Fala Galo
·6 February 2026
Cresce com a bola, vacila sem ela

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·6 February 2026

Foto: Pedro Souza / Atlético
Por: Diego Callegary
A virada sobre o Pouso Alegre (3×1) mostrou um time mais confortável na construção. A derrota para o RB Bragantino (1×0) reforçou que o crescimento ainda convive com vulnerabilidades claras. O Atlético evolui. Mas ainda concede.
Os dois gols sofridos nasceram da mesma zona: a entrada da área. Contra o Pouso Alegre, chute direto. Contra o Bragantino, insistência até acertar.Não é coincidência. É proteção insuficiente do setor central.
Falta coordenação na pressão, mas falta principalmente perfil. O elenco hoje não tem um primeiro volante com característica clara de marcação, imposição física e leitura defensiva para proteger essa zona com constância.
Mais do que ajuste interno, há uma necessidade objetiva de mercado: contratar um primeiro volante marcador, capaz de reduzir espaço, encurtar a finalização e dar estabilidade ao sistema. Quando o adversário pensa na entrada da área, o problema já começou antes.
Na vitória, Reinier foi coerente com a proposta. Flutuou entre linhas, aproximou setores e deu continuidade às jogadas com critério. Num time que tenta consolidar padrão, jogadores que entendem espaço são fundamentais. Ele ajudou a sustentar posse, organizar a circulação e dar lógica à reação.
Hulk rende menos quando atua de costas, fixo entre zagueiros. O time perde profundidade e ameaça. De frente para o gol, atacando espaço e participando da construção final, o impacto é outro. Ele gera vantagem. O desenho ofensivo precisa aproximá-lo dessas zonas com mais frequência.
Preciado ainda oscila. O físico pode evoluir, a intensidade precisa ser constante e os lapsos técnicos apareceram nas duas partidas. A qualidade ofensiva existe, mas o equilíbrio depende do encaixe com Alan Franco formando a linha de três na saída e garantindo cobertura. É ajuste estrutural. E ajustes estruturais pedem tempo.
A ideia está mais clara, a circulação com bola evoluiu. O passo seguinte é transformar crescimento em consistência. E, neste momento, isso passa por proteger melhor o centro do campo, com encaixe tático e reforço específico.
Porque evoluir é processo.
Sustentar é maturidade.
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