Esporte News Mundo
·9 June 2026
Delegações Senegal e Uzbequistão enfrentam revista rigorosa em desembarque nos Estados Unidos

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·9 June 2026

A preparação para a Copa do Mundo de 2026 já expõe diferenças marcantes na forma como os países-sede estão lidando com as delegações estrangeiras. Nos Estados Unidos, relatos de inspeções intensas, longas esperas e até impedimentos de entrada têm causado desconforto entre jogadores, comissões técnicas e arbitragem. Em contraste, no México, o ambiente tem sido de celebração e recepção calorosa.
As medidas adotadas pelo governo de Donald Trump começaram a ganhar visibilidade logo nos primeiros desembarques de seleções. Um dos casos mais emblemáticos envolveu a equipe de Senegal, que, ao chegar a Houston, no Texas, foi submetida a uma triagem completa ainda na pista do aeroporto. Antes mesmo de acessar o setor de imigração, todos os integrantes passaram por revistas individuais com detectores de metal e inspeções minuciosas de bagagens.
A liberação só ocorreu após a conclusão de todo o processo, o que atrasou o deslocamento da delegação até o local de treinamentos. Até agora, as autoridades norte-americanas não apresentaram justificativa oficial para a operação.
O padrão se repetiu com outras seleções. A Bélgica também enfrentou procedimentos rigorosos ao desembarcar em Chicago, incluindo verificações detalhadas que chegaram ao ponto de inspecionar até a sola dos calçados dos jogadores e membros da equipe.
Além das seleções, a arbitragem também foi afetada. O árbitro somaliano Omar Artan, que estava designado para atuar no torneio, teve sua entrada barrada após horas de interrogatório em solo norte-americano. Segundo a federação de seu país, o profissional possuía documentação válida. Sua participação marcaria um feito inédito, já que ele seria o primeiro representante da Somália a apitar em uma Copa do Mundo.
UZBEQUISTÃO DENUNCIA TRATAMENTO DESIGUAL E QUESTIONA CRITÉRIOS DE SEGURANÇA
Entre os episódios mais detalhados está o enfrentado pela seleção do Uzbequistão, que relatou uma série de situações consideradas incomuns durante sua passagem pelos Estados Unidos.
Ao desembarcar em Chicago para um amistoso contra a Holanda, a delegação foi recebida com cães farejadores e submetida a uma revista completa de todos os pertences. Segundo relatos, o grupo permaneceu por horas aguardando liberação, exposto ao calor, enquanto bagagens eram analisadas.
O desconforto aumentou antes da partida realizada em Nova York, no Estádio Icahn, em Manhattan. O confronto, disputado sem público, foi procedido por um novo processo de inspeção, desta vez ainda mais detalhado.
De acordo com o técnico Fabio Cannavaro, apenas sua equipe passou por esse nível de controle. Jogadores, comissão técnica e até equipamentos de trabalho foram minuciosamente verificados, incluindo materiais táticos utilizados nas atividades internas da equipe.
“Disseram-me que estas eram as regras. Mas, no final, a inspeção foi apenas para nós”, afirmou o treinador, em declaração divulgada pela Sky Sports.
Dentro de campo, o Uzbequistão acabou derrotado por 2 a 1 pela Holanda, em partida na qual o atacante Igor Sergeev marcou o único gol da equipe. Após o jogo, o jogador também comentou o episódio fora das quatro linhas.
“Foi a primeira vez que passei por algo assim.”
Apesar dos transtornos, a equipe vive um momento histórico. Pela primeira vez classificada para uma Copa do Mundo, o Uzbequistão chega ao torneio cercado de expectativas. Inserido no Grupo I, enfrentará Portugal, Colômbia e República Democrática do Congo, com estreia prevista para o dia 17 de junho, na Cidade do México.
Até o momento, não há posicionamento oficial das autoridades dos Estados Unidos explicando por que determinadas delegações foram submetidas a procedimentos mais rigorosos do que outras.
RECEPÇÃO NO MÉXICO SEGUE CAMINHO OPOSTO E APOSTA NA HOSPITALIDADE
Se nos Estados Unidos o ambiente é de controle e cautela, no México o cenário tem sido de entusiasmo. O país, que também seriará jogos da Copa ao lado de Canadá e EUA, tem apostado em uma recepção calorosa às seleções.
Um exemplo claro foi a chegada da Espanha à cidade de Puebla. A delegação foi recebida com apresentações culturais, música, dança e manifestações de apoio da torcida local, criando um clima festivo desde o desembarque.
O contraste entre os dois países evidencia não apenas diferenças operacionais, mas também de abordagem política e cultural no acolhimento de delegações internacionais. À medida que a Copa do Mundo se aproxima, cresce a atuação sobre como essas medidas poderão impactar o ambiente do torneio e a experiência das equipes participantes.







































