação da Central do Timão

O Corinthians terá uma noite decisiva nesta segunda-feira (9). O Conselho Deliberativo do clube se reúne no Parque São Jorge para votar o projeto de reforma do Estatuto, considerado um dos processos institucionais mais amplos das últimas décadas.

A primeira chamada da reunião está marcada para as 18h (de Brasília), com segunda convocação prevista para as 19h. Participam da sessão os 200 conselheiros trienais e os 90 vitalícios do clube. Para que as alterações sejam aprovadas, será necessário o voto favorável da maioria simples dos presentes.


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Foto: José Manoel Idalgo/Agência Corinthians

Reforma propõe modernização institucional

A proposta em análise busca promover uma ampla modernização institucional e redefinir aspectos centrais da governança do clube. O texto propõe a incorporação de mecanismos mais claros de responsabilização de dirigentes, ampliação da transparência administrativa e fortalecimento da profissionalização da gestão, além de adequações às exigências da Lei Geral do Esporte.

Entre os principais pontos da reforma está uma reestruturação política interna voltada a qualificar o funcionamento das instâncias representativas do clube. O projeto estabelece critérios mais rigorosos de elegibilidade para cargos dirigentes – atualizados à luz dos parâmetros da Lei da Ficha Limpa –, além da criação de um mecanismo de responsabilização patrimonial para dirigentes em casos de prejuízos ao clube.

O texto também prevê regras de responsabilidade fiscal, vedação expressa ao nepotismo e a modernização dos procedimentos eleitorais. Um dos pontos mais debatidos é a possibilidade de participação eleitoral dos membros do programa Fiel Torcedor nas eleições do clube. Atualmente, apenas os associados do Parque São Jorge têm direito a voto.

Outras alterações relevantes propostas pela reforma incluem a ampliação do tempo de mandato para cargos eletivos. Caso aprovada, a mudança estenderá de três para quatro anos os mandatos de conselheiros, presidente e vice-presidentes do clube. O texto também prevê a possibilidade de transformação do clube em Sociedade Anônima do Futebol (SAF), porém com a definição de requisitos e limitações para sua eventual implementação.

Expectativas dentro e fora do Conselho

A reportagem da Central do Timão ouviu conselheiros, associados e coletivos de torcedores que acompanharam as audiências públicas realizadas ao longo do processo de elaboração da proposta.

Para o coletivo Voz Corinthiana, o momento é de expectativa combinada com cautela diante das disputas políticas que cercam o tema.

A expectativa do Voz Corinthiana é mista. Ao mesmo tempo em que vivemos a ansiedade positiva de estarmos próximos a uma decisão histórica que definirá os rumos do clube, mantemos um estado de alerta constante. Existe uma tensão real quanto às movimentações de bastidores que tentam desidratar o projeto, usando o voto do Fiel Torcedor como pretexto para barrar outros avanços vitais e indissociáveis da reforma.

A saída para a crise do Corinthians passa obrigatoriamente por democratização e profissionalização caminhando juntas. Apenas democratizar, mantendo as atuais regras de jogo falhas, seria apenas convidar mais corinthianos para votar em um sistema quebrado.”

O presidente do Conselho Deliberativo Romeu Tuma Júnior afirmou chegar à votação com confiança após o processo de construção do texto.

As melhores expectativas pois após dois anos de um trabalho intenso, hiper democrático e extremamente completo, com a participação de todos os atores possíveis e imagináveis que constituem o verdadeiro sentimento de corinthianismo e o Corinthians como instituição, chegamos, pela primeira vez na nossa história centenária, a uma verdadeira constituição democrática do Corinthians. Cada um que ler, esteja onde estiver, vai se ver representado e parte na autoria.

Segundo ele, o momento representa também uma oportunidade de reaproximação institucional entre dirigentes e torcedores.

“Acho que o Conselho Deliberativo tem a grande oportunidade de reencontrar o elo perdido com os associados e com nossos torcedores, que são, em última instância, os verdadeiros donos do Corinthians e a quem devemos respeito.”

Entre os associados, o clima também é de expectativa, mas com críticas ao ambiente político do clube. Para Cyrillo Cavalheiro Neto, a possibilidade de participação do torcedor nas eleições segue sendo um dos principais pontos em disputa.

Espero que tenhamos uma votação hoje. Uma das principais pautas da reforma era a possibilidade do Fiel Torcedor votar em 2026 e ainda estamos brigando para ele votar. Mesmo que tenhamos uma reforma integral, o Corinthians continuará sendo gerido por quem o levou para o pior momento administrativo, financeiro e reputacional. Os nossos gestores odeiam o Corinthians e os corinthianos.”

No Conselho Deliberativo, a expectativa é de que a sessão seja marcada por debates intensos. O conselheiro trienal Vinícius Cascone avaliou que as audiências públicas contribuíram para o debate, mas destacou que divergências permanecem.

As audiências públicas foram um importante espaço para debates e aperfeiçoamento da proposta originária. Entretanto, em que pese a boa vontade durante os debates, a redação final manteve a maior parte do texto original, o que causará um grande debate na reunião. De todo modo, não podemos nos omitir: temos que discutir e votar as reformas necessárias para o clube.”

Já o associado Alexandre Germano avalia que a eficácia das mudanças estatutárias dependerá não apenas do texto aprovado, mas da cultura institucional do clube.

Não há estatuto ou regra que mude a cultura. Este projeto de reforma do Estatuto traz consigo ótimas e necessárias inovações que somente tornar-se-ão eficazes se aprovadas e posteriormente implementadas. Espero que o Conselho entenda este momento e aprove todas as mudanças necessárias, que posteriormente serão referendadas na assembleia de sócios, em que pese alguns rumores negativos sobre as articulações políticas que precedem a votação.”

A reportagem também procurou a Gaviões da Fiel, principal torcida organizada do clube. Em resposta à Central do Timão, a entidade afirmou esperar que a reforma estatutária represente um avanço no processo de democratização interna do Corinthians.

A torcida do Corinthians espera que a reforma estatutária seja um marco de democratização: dar voz ao Fiel Torcedor e permitir também que a Fiel Torcida escolha o presidente. É o lema “o Corinthians é o Time do Povo” em realidade dentro da política do clube.”

Divergências e recomendações

O debate em torno da reforma estatutária se acirrou na última semana após manifestação do Conselho de Orientação (CORI) do Corinthians. O órgão recomendou que o Conselho Deliberativo realize uma votação parcial do projeto, priorizando apenas temas considerados mais urgentes e tomando como base o estatuto atualmente em vigor.

A recomendação provocou reações imediatas de diferentes setores do clube, incluindo coletivos de torcedores e o próprio presidente do Conselho Deliberativo.

Procurados pela Central do Timão para comentar a expectativa do órgão em relação à votação desta segunda-feira, representantes do Cori inicialmente não se manifestaram. Posteriormente, o conselheiro Felipe Ezabella enviou posicionamento à reportagem e criticou duramente o anteprojeto de reforma estatutária.

Segundo ele, o texto apresentado “é um desastre político e jurídico” e promove alterações em mais de 90% do Estatuto vigente sem que tenha havido, em sua avaliação, debate efetivo. Ezabella afirmou ainda que as audiências públicas “serviram apenas de palanque”, já que, após a apresentação de críticas e sugestões, o documento teria permanecido “quase idêntico” à versão divulgada em novembro de 2025.

“Logicamente que existem boas ideias no texto, mas estão comprometidas com um pacote de alterações que não apenas não ajudam o clube, como ainda trazem mais dificuldades em sua administração. O mais razoável, para tentar aproveitar o trabalho e o esforço de alguns conselheiros e associados, seria limitar a reforma do Estatuto para a análise de alguns temas como o dos associados do futebol, o sistema de eleição dos conselheiros, a diminuição dos vitalícios, a participação feminina… Caso contrário, mais uma vez, a reforma ficará para uma outra legislatura“, ponderou o conselheiro.

Como será a votação

Diferentemente de processos recentes realizados no Parque São Jorge, a votação desta segunda-feira ocorrerá de forma aberta. Isso significa que cada conselheiro será identificado no momento do voto.

A Comissão de Reforma do Estatuto ainda deve definir, pouco antes do início da reunião, o formato exato do processo de deliberação. A tendência, no entanto, é que o projeto seja dividido em blocos temáticos, permitindo votações separadas para diferentes conjuntos de alterações.

Caso o texto seja aprovado pelo Conselho Deliberativo, o presidente do órgão convocará uma assembleia geral para que os associados do clube votem a proposta. A consulta aos sócios deve ocorrer em abril, em data ainda a ser definida.

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